O Toque do Vampiro
3 Capitulo 3
Capitulo 3
Droga! Falei demais. Seria melhor que esta informação tivesse ficado comigo, entusiasmei-me tanto acusando-lhe que acabei falando demais. Este era meu defeito, eu e a minha boca grande.
Seus olhos abriram espantados pela informação que eu acabava de revelar ― filha do grande Lucan, chefe de umas das maiores tribos de lobisomens.
– Uau, olha só para isto, a protegida filhinha do grande Lucan! E caiu justamente na minha rede, que grande pescaria…
– Prometeste–me que não irias–me fazer mal, você prometeu! — Cortei-lhe balbuciando as palavras visivelmente carregadas de medo.
Ele olhou-me aborrecido e disse, — eu prometi e vou cumprir. Sou um vampiro de palavra, isto que me mantém vivo até hoje e para com essa mania de me cortar, odeio quando fazes isto. Então você é a princesinha Lucan, a que poucos tiveram a oportunidade de ver e sair vivo. Que sorte a minha hein?
Ia responder-lhe mas ele lançou-me um olhar mortífero que me fez calar. Nisto ele continuou falando.
– Deixar a princesa deles assim! Sem guarda. — Disse ele mais para si. — Mas mudado de assunto peço desculpas por ter te deixando assim sem comida e roupa, prometo que não farei mais, providenciarei isto mais rápido possível. Agora quanto a alguém estar-te procurando, bem isto eu tenho certeza que sim.
Se ele soubesse que ninguém deveria estar me procurando a anos, eu tinha dispensando toda protecção do meu clã, queria ter uma vida normal. Por isto deixei-lhes em primeiro lugar.
– Falando nisso, onde está sua aliança? — Olhei-o surpresa pela sua pergunta.
Alguém bateu a porta interrompendo nossa conversa, aliança?! Que aliança, era suposto eu ter uma aliança? Nem se quer estava namorando. Entrou um senhor de idade avançada com cara de mordomo e quem sabe tudo, mas não deixava escapar um só segredo sequer, seu uniforme estava impecavelmente limpo e organizado.
Porque será que os mordomos tinham que ser assim? Será que ele também chamava-se Alfred. Mais este tinha uma particularidade. Não era vampiro, mas também não era humano. Concentrei–me e senti seu cheiro, interessante, meio vampiro. O mordomo trazia uma bandeja com um copo de sangue, ainda por cima, humano, para piorar a bandeja levava um prato de carne mal passada que cheirava 100% viva, meu estômago embrulhou. Virei a cara, era demais para meus olhos e narinas.
– Que foi? — Perguntou ele preocupado.
– Não suporto cheiro de sangue, por favor não tem outra coisa que não seja sangue fresco e humano para mim servir. Alguma comida humana, normal.
– Humana?! — Sua voz transmitiu espanto, mas não perguntou mais nada nem eu respondi a sua pergunta. O mordomo saiu sem dizer nada. Começava a suspeitar que eles tinham algum tipo de conexão telepatia ― não era comum vampiros terem poder de se comunicarem por telepatia, só os que estavam ligados por laços sanguíneos e os super poderosos ― apanhei ele olhando-me com curiosidade.
– O quê?
– Nada, eu sou estou um pouco curioso, você não é fácil de decifrar. És filha do Lucan e sentes náuseas ao ver ou cheirar sangue! Isto é no mínimo estranho.
– Não é estranho! — Retruquei, — eu só não gosto de sangue, algum problema com isso? E meu nome é Le-i-la, Leila Lucan, apanhou? — Minha voz estava um pouco alterada, ele levantou as mãos para cima em sinal de paz.
– Calma! Minha pequena loba tem garras hein, não quis provocar, você é um quebra-cabeças. Primeiro, você não se transforma em um lobisomem para se defender e oportunidade não faltou, não invente desculpas porque eu já lutei com muitos lobisomens e sei que eles têm mais força na sua forma lupina. Segundo, você não gosta de sangue humano, aliás odeia até ao ponto de sentir náuseas. Agora me diga se isto é ou não é curioso; Eu me pergunto, o porquê disto tudo?
Para dizer a verdade não tinha uma resposta palpável para dar-lhe que não revelasse muito da minha história pessoal, optei por ser fria.
– Não é da sua conta!
Logo em seguida ouvimos alguém batendo a porta, no seguinte segundo o mordomo entrou. Agora sem dúvida eles compartilhavam conexão telepática. Mas desta vez ele trazia comida, comida de verdade. A bandeja estava recheada ― com sumo de laranja, salada, batatas fritas e um mega hambúrguer ― que saudades de comida de verdade. Ah, suspirei mentalmente de prazer. Pela primeira vez o mordomo falou e eu estava certa, ele tinha exactamente a voz que projectei para ele, típico sotaque refinado feito vinho antigo.
– Desculpe senhorita… Lucan, perdoe-me por não ter trazido algo mais sustentável, mas… digamos que a sua visita foi inesperada e…
Nem queria mais ouvir o que o mordomo dizia, meu estômago roncou ao ver comida. Todo aquele banquete era melhor que nada, quase arranquei a bandeja dos braços dele.
– Está de bom tamanho.
Começai a comer feito uma louca, isto que dava deixar um lobisomem com fome. Quando estava no fim notei que o vampiro reparava-me com um sorriso estranho nos lábios que podia até ser classificado como cómico.
– O que foi? — Perguntei desconfiada.
– Nada, é que és muito engraçada quando comes. — Sorri retribuindo seu sorriso, dei-me conta que o mordomo já tinha ido e eu nem tinha notado.
– Queres mais alguma coisa?
– Acho que não, por agora meu estômago está satisfeito. Mas espera aí. Bem que um sorvete como sobremesa não cairia mal. — Falei num tom brincalhão fazendo ele revirar os olhos.
– Sorvete?! Bem, realmente és surpreendente. Uma lobisomem que gosta de sorvete. — Disse ele mais para si que para mim. Pensativo, apoiando seu queixo na mão. — Este sequestro está-me custando muito caro, acho que vou te devolver a seu pai, você é muito exigente. — Disse ele num tom de brincadeira que me fez gargalhar, estávamos cada vez mais a ficar mais a vontade um com o outro. Decide devolver no mesmo tom brincalhão.
– Quem mandou você sequestrar Leila Lucan. Agora aguenta.
Ele lançou uma leve gargalhada e respondeu. — Vou cobrar ao seu pai a factura. — De repente ficou sério, meu coração neste momento congelou. O que será que se passa agora?
– Leila, você não respondeu minha pergunta. Onde está sua aliança de casamento?
– Casamento?! Você ficou louco? Eu ainda sou muito jovem para casar! Tenho apenas vinte e dois anos e uma longa vida pela frente, quer dizer eternidade.
Ele fechou os olhos e respirou fundo, será possível? Ele estava aliviado por eu não ser casada! Não pude suprimir, esbocei um sorriso, talvez, mas talvez… lá no fundo existisse uma esperança para nós.
– Você tem um sorriso lindo.
Acanhei–me, baixando o olhar envergonhada. Mas não mais que ele, ai, ai, as vezes ele poderia ser um anjo, mas das trevas.
– Bem, eu pensei que já estivesses casada, nos meus tempos uma garota da sua idade, ainda por cima loba e bonita já deveria estar casada e com filhos.
Ele realmente tinha-me chamado de bonita. Mas a parte dos filhos, cruzes!
– Os tempos mudaram. E os costumes também. Vamos parar de falar de mim, eu não sei nada sobre você, acredita que nem seu nome sei. Estou farta de te chamar “vampiro”, você tem nome não tem? Me fale de te. De que tempo és?
Ele voltou a ficar sério de novo, mas desta vez mais sério ainda. Tentei lembrar de cada palavra que havia dito para ver se tinha lhe ofendido de alguma forma, mas nada, eu só lancei algumas piadinhas que tenho certeza de que ele gostou.
Finalmente ele abriu a boca depois de alguns segundos de silêncio ― que estavam matando-me ― sua voz estava mais séria que nunca, voltou a ser aquele vampiro das trevas que matava humanos sem um pingo de remorso, aquele que eu tinha conhecido naquele beco.
– Leila Lucan, eu sou Victor Grendel. Chefe do clã Grendel. Tenho a certeza que já ouviste muito falar do nosso clã. Sou um dos vampiros mais velhos e poderosos dos tempos.
Sem perceber levantei-me da cama com a boca aberta. Por isso que ele ficou sério quando lhe perguntei “quem ele era?” Victor! Victor Grendel!? O inimigo número um do meu clã, os Lucan.
Eles estavam no top da nossa lista negra, o clã Grendel ― os vampiros. Este relacionamento que mal tinha começado já estava amaldiçoado. Nunca ia dar certo. Adeus ao meu final feliz.
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