O Triângulo Psíquico
11 Eu apenas dirijo
Notas iniciais
Dica: Leia ouvindo essa música ou simplesmente ouça depois : http://letras.mus.br/lana-del-rey/ride-1/#traducao
E lá estava eu, seguindo aquele estranho que talvez pretendesse me ajudar. Fomos até o lado de fora, à entrada da mansão. Eram 10:00 h da noite. Caminhamos até uma moto cinza, um modelo que eu não sabia qual era, devia ser recém-lançada ou lançamento do ano.
Taylor me entregou um capacete da mesma cor da moto. Saímos finalmente da mansão, eu tive a sensação de liberdade. Ligou a moto, já acelerando. Senti adrenalina e a um frio na barriga a cada curva em que o ronco da moto soava.
O vento bagunçava meu cabelo, eu estava mais relaxada, mesmo devendo estar nervosa por estar montada em uma moto com alguém que eu não conhecia, a mais de 80 km. Eu me sentia como na música de Lana del Rey, ride, então eu apenas dirigia.
Morrendo jovem e estou fingindo ser durona
Esse é o jeito com que meu pai fez de sua vida uma arte
Bebemos o dia todo e conversamos até o anoitecer
Esse é o jeito que os Road Dogs fazem, dirigem até o anoitecer
– Se segura! – Taylor me falou alto. –
– Ok!
Segurei com mais força a cintura dele. A cidade estava toda iluminada. Pessoas andando e rindo, eu me senti tão bem. Taylor estacionou num parque. Descemos da moto.
– Aqui é lindo! – entrerreguei o capacete à ele. –
– Olha, não vamos ter uma suposta amizade agora, ok? Digamos que você vai ficar me devendo uma.
– Por mim tudo bem. – dei de ombros. –
– Então vamos. – ele tomou à frente. –
– Onde?
– À um lugar secreto. – o garoto loiro tinha um sorriso cantinho de boca. –
O acompanhei até cruzar o parque e descer a viela de uma rua e chegar à outra mais escura e esquisita. Nessa rua não tinha saída, apenas portas fechadas e caixas. Taylor parou em frente à uma das portas que tinha um letreiro iluminado: BURN APPLE.
– É aqui. – ele abriu a porta extensa. –
Eu o acompanhei até dentro. A porta que entramos dava para um corredor escuro e uma porta com adesivos florescentes. Entramos pela mesma. Me pareceu um open bar, observei em volta. Esse pensamento durou somente até eu ver mulheres seminuas dançando num mastro.
– Sério, você me trouxe à um bar striper?
– Você vai se distrair com as coisas novas que vai ver aqui.
E eu estava esperando ver mesmo, afinal eu era praticamente uma garota de 15 anos, que não havia curtido ou vivenciado experiências adolescentes ou loucas.
– Senta ai. – me ofereceu a cadeira da mesa, a qual sentou. –
– É isso que os tarados daqui fazem sábado á noite?
Observei vários caras no bar, uns bebendo e outros babando como cachorros. Será que suas esposas eram cientes disso? Hum, provavelmente não.
– Na verdade, é só exibição, não são tocadas e eu não sou tarado.
– Discordo das duas coisas, se é pra ficar só na vontade assista à um pornô em casa.
– Você tem um ponto de vista critico sobre tudo.
– Vão pedir? – uma mulher quase pelada aparece com uma caderneta na mão. –
– Dois drinks especiais da casa, por favor. – ela anotou e então saiu. –
– Eu não bebo.
– Hoje é um dia de exceções, eu não vou à CDS, não separo brigas de mulheres e nem deixo uma garota subir na minha moto se não for leva-la para o meu apartamento, se é que me entende.
– Acho que gostei das exceções.
A garçonete voltou e deixou os drinks na mesa.
– Me avise se quiser o serviço particular Taylor. – ela mordeu o lábio inferior e saiu. –
– Repugnante. – comentei. –
Eu pensava em como alguém podia ter uma relação com uma mulher como aquela, que podia ser de qualquer um. Talvez Taylor não conhecesse o amor e fosse muito sozinho.
– Nem todas estão para exposição. – falou com a maior normalidade. –
– Vou ignorar isso. – revirei os olhos. – E quanto a sua tatuagem, porque a lua?
– Eu sempre achei que a lua era um ponto de força, mas eu nunca gostei da lua cheia, me sentia uma meia lua. É meio difícil de explicar, digamos apenas que eu sou apaixonado pela lua, me casaria com ela.
– Isso é Romeu demais para o Taylor.
– E é por isso que quando me perguntam sobre a minha tatuagem, eu minto e digo que só tinha grana para essa tatuagem na época em que fiz. – eu ri. – Não vai beber?
Dei um gole na forte bebida, que me fez tossir para tentar livrar a garganta da amargura. Coloquei o copo de volta à mesa.
– Quer saber o que realmente relaxa? – em resposta, o garoto tirou um cigarro do bolso do casaco. –
– Baseado? – arrisquei perguntar. –
– Só para começar.
– Você não tem cara de dependente químico.
– Eu odeio a merda da minha vida, tenho que estar sempre doidão para conseguir vive-la.
Fiquei com pena daquele garoto. Será que sua vida podia ser tão ruim assim? Bom, pelo menos ele não passou três anos, quase morto, em cima de uma cama. O garoto me ofereceu o cigarro.
– Não, obrigada.
– Esse é o seu problema: Você é controlada demais.
– E você é má influência demais.
– Pois é eu perverto mocinhas inocentes. Sério, você precisa sair de si algumas vezes, parar de fazer o que te dizem para fazer, parar de ser guiada e dar seus próprios passos.
Aquilo me atingiu. – Como sabe disso?
– Eu era assim.
Não, eu não deixava ninguém me dizer o que fazer, ou deixava? Me irritei com a dúvida. Tomei o cigarro de sua mão.
– Boa escolha. – ele sorriu vitoriosamente. –
Com um isqueiro que tirou do bolso (oh meu Deus, nem queria imaginar o que mais tinha naquele bolso) ele acendeu o meu cigarro e o dele.
– Não acredito que estou fazendo essas coisas.
– Você não precisar ser você essa noite. – soprou a fumaça. –
Ao inalar, tossi. Nossa como eu era fraca para essas coisas. Mas também nunca havia feito aquilo.
– Vai com calma.
Tempos depois, nossos cigarros haviam chegado ao fim. Eu estava perdendo os sentidos lentamente e começando a me arrepender de ter acendido aquela porcaria. Não achando suficiente, Taylor pediu mais uma rodada de drinks.
– Isto ajudará a enlouquecer. – tirou um saquinho do bolso. –
– Cara, o que você é? Um Narcotraficante peruano? Nossa. – ele sorriu. –
– Deixe-me lhe ajudar. – colocou o pozinho estranho na minha bebida. –
Serrei os olhos para ele, com cara de acusação. Eu não estava lá muito segura de mim.
– Beba. – levantei uma das sobrancelhas, ainda duvidando. – Vamos lá, divirta-se!
Eu não queria me embebedar e me drogar para sair da rotina e dos problemas da vida como Taylor, mas tudo bem se isso fosse só por uma noite, não é?
Virei o copo de uma só vez. Tudo girou e tudo que eu via, parecia se mover em câmera lenta. Pisquei várias vezes tentando melhorar a visão, mas em vão.
– Vamos embora Annabeth. – Taylor segurou a minha mão. – Vamos curtir a cidade!
Fale com o autor