O Trem

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Olá. Mais um conto que escrevo e quero compartilhar com quem estiver interessado em ler. Aviso de antemão que é um conto totalmente subjetivo.


O som que as portas do vagão emitiram ao se fechar era áspero e incômodo. Com um impulso que derruba quem não se segura, o trem começa lentamente a se mover, emitindo mais barulho tão comum às coisas que são velhas, enferrujadas e que ainda se movem.

A velocidade aumentava aos poucos, e o muro que se via pela janela parecia correr, ora colorido, ora cinzento, até que desapareceu. Depois, eram árvores e mato que se via passar. Às vezes, viam-se cabeças de gado a pastar próximas a uma cerca de arame. Às vezes, não se via nada.

Algumas nuvens amorfas bloqueavam os raios intensos do sol. Dentro do trem enferrujado, uma mulher tentava acalmar seu bebê que chorava a pedir por leite. Um homem velho como o vagão em que estavam, olhava para o nada por que passavam no lado de fora, enquanto o dia parecia ser cada vez mais cinzento à medida que o trem avançava.

Um jovem e sua namorada se abraçavam num outro banco do vagão do trem e conversavam baixinho. Os dois pareciam levemente confusos, e se olhavam com certo tremor, um a apertar a mão do outro, as cabeças se encostando enquanto trocavam algumas frases por vezes desconexas.

Acima das portas do vagão havia uma placa retangular que mostrava cada uma das estações, mas as placas estavam tão envelhecidas, que em nenhuma era possível ler qual o nome do destino.

Os vidros das quatro portas do vagão do trem estavam muito sujos e mal se dava para ver o lado de fora, diferente das janelas do vagão, onde ainda era possível olhar para fora e ver alguma paisagem.

A velocidade do trem continuava a aumentar, enquanto a paisagem do lado de fora se tornava quase homogênea aos olhos humanos. Era tudo cinzento e vazio de qualquer tipo de vida, tão tristemente quanto o interior do trem.

Após considerável tempo, o trem emitiu um ranger, como se uma dor o acometesse e o fizesse se contrair fortemente. Ainda sentados nos bancos desconfortáveis e cujas pinturas estavam descascadas, os passageiros estremeceram. Os jovens olharam ao redor com visível medo estampado em seus rostos. A mulher com o bebê olhou também ao redor, mas logo voltou sua atenção ao seu bebe e o velho continuou na posição em que estava.

Um sinal soou um pouco chiado, no único auto falante que ainda funcionava no velho vagão, uma única vez. A velocidade do trem passou a diminuir devagar enquanto todos olhavam ao redor satisfeitos, pois significava que o trem estava prestes a parar na plataforma de destino, embora ninguém ali soubesse exatamente qual era o destino.

O trem parou e as portas se abriram com mais rangidos. Os passageiros se levantaram e saíram. Estavam numa plataforma onde não havia pessoas senão eles. Era tudo muito cinzento, e nenhuma cor mais havia que contrastasse com aquilo.

Novamente um sinal soou e as portas do trem se fecharam com ruídos tão característicos das coisas enferrujadas. Então, o trem se pôs a andar novamente na mesma direção que seguira até ali, mesmo que aquela fosse a última estação.

Os passageiros se viraram e avistaram uma porta numa parede cinzenta. Esta se abriu e um homem com roupas totalmente brancas estava parado como se os aguardasse.

Os dois jovens se entreolharam e pareceram compreender a situação subitamente. A mulher continuava com sua atenção voltada ao seu bebê que já não chorava mais, e o velho apenas suspirou e se pôs a caminhar em direção à porta, seguido pelos demais. Todos entraram e a porta se fechou com um ruído alto e desagradável.

Notas finais
Obrigada por ler!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!