O Titã Obscuro
2 Surge um novo herói
Era noite em São Paulo, e fazia muito frio. Cristine, uma jovem de 22 anos, decidira sair para a danceteria para esquentar um pouco com seus amigos, afinal, para a moça não havia nada melhor do que uma boa dança para se animar.
Ela era baixa, e tinha cabelos longos e pretos, que acompanhavam todas as curvas de seu corpo até sua cintura. Fazia faculdade de economia, e não trabalhava. Morava ainda com sua mãe e era solteira.
Chegara ao salão um pouco antes de abrir, portanto fora tomar café em um barzinho ali perto. Sentou-se em seu local de costume, em um banquinho frente ao balcão, e, logo após pedir seu café, notou um jovem rapaz que nunca vira por ali antes.
O rapaz tinha olhos azuis como os mais límpidos mares que já vira. Teus cabelos eram escuros e encaracolados. Vestia uma camisa havaiana, uma bermuda, e calçava sandálias. Ninguém ali parecia notar a sutil presença do moço, que tomava apenas um copo de água, no canto do bar.
Ao perceber o olhar persistente de Cristine, o jovem aproximou-se dela, a fim de puxar um assunto:
– Olá, como a senhora se chama? – começou o rapaz.
– Hann, Cristine...
– Belo nome Cristine..
– Pode me chamar de Cris se você quiser!
–Ok então, Cris, — o jovem sorriu pela primeira vez. — O que você, uma dama, faz a essas horas sozinha na rua?
– Oh, eu, eu vim dançar!!
– Dançar??
–Sim, na danceteria aqui do lado... Você gostaria de ir também??
Poseidon hesitou, porém acabou por concordar, afinal, que mal faria?..
A festa estava acabando e a noite nunca fora tão animada para Cris. O jovem que conhecera dançava desajeitosamente, fazendo-a rir toda vez que dele lembrava e dando a ele o apelido de Pé-de-Atum:
– Afinal, ainda não sei seu nome – disse a garota entre uma música e outra.
– Creio que Pé — de — Atum não seja tão ruim, mas se quer mesmo saber... Você conhece algum lugar onde possamos conversar em paz?
Cris pensou imediatamente em sua casa, que estava vazia, já que sua mãe fora sair com os amigos, dizendo a ela que voltaria bem tarde. “Não, não posso” pensou a garota “não posso levar um rapaz até então desconhecido para casa, mamãe me mataria!! Direi que não, e irei embora, não, não, não...”
– Sim!!- Surpreendeu-se Cris — Você gostaria de ir a minha casa?
– Claro!! – Não pensou duas vezes o velho deus.
Chegando ao pequeno apartamento, Cris indicou ao rapaz a sala, enquanto terminava de trancar a fechadura. Ao chegar ao local que fora indicado ao garoto, a menina hesitou, por conta de um barulho vindo do fim do corredor, no quarto de sua mãe:
– Heeey, é você?? O que está fazendo aí?
– Venha cá para saber..
– Ahh tenha dó!! Eu nem te conheço, nem ao menos sei teu nome!!
– Me chame de Poseidon...
....
Nove meses se passaram e Cristine jazia sobre uma cama, assistindo à TV, enquanto a enfermeira regava as flores que ali sua mãe havia deixado.
– É um belo dia para seu filho nascer senhora. – Puxou assunto a enfermeira – O sol brilha, porém há uma brisa leve e refrescante lá fora.
– Ora, não criemos falsas esperanças Darlene – Disse a moça, que esperava por teu filho.
– O médico disse que tinha grandes chances do bebê nascer por esses dias...
– De qualquer forma,...
– Senhora? – Interrompeu outra enfermeira, que entrava pelo pequeno quarto em passos apertados.
– Sim?
– Isto aqui é para você, fora deixado hoje cedo, porém ninguém sabe quem será o remetente.
E assim, a enfermeira que acabara de entrar, retirou de dentro de seu bolso, uma carta inteiramente branca. Ao recebê-la, notou letras curvas e extremamente caprichadas, escritas a tinta azul. À frente da carta, lia-se apenas o nome da moça, e o endereço da maternidade em que encontrava. Ao abrir, havia escrito:
“ 11 de fevereiro de 1998
Cris,
Sei que te abandonei em uma fase de extrema importância, e sei que não tão fácil irás me perdoar. Eu relamente te amo Cris, porém, nosso amor fora um amor errado. Arrependo-me sempre de ter feito o que fiz, e você bem sabe o porquê.
Peço-te apenas que não deixe, de forma alguma, que nosso filho descubra quem sou. Eu sei, dói em mim, porém é o preço que tenho que pagar....
Sinto-lhe mais uma vez não poder estar aí com você! Eu te amo Cris,
Com amor,
Pé — de – atum”
Ao terminar de ler, Cris sorriu, e limpou as últimas lágrimas que escorriam por tua face...
....
As horas passavam, e Cris ao menos mudava de posição. Ficou ali, perante muito tempo, pensando em Poseidon. Estava pensando nele, inclusive, às 19h00min daquele mesmo dia, quando começou a sentir as primeiras dores.
E foi assim, as 21h30min, que, naquele mesmo quarto, as janelas se abriram com a força da chuva que reinava lá fora, e, ali dentro, um novo som podia se distinguir entre as grossas vozes dos adultos. Era algo entre um grito, e um gemido, que possuía um timbre inocente e frágil em sua voz. Era o filho de Cris, que acabara de nascer.
....
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