Capitulo 5

– Senhores e senhoras, esta é a senhorita Leila Lucan, a princesa Lucan em pessoa. Hoje ela é nossa convidada, espero que todos lhe tratem bem, porque os Grendel tratam seus hóspedes com respeito.

Aquele discurso era uma ordem para amedrontar não para dar boas-vindas, mas ninguém contestou. Todos permaneceram calados, submissos ao Victor. Tinha que admitir Victor tinha uma aura que irradiava poder soberano quando se tratava de dar ordem. Um detalhe importante e excelente para um líder. Logo Rodolfo entrou com uma arsenal de garçons que traziam bandejas e bebidas, os garçons eram humanos, curioso. Cada prato foi posto no seu devido lugar, no fim serviram-me, depois Victor e logo de seguida começaram a servir bebidas.

Senti um enjoo forte. Sangue.

Victor notou meu mal-estar. Pegou minha mão que estava em baixo da mesa fazendo-me relaxar. Olhei para ele pasma pela sua atitude, e lançou um olhar de calma, sua palavra favorita. Todos começaram a ser servidos, para quem olhava de longe parecia vinho tinto, mas na verdade era sangue. Quando o garçom chegou a minha taça, segurei o fôlego, como eu iria negar isto agora, mas não foi sangue o que caiu no meu copo, era vinho, vinho branco! Olhei para Victor surpresa, ele limitou-se a sorrir discretamente. Realmente, ele era surpreendente.

– Obrigada. — Praticamente não falei, meus lábios só se moveram um pouco, mas ele entendeu.

De repente as portas se abriram. Todo mundo parou para observar a figura que teve a ousadia de interromper o jantar. Das sombras surgiu uma mulher, uau, fiquei sem palavras, ela era simplesmente… magnífica. Olha que eu sou linda, mas ela… não ficava atrás, acho que no dia que Deus distribuía beleza ela recebeu a quantidade de duas pessoas — tinha os olhos negros fatais como a noite, seus lábios eram super vermelhos, cabelo longo, liso e negro que caia até a cintura, seu corpo era uma dádiva. Trazia um vestido preto longo com pedras azuis escuras espalhadas nele e era todo ele aberto nas costas, mas sua aura era tão negra como um túnel escuro e não combinava nada com sua pálida pele — vampira sua essência chegou a mim. Ela começou a caminhar graciosamente em direcção ao Victor, se pudesse descrever ela numa canção, certamente seria Pussycat Dolls, Bad girl.

Ela chegou no seu destino, sorrio á Victor, baixou a cabeça fazendo uma pequena vénia em sinal de respeito depois falou, — Victor querido, desculpe pelo atraso, espero que perdoes minha ousadia, mas você sabe como são as mulheres, sempre chegam atrasadas aos eventos, muita coisa a fazer. Mas prometo me remedir. — Disse ela piscando, piscando!? Que tipo de recompensa ela daria ao Victor?

– Oh, esta é a mulher lobisomem. Hum. Leila, sim? Eu sou Jennifer, Jennifer Grendel. Agora podemos começar o jantar. Cheguei.

Ela baixou ao nível de Victor e deu-lhe um beijo na bochecha, aquilo fez-me borbulhar de nervos, como ela se atrevia a tocar nele! Ele era meu. Minha nossa, isto estava indo longe demais, já estava sentindo-me possessiva.

Respirei fundo para acalmar meus nervos que estavam a flor da pele. Fechei os olhos e repeti na minha cabeça numerosas vezes “ele não é meu” quando abri os olhos Jennifer sorria maliciosamente, aposto que ela sabia que eu não estava gostando do comportamento dela em relação ao Victor. Victor fez um sinal para que Jennifer fosse sentar-se. Os garçons abriram as bandejas, pelo menos não era carne sangrenta viva, mas sim carne de vaca.

– Bem, senhorita Lucan o que está achado do nosso clã? — Um vampiro perguntou.

– Bem… — o que eu iria dizer, — vosso clã é muito organizado e bem estruturado, com um bom líder.

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Merda! Porquê fui falar do líder, o que será que eles iam pensar? Que eu estava caidinha pelo líder deles. Ai céus. Em vez do vampiro que me fez a pergunta continuar a conversa, Jennifer intercedeu.

– Hum… eu fico contente que esteja achando nosso clã interessante, viu algo que gostou? — Jennifer perguntou com malícia, sua sobrancelha levantada era prova disso. Então ela queria guerra, ia ter guerra!

– Bem por acaso vi, até bastante interessante. — Respondi-lhe provocatoriamente, deixando por conta dela decifrar o enigma das minhas palavras.

– Vejo. Então lobisomem gostaria de saber porquê estás bebendo vinho em vez de sangue? Será que nosso sangue te desagrada? Não é suficiente digno para vossa majestade. — Realmente Jennifer não sabia perder.

– CHEGA! Jennifer, eu não vou permitir que você desrespeite nossa convidada. — Victor defendeu-me, mas mesmo assim decide falar, não ia deixar ela levar a melhor.

– Olha Victor, está tudo bem. Jennifer não deve estar habituada a receber lobisomem, como ela diz, em sua casa e deve estar a se sentir amedrontada.

Jennifer levantou-se imediatamente da mesa no segundo que eu acabei de falar, ela estava furiosa com o que eu disse.

– Com medo! Com medo de você? Não. Logo de você, um ser insignificante, que nasceu para ser escravo dos seres soberanos como nós— os vampiros— nunca! Vossa raça não passa de escravos revoltados. — Ela gritou, dando o maior espectáculo.

Para mim bastou. Levantei-me e saltei da cadeira tentando pular em cima de Jennifer, mas Victor agarrou-me tão forte, prendendo-me em voltam de seus braços, fiquei de costas a ele fuzilando Jennifer com olhar.

Os vampiros antes calmos e obedientes agora estavam agitados, alguns até mostravam suas presas, mas eu não quis saber. Jennifer acabava de ofender minha família, meu clã e eu. Isto não ia ficar barato, mas o aperto do Victor impossibilitava-me de sequer mover um músculo, mal respirava. Meus olhos estavam se tornando amarelos podia sentir minha besta acordando. Parei.

Durante anos consegui controlar meus impulsos nervosos, não ia ser por causa dessa vaca que iria perder o controlo. Obriguei–me a relaxar. Gritei para Victor largar–me, — me larga seu vampiro!

Não sei se foi por causa do meu tom de voz ou pelo modo que eu disse a palavra vampiro como se fosse uma praga, mas Victor largou-me imediatamente. Pus-me a andar, não sabia aonde ia só que queria sair dali e rápido, mas algo frio tocou minha pele que agora deveria estar a 50 Graus Celsius, devido a proximidade que eu estava de explodir e me transformar.

Não tive tempo nem de pensar, uma névoa invisível rodeou-me e senti meio zonza como se estivesse a viajar pelo ar.