Notas iniciais
Divirtam-se!

Aquela era mais uma manhã comum para mim. Eu havia despertado com os raios de sol que atravessaram a janela e repousaram bem em cima do meu rosto, o que tornava impossível a possibilidade de dormir naquela cama. Porém não me importei, pelo menos aquele quarto era só meu. Eu não tinha que dividi-lo com ninguém. Tinha minha privacidade preservada.

Eu estava atormentada com a ideia de ser os Jogos da Arena novamente. Eu ainda tinha muitas lembranças e pequenos arranhões no joelho dos jogos de alguns meses atrás, cujo nós vencemos. O problema é que, desta vez, os jogadores adversários são desconhecidos vindos da Central de Sobrenaturais do Canadá. O que me levava a ficar nervosa.

O sentimento de nervosismo logo foi substituído por uma felicidade pulsante. Pude sentir o poder dele se aproximando como uma faísca. Taylor Willian Brown havia chegado. Ainda me surpreendia com o quanto revigorante a presença dele podia ser. Ele não só me completava, como me fazia um bem enorme.

Antes, Tay não frequentava a CDS. Ele tinha sérios problemas com Penny e a ideologia psíquica, mas começara fazer visitas há alguns meses, precisamente desde que me mudei para cá e mãe e filho se entenderam. Eu cheguei aqui, trazido pelo meu mentor, guia ou como queira chamar, Bryan Cooper, meu namorado. Sim, agora ele é oficialmente meu namorado.

O reconfortante dos apavorantes Jogos da Arena, era que eu conhecia muito bem a minha equipe. Eu, Taylor, Bryan e a Lúcia, que apesar de não ser a minha melhor amiga ou primeira opção, eu sabia bem quem era.Mas sabe, o nosso relacionamento tem melhorado, nos insultamos 3 vezes menos que antes e discutimos em torno de duas vezes ao dia. Isso é um grande avanço.

E por pensar em relacionamento, liguei-me a Bryan. O garoto, cujo eu estava completamente apaixonada, de um modo que nunca estive antes. E o bom de tanta certeza amorosa, é que eu não estava mais em dúvida entre os dois. Taylor me confundia bastante e dava um nó na minha cabeça, mas eu sabia exatamente o que eu queria..

– Hey, eu senti que você tinha chegado. — eu disse para Tay, enquanto descia as escadas. Assim que me aproximei, dei um longo abraço nele.

– Por quê? Estou fedendo? Não tenho tido tempo para tomar banho ultimamente. — ele brincou.

– Não. eu ri. — Espera, ou talvez sim. — fingi estar farejando-o.

– Palhaça! — eu lhe dei um sorriso. — O seu nervosismo está me deixando nervoso?

– Está sentindo isso?

– Está na sua cara. — fez uma pausa. — Qual o problema? Você tem fobia de canadenses?

– Não, seu bobo. É só que... — bufei. — Acho que não posso vence-los.

– Você sozinha talvez não possa, mas a equipe toda pode. E quer saber, da última vez que vi você jogar, você mandou bem.

– Hum, você reparou que eu estava lá?

– Puf, eu não tirei os olhos de você.

Corei e como resposta dei-lhe um tapinha no ombro. Eu não havia ficado realmente brava com o comentário dele. De fato, já tinha me acostumado com seu jeito. Tay era diferente de tudo que eu conhecia. Confesso, que senti falta daquele sorriso malicioso e cabelo loiro. Era realmente bom vê-lo de novo. Bryan chegou de repente e deu-me um beijo rápido de cumprimento.

– Olá Taylor. — disse ele.

– Bryan.

Eles se encararam por um tempo constrangedor. Eu sabia que Bryan havia me beijado para provocar Tay. E aquilo me deixou irritada ao extremo. Não precisei me esforçar para ver que Taylor havia ficado bastante irritado também. Para a minha sorte, ou azar, Lúcia apareceu descontraindo.

– Então, o triângulo amoroso está pronto? — ela chegou com toda a sua marra de vadia, estourando um chiclete e com as mãos na cintura.

– Você poderia ser menos chata, não acha Lúcia? — sugeri.

– E você poderia ser menos insuportável, então eu teria menos vontade de te matar. Não concorda? — rebateu ela. Era impossível vencer uma discussão com aquela piranha argumentista. Taylor riu em tom baixo e eu o fitei feio.

– Pessoal! — Penny se dirigiu até nós acompanhado por um grupo de pessoas. — Os canadenses já chegaram. E eu gostaria de apresentar-los os seus adversários. Esta é Diana. — apontou para uma garota alta de cabelos avermelhados e olhos castanhos.

– Oi. — disse ela.

Penny prosseguiu com a apresentação. — Clhoe. — ela era uma garota não muito alta, de cabelos loiros encaracolados e boca robusta. — Anthony. — era um garoto de altura mediana, mais ou menos da minha altura, pele branca, cabelos castanhos escuros e olhos azuis. — E o Leo. — apontou para um garoto forte alto e moreno. Quando terminou de apresenta-los virou para nós. — Esses são Bryan, meu filho Taylor, Annabeth e Lúcia. — tentei sorrir o mais simpático que pude. — Bom, vocês podem se conhecer melhor. O jogo começa em meia hora. — Logo se retirou de nosso meio e se dedicou aos seus afazeres.

Houve um silêncio constrangedor entre nós e os canadenses. Pensei que talvez eles não fossem canadenses. Poderiam ter sido trazidos por outros, como eu. Porém achei que seria mal educado perguntar.

– É... bem-vindos. — tentei quebrar o silêncio.

– Obrigada. — Diana respondeu. — Pode me dizer aonde fica o banheiro?

– Claro, eu te levo lá.

– Lá vai a madre Teresa. — comentou Lúcia.

Eu a ignorei completamente e comecei a guiar a garota até o banheiro mais próximo, que ficava no corredor após a cozinha. Aquele banheiro parecia mais um vestiário, tinha muitos espelhos e cabines com privadas. Diana entrou em um deles. Eu achei ela simpática. Enquanto a esperava, dei um jeito no meu cabelo rebelde. O frio era inimigo do meu cabelo.

– Então Diana, faz muito tempo que você joga?

– Faz uns quatro anos. Nós somos uma equipe há um ano.

Meu estomago embrulhou. — É bastante tempo.

Ela saiu da cabine e se dirigiu a pia, onde lavou as mãos. — E você... hãm Annabeth? — assenti.

– Essa é a segunda vez que jogo.

– Uau. — ela disse surpresa, mas sem parecer superior. — Sua equipe venceu?

– Sim.

– Você quem pegou a bandeira, não foi?

– Foi sim. Como você sabe?

– Não sei, você me parece determinada.

– Eu? — sorri. — Obrigada, mas não acho que posso vence-los.

– Você está pensando errado Annabeth. Sozinha você não vai ganhar de ninguém.

– Mas vocês treinam há 4 anos!

– Tempo não é nada quando se leva jeito para algo. — parecia estar sendo sincera. Não vi sinal de falsa modesta em sua voz. — Sabe, eu não sou muito competitiva. Leo quem é.

– Leo? — eu não me recordava de quem era.

– O cara alto e lindo. — pareceu empolgada e um tanto boba. — Ele é meu ex-namorado.

– Vocês terminaram há muito tempo?

– 3 meses.

– Ainda é recente. Sinto muito.

– Tudo bem. Nós sempre acabamos voltando. Esse é o 4º termino só neste mês.

– Puxa vida! Não consegui voltar com meu namorado nem por uma vez.

– Por que não tenta voltar com ele?

– Ele está meio morto.

– Oh! Ah que lastima. Sinto muito.

– Tudo bem.

– Então, vamos voltar para lá?

– Claro.

Voltamos ao salão principal. Taylor estava conversando algo com Penny que pareceu incomoda-lo. Fiquei curiosa para saber o que tanto o incomodava, mas infelizmente não tinha super audição ou algo assim. Tay virou-se e olhou direto para mim. Ele deve ter reparado a minha curiosidade. Rapidamente desviei o olhar do dele.

– Quem é ela? — a pergunta de Diana fez-me virar em sua direção Logo que vi que ela perguntava sobre Lúcia, pois a loira estava dando em cima de Leo descaradamente.

– Aquela é a nossa Lúcia sendo ela mesma.

– Ela está dando em cima de Leo. Do meu Leo. — acrescentou.

– É, ela costuma fazer isso mesmo.

– Precisamos fazer alguma coisa. Mas, não pode ficar na cara que estou com ciúmes. — ela pensou por um instante. — Annabeth, você pode ir lá!!!

– Eu?

– Sim! Não ficaria nada estranho se fosse você a atrapalhar, e não eu.

– Não, não! De jeito nenhum. Não conheço Leo e detesto Lúcia.

– Oh, por favor. Ficaria muito obvio o meu ciúme. Leo rompeu comigo da ultima vez alegando que este ciúme era obsessivo. Não posso ir lá. Isso iria aniquilar nossas chances de voltar.

Diana praticamente implorou. Olhei para sua expressão esperançosa e de "cachorro que caiu da mudança". E não pude dizer outra coisa, a não ser:

– Tudo bem.

– Ai, obrigada! — ela comemorou.

– Mas o que exatamente você quer que eu faça?

– Não sei. Apenas vai lá e atrapalhe o papo dos dois.

– Diana, não sei não.

– Annabeth, por favor, eu amo aquele garoto demais. Não posso perde-lo. — ela fez sua expressão melancólica novamente.

– Qualquer coisa para você parar de fazer essa cara.

– Ok, então vai lá. — ela me deu um pequeno e delicado empurrão nas costas.

Enquanto caminha em direção á eles, tentei pensar em alguma razão para estar ali. Porém meu cérebro me traira e todas as ideais se esvairão. Fiquei parada por alguns segundos com cara de idiota. Eles obviamente me fitaram quase questionando o por quê da minha desnecessária presença ali.

Limpei a garganta e disse: Hey. Não fomos apresentados direito ainda. Sou Annabeth. — estendi a mão pra que ele me cumprimentasse.

– Olá. — ele retribuiu. — Sou Leo.

– Bom, já que foram apresentados, você já pode ir. Não é Annabeth? — ela tentou me dispensar o mais educado que lhe fora possível, e freezou o meu nome em algo que me pareceu um rugido.

– Não! — retruquei sem pensar, mas logo me recompus. — Na verdade, tenho uma pergunta a fazer para o Leo.

– Faça a pergunta e dê o fora Annabeth! — desta voz a voz de Lúcia tinha um tom ameaçador, que não me intimidou.

– Leo, quantas vezes você já venceu os jogos da arena? É que sabe, sou muito nova nisso. Talvez você possa me dar umas dicas. — O que poderia ser mais empolgante para alguém triunfante do que falar de seus triunfos?

– Cerca de 13 vezes. Como jogo há 2 anos e alguns meses, isso é quase um recorde. — se gabou de modo não tão esnobe. — O negócio dos jogos é ter uma boa equipe. Não se joga sozinho.

Aquilo não era exatamente o que eu precisava ouvir, mas Leo tinha razão. Todos tinham razão. Eu estava pensando pelo lado errado. Deveria jogar com a equipe. Continue encenando o papo entusiasmante com Leo e Lúcia, por alguma razão, ainda não havia pulado em meu pescoço.

– Isso é realmente inspirador Leo. Você treina pesado?

– Só o necessário para o meu corpo. — desta vez, pareceu-me falsa modéstia.

– Annabeth, você pode vir aqui um minutinho? — Lúcia perguntou. Não entendi bem por que, afinal quando se faz uma pergunta se espera uma resposta e não foi isso que ela fez. Me puxou pelo braço até um canto mais afastado, onde Leo não poderia nos ouvir e só então me soltou.

– Hey, isso doí.

– Garota, me diz, qual seu problema?

– Não estou entendendo você.- fui sonsa.

– Eu não fiz nada para você, mas você roubou o Bryan de mim e chegou aqui virando centro das atrações. Com o seu jeito de "Olha pra mim, eu sou Annabeth, a retardada. Tenham pena de mim!" — ela gesticulava suas falas com ironia. Por que vadias adoram gesticular suas falas? . — E agora, por alguma razão, está se metendo com o Leo. Só que eu estou investindo nele, queridinha. Já não basta Bryan e o loirinho gostoso?

– Olha, não vou dizer nada contra as suas acusações infantis, mas não quero nada com o Leo.

– Ah, por favor, Dona superior. Com essa para cima de mim?

– Não percebi que você estava com ele na mira. Sempre está dando em cima de todos os caras.

– Esperto é quem arrisca! E agora que já percebeu, não amola! — logo jogou seus cabelos longos e loiros e saiu.

"Missão fracassada" pensei. Mas contrariando o meu último pensamento, Penny apareceu no salão comunicando que já estava na hora de se inciarem os Jogos da Arena. Depois desejou boa sorte á todos e as equipes se posicionaram em grupos e todos seguimos para a arena na área externa da CDS.

Notas finais
Espero as opiniões de vocês, beijos!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.