Ellen sempre fora considerada uma moça muito bonita, todas as meninas da turma da faculdade tinham inveja dela. Além de ser atraente, com sua pele morena e lisa, ela era muito inteligente, estava quase se formando em letras e não via a hora de começar a dar aula. Numa noite como outra qualquer ela caminhava pela rua, voltando da faculdade, quando foi segurada pelo pescoço e uma mão com um pano tapou seu rosto antes que pudesse gritar. Em um dos breves momentos em que acordou, que mais lhe parecia um delírio, ela estava em um quartinho muito sujo, amarrada em uma cadeira, com um homem em uma máscara hospitalar tapando seu rosto. Ele tinha uma faca na mão, e assim veio em direção a ela que tentou gritar, mas tinha um pano amarrado na boca, no momento seguinte, sentiu uma dor muito forte e voltou a desmaiar.

Quando voltou a acordar, Ellen estava no hospital, sem a pele na região torácica, abdômen e costas. Estava tudo em carne viva. Os médicos haviam falado que se a recuperação ocorresse bem ela teria uma vida normal, sua pele ia se regenerar, mas ela sabia que as marcas do ataque ainda ficariam em seu corpo.

Doutor Eliot era o mais dedicado. Ele passava a cada pouco para ver como ela estava. Ele olhava com delicadeza, e seu semblante era um tanto estranho. Parecia aparentar pena, mas sempre tinha um olhar meio sarcástico, parecendo que seus olhos sorriam em ver as feridas. Ela esperava que aquilo significava que ela estava melhorando. Quando perguntava para ele quanto tempo ela ainda teria que ficar ali ele dizia que ela só poderia sair quando cicatrizasse bem. Já haviam se passado duas semanas, mas ainda tinham lugares que sangravam. Aquilo deixava a equipe médica preocupada, menos Eliot, que parecia tranquilo, sempre dizendo que tudo ia ocorrer bem. Aquilo a ajudava a se acalmar, ele parecia ser o médico dos sonhos. Mas ele à assustava. Sempre que olhava pra ele se lembrava do psicopata. Ele usava uma mascará para examiná-la, isso a fazia ter calafrios. Sempre que tinha pesadelos parecia que a voz dele era a voz do psicopata que lhe atacara. Ela chegou a comentar isso com ele e com as enfermeiras, eles falaram que era normal, pois ela tinha passado por um grande trauma, mas tudo ia ficar bem.

…

Eliot se assustou quando Ellen disse que sua voz parecia a do psicopata. Será que ele tivera algum descuido e falara algo durante o procedimento? Ele não se lembrava, mas a desculpa que ele deu era o suficiente. Pessoas que passam por traumas tão grandes podem ter delírios mesmo, ainda mais se adicionar a grande quantidade de remédios pra diminuir a dor que a moça tomava. Mas, mesmo assim, o medo passava pela sua espinha, será que ele tinha cometidoo algum erro de novo? Será que ele teria que eliminar mais uma vítima? Ele esperava que não. Se ocorresse um assassinato significava se mudar de novo e isso ele não queria, pelo menos não por enquanto.

…

Três semanas era muito tempo. Delegado Morman já estava louco, seus homens já tinham ido 5 vezes até o hospital para falar com a garota, em todas elas foram avisados que ela ainda não tinha condições de falar. Mas agora já estava na hora. Ainda não tinham conseguido nenhuma prova concreta e o criminoso já poderia ter fugido pra outro lugar, ou pior, estar se preparando para atacar uma próxima vítima. Pelo que ele tinha visto com outros delegados e em outros casos parecidos, sempre existiria uma segunda, terceira ou até mais vítimas se não agissem logo. Agora a imprensa já estava esquecendo o caso. Na primeira semana tinham caído em cima, mal deixavam a polícia trabalhar. Seus homens mal tiveram tempo para descobrir casos parecidos. Os jornais já noticiavam vários casos pelo país. O mais recente fazia menos de 3 meses, em uma cidade do interior, um maluco atacava os moradores e arrancava apenas os mamilos, e esse caso dos mamilos apareceu em várias localidades de interior, em nenhum lugar se tinha mais detalhes sobre o criminoso, sempre desaparecia sem deixar rastros, com exceção dessa última cidade, onde descobriram que ele matara uma das vítimas.

Mormam chegou ao hospital e pediu para falar com o médico responsável pelo tratamento da jovem esfolada. Um homem com cerca de 1,80 de altura, jovem, com um olhar cansado chegou e se apresentou como Dr. Eliot, então Mormam perguntou se poderia ver a vítima. O doutor parecia contrário a isso, mas uma olhada mais séria do delegado fez com que ele conduzisse Mormam pelo hospital. Ele gostava daquilo, as pessoas sempre tinham um pouco de medo dele, sempre o respeitavam, não importava onde ele chegasse, sempre era ele quem comandava.

Chegando ao quarto, se apresentou e pediu um momento a sós com a garota. Depois do médico e a mãe dela saírem ele encostou a porta, puxou uma cadeira, sentou-se, e começou a fazer algumas perguntas.
– Se lembra o que ocorreu na noite do ataque? – perguntou
– Não muita coisa, apenas que estava indo para casa quando me agarram por trás e então desmaiei – ela contou – me lembro de ter acordado muito rapidamente enquanto estava amarrada, mas não me lembro de muitos detalhes.
– Do que você se lembra? Chegou a ver o rosto do sequestrador?
– Me lembro que era um cômodo não muito grande, paredes mal cuidadas, tinha uma mesa, com várias facas em cima, prateleiras com vidros, mas não sei o que tinha dentro dos vidros – ela se arrepiava de lembrar – e dele não lembro de muita coisa, só vi quando ele veio pra cima de mim com uma faca, mas não dava para ver seu rosto, pois ele usava uma máscara hospitalar.
– Mais algum detalhe que você se lembre? O mínimo que seja já nos ajuda.
– Não, infelizmente não. As dores e os remédios também não ajudam, pois não me deixam pensar e fazem-me confundir as coisas.
– Muito obrigado Ellen, se lembrar de algum detalhe esse é meu telefone – e entregou um cartão – me ligue a hora que for.
– Sinto muito não lembrar mais nada, mas se me recordar de algo lhe informo.

Ellen achava que não havia a necessidade de comentar sobre sua alucinação sobre a voz do doutor ser parecida com a do psicopata, afinal era só coisa da sua cabeça.

Mormam então se levantou e foi em direção a porta, abriu e chamou a mãe de Ellen. A mulher tinha um olhar cansado e deprimente, parecia que sofria mais que a filha, e Mormam sabia que muitas vezes os familiares sofrem muito mais que a vítima. Ele se lembrava de Márcia, sua filha que havia sido sequestrada quando tinha 15 anos. Os bandidos a pegaram e a maltrataram por 1 semana, só por que o líder da quadrilha tinha sido preso, e Mormam era o chefe da operação. Foi um sofrimento muito grande ver a filha no hospital, se recuperando. Ele passou dias sem dormir. Mas agora ele precisava se concentrar naquele caso, para que ele tivesse um final feliz como foi o seu.

– Senhora, estamos fazendo o possível para localizar esse maluco, mas infelizmente não temos quase nenhuma pista. Quem fez isso parece que planejou tudo muito bem e parece ter muita experiência, tanto em sequestro, quanto em tirar a pele das pessoas, pois pelo que vi nos laudos e os comentários dos médicos da do IML é que foi muito bem esfolado. O agressor sabia exatamente o quanto queria cortar. Infelizmente não tivemos nenhum caso parecido na região, o mais próximo disso, foi um cara que arrancou os mamilos de suas vítimas, mas foi em uma cidade a mais de 500km daqui.
– Você disse mamilos? – Ellen gritou assustada– Eu vi algo que lembrava um cachecol, pendurado em uma das paredes do cômodo, agora que o Senhor falou em mamilos, aquilo lá poderia ser feito com mamilos.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.