Notas iniciais
Continuação de O Toque! Divirtam-se! :3

Era muito comum enquanto eu fazia o meu trabalho tentar lembrar de como eu era. Será que matei muitos¿ Será que tinha filhos, uma mulher, um cachorro¿ Nada vinha em minha mente. Às vezes eu inveja aqueles que eram tocados, eles agora caíram na eternidade da morte. Muitos criavam explicações para as formas que a Vida agia, não há explicação para a forma como ela age, ela simplesmente criava e a Morte destruía.

Enquanto estava perdido em meus pensamentos caminhei pela a estrada mais vasta que já havia caminhado. As árvores no caminho faziam um túnel, cobriam partes do Sol, deixando apenas pequenos feixes banharem aqueles que passavam por ali. Mas ninguém passava. Estava ficando ansioso, queria logo ver o que me aguardava adiante. Cheguei a um penhasco que não cobria mais a minha visão, eu podia ver perfeitamente o pequeno vilarejo que estava abaixo da montanha. As cores do vilarejo se contrastaram com o azul do céu. Eram tons de laranja e vermelho que subiam cada vez mais alto, junto com a fumaça. As chamas dominavam o lugar. Eu nunca entendi porque os humanos causavam danos a si mesmos. Não sei se isto era por interferência da vida ou se simplesmente surtavam com a ideia de saberem que um dia seriam tocados, e entretinham-se causando dor contra aqueles da sua espécie. Humanos e sua necessidade de sentirem-se no controle de algo.

Fechei os olhos por alguns instantes e ouvi a calma que estava o lugar. Segui o meu caminho, novamente as árvores cobriram o que estava ao meu redor, os feixes do Sol já não tinham forças para atravessar a copa das árvores.

Após caminhar muito, um grupo de crianças passou por mim. Finalmente alguma diversão. Decidi correr atrás delas e ver o que elas estavam fazendo. Cheguei a um playground, alguns pais observavam seus filhos e falavam de como era bom ser o que eles são. Disputavam com histórias quem era o pai mais incrível, discutiam para ver quem era a melhor mãe. Um jogo sinuoso de discretas palavras. Ao fundo do parque uma garota estava sentada em uma cadeira de balanço. O lugar ao lado dela estava vago, ela estava de costas para toda a alegria que estava em volta dela. Decidi me aproximar. Vi adiante o que ela tanto observava. Os seus olhos seguiam do chão para o céu, estava perdida em pensamentos. Decidi tocá-la, aquela imagem da garota estava me afetando de alguma forma. Sentia-me enjoado, era como se o chão estivesse em movimento, nunca havia sentido aquilo antes. Ergui minha mão, estava aproximando minha mão de seu rosto, ela tirou o seu gorro e parei. A garota de olhos âmbar, de lábios sutis como a água que fluía em um oceano, de roupas simples, mas que acentuava as suas curvas, não tinha algo que todas as mulheres sempre exibiam com tamanha audácia e orgulho. Sua cabeça refletia parte da luz, era careca, mas mesmo assim belíssima. Minha mão formigava, meus olhos se encheram de lágrimas. Sentei ao lado dela, então ela olhou para onde eu havia sentado e sussurrou:

“-Tudo bem, você não é o primeiro a me encarar desta forma, muitos desistem de conversarem comigo quando sabem do meu estado, você é forte até sentou ao meu lado”.

Ficara surpreso. Como aquela garota podia me observar assim¿ Nunca isto ocorrera antes em todo o tempo que estou aqui. Já ouvira falar de pessoas com habilidades como esta, de enxergar através do espaço e do tempo, ela podia ver e se comunicar comigo, não estava com medo. Então percebi que ela não sabia quem eu era de fato. Olhei fixamente para ela e antes que pudesse dizer algo, aquela garota sorriu e disse:

“-Você não é deste lugar não é mesmo¿ Além de ser demasiadamente quieto, usa trajes formais. É um espanto as crianças não estarem à sua volta, admiradas com a sua imagem.”

Neste momento eu tentei abrir a boca e dizer algo, mas antes mesmo de dizer a garota me interrompeu

“-Tenho que ir embora, mas amanhã eu volto...”

Ela estendeu a mão, eu olhei para a mão dela, olhei a nos olhos e apenas sorri. Ela entendeu como um ato demasiadamente estranho apertar a minha mão, assim ela recolheu a mão e retribuiu o sorriso. Então vi suas costas, sua energia chegou a minha face, singela delicadeza transbordando, algo atingiu minha alma. Assim, anoiteceu. Tudo o que consegui fazer foi ficar naquele lugar, pensando em minha outra vida, em como as coisas seriam se eu estivesse de fato vivo.

Notas finais
Espero que vocês gostem! Aguardo comentários ^^
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.