Notas iniciais
Obrigada por apoio e incentivo, vocês são demais. Espero que gostem desse cap. XO

– Você o quê?! – Perguntava Ren pela que me parecia ser a centésima vez.

– Senti a presença de Kishan. – Repeti. – Simplesmente fechei os olhos e senti que ele estava aqui. Não foi propositalmente, mas quando abri os olhos, Kishan havia acordado. Talvez tenha sido só uma coincidência temporal, afinal, Kishan poderia muito bem ter acordado sozinho na mesma hora em que senti sua presença. Talvez nada disso tenha... ligação.

Eu evitava olhar para Kishan. Era constrangedor falar que eu sentira sua presença.

Kishan, por outro lado, me encarava. Ele sabia de algo. Eu só torcia para ele não ter escutado a conversa – que estava mais para um monólogo — sobre a nossa suposta ligação, quando Kishan estava desacordado.

– Não – Protestou Kells. – Talvez tudo isso tenha sim alguma relação. Algo que aprendi com essa maldição, foi que tudo na vida possui um significado e toda ação tem um peso maior nessa missão, Durga deixou isso bem explicito. Não poderia ser coincidência.

Kells havia me contado sobre sua primeira missão com Ren, os quais encontraram uma Deusa Indiana chamada Durga. Isso rendera aos meninos seis horas em que poderiam utilizar sua forma humana, quando antes só possuíam vinte minutos.

– Conversei com Senhor Kadam. – Disse Ren, interrompendo o silêncio.

Kells se voltou para Ren instantaneamente, aguardado mais informações.

– Ele quer que voltemos para a Índia, pensa que toda essa situação de Kishan pode ter relação com a maldição. E mesmo que não tiver, Lokesh vai querer explorá-la a seu favor.

– Quando iremos? – Perguntou Kishan.

– Amanhã de manhã, Sr. Kadam não quer perder tempo. – Disse Ren.

– Boa sorte pra vocês, pessoal. – Desejei.

Ren olhou para Kishan e um entendimento silencioso entre ambos se estabeleceu ali.

– Quem disse que você não irá precisar de sorte também, Liz? – Disse Kishan. – Você vai conosco.

Kelsey me lançou um meio sorriso, deveria ser óbvio pra ela que eu teria de ir para Índia também.

– Pessoal, eu não tenho nada a ver com essa história. Não que eu não queira ajudar nem nada, mas o que eu faria na Índia? – Indaguei.

– Você não tinha nada a ver antes de ter conseguido acordar Kishan, mas agora tem. Sr. Kadam suspeita que você possa ser uma, digamos... chave, para quebrar a maldição. Assim como Kells. Seria muito importante se você fosse à Índia conosco, mas nós também entenderíamos se não quiser ir.

Era uma decisão difícil que não tinha um caminho óbvio a se seguir. Me remexi na cadeira, desconfortável com a situação.

– Mas o que direi à minha família? Eu não quero fugir e simplesmente desaparecer. Não é justo. – Eu disse.

– Não se preocupe, Liz. – Disse Kells. – O Sr. Kadam sempre cuida de tudo, ele é bem perfeccionista, então sua família vai estar ciente de que você vai viajar para a Índia, mas vão pensar que você ganhou uma bolsa de estudos por lá ou que vai fazer algum estágio.

Relaxei os ombros no mesmo instante, enganar minha família não era uma opção válida para mim. É claro que eu ainda estaria mentindo parcialmente, mas pelo menos saberiam onde eu estava e poderíamos manter contato.

Suspirei.

– Então é isso. – Decidi-me . – Parece que vamos para a Índia!

~*~

Ao chegarmos numa espécie de aeroporto particular, reparei que um avião privado esperava por nós. Eu me esquecia que Kishan e Ren eram extremamente ricos, era estranho porque pra mim os dois eram dois garotos de vinte e poucos anos normais que não poderiam comprar jatinhos particulares.

Uma garota indiana muito bonita nos recebeu e nos levou até o interior da aeronave.

– Fiquem à vontade. – Disse ela, sorrindo docemente.

Sentamos em assentos de couro macios e confortáveis, o que me fez querer dormir novamente, já que eram quase seis horas da manhã. Eu simplesmente não dormira a noite inteira, meus pensamentos não se calavam. Expectativas se embolavam na boca de meu estômago. Coisas como: O que aconteceria comigo? E com a maldição dos meninos?

O motor do avião começara a roncar e correr pela pista de voo em direção ao horizonte, até que começou a subir cada vez mais. Eu amava a sensação de voar.

Olhei para o assento em que Kells estava. Suas unhas agarravam as laterais das poltronas de couro, quase perfurando-as. Ela fechou os olhos e respirou fundo, agarrando a lateral da poltrona com mais força, se é que fosse possível. Obviamente Kells detestava aviões.

Ren se transformou em tigre e pousou a cabeça no colo de Kells, fazendo com que ela soltasse as laterais da poltrona, que por sua vez, passou a segurar com força os pelos branco de tigre de Ren.

~*~

A viagem terminou bem, não houve turbulências, almoçamos um delicioso curry verde tailandês e eu praticamente dormi em todo o trajeto, até Kishan me acordar.

– Olá dorminhoca, chegamos na Índia. – Sussurrou ele.

Encarei o corredor que ficava entre as poltronas e vi que Ren e Kelsey não estavam mais ali, eu precisava me apressar.

Kishan estendeu a mão e eu a tomei. Ele me ajudou a levantar, já que eu estava muito sonolenta e com os olhos praticamente fechados ainda.

– Obrigada. – Agradeci, com a voz rouca de quem acaba de acordar.

– Toma aqui. – Kishan disse, me oferecendo um copo d’agua. – Beba.

Bebi o copo em grandes goleadas, sentindo minha garganta me agradecer por ingerir um pouco de líquido.

– Vamos? – Eu disse.

Andamos pelo corredor até encontrarmos uma pequena escada que levava até ao chão de um aeroporto particular. Ao chegar na porta de saída, parei e senti o vento da Índia roçar meu rosto. Era uma brisa diferente da que eu sempre estava costumada, essa era doce e calma.

Senti algo em minhas costas e olhei para trás, peguei Kishan me analizando.

– São outros ares aqui, não? – Perguntou ele.

Assenti, concordando.

– Tudo parece mais calmo e de alguma forma inexplicável, doce. – Eu disse.

Ele sorriu compreensivo.

Me virei e desci as escadas em direção ao novo rumo do meu destino, sob um céu cheio de estrelas brilhantes que me diziam para ter esperança. Inspirei, enchendo o meus pulmões com o doce ar indiano.

– Olá senhorita Elizabeth. Sou o Senhor Kadam, prazer em conhecê-la. – Apresentou-se um senhor de terno caro e elegante o qual aparentava ter cinquenta anos.

Apertei a mão estendida de Sr. Kadan.

– Muito prazer em conhece-lo também, Sr. Kadam.

– Bom vocês devem estar cansados da viagem, então, vamos logo para a casa! – Sr. Kadam entrou em um carro grande que caberia facilmente nós cinco dentro.

Pelo caminho, eu tentava observar as casas, as pessoas, tudo o que minha mente pudesse absorver. Vi uma feira livre que vendia frutas e legumes frescas e desejei que existissem feiras assim no Oregon. O clima era algo que merece ter destaque também, um clima quente porém agradável pelas brisas frescas.

Depois de quase meia hora de estrada, Sr. Kadam anunciou que havíamos chegado à casa dos meninos.

Olhei pela janela e, como dizem por aí, meu queixo caiu.

A casa era magnífica, simplesmente maravilhosa.

As paredes eram altas e em cor de creme, as janelas iam do chão até quase chegarem ao teto.

Uma linda iluminação adornava a casa, deixando um aspecto sofisticado.

Tinham muitos outros detalhes, a fonte, a piscina, a varanda da casa... a vista dali de cima deveria ser demais, imaginei se teria a chance de conferir isso.

~*~

Se o exterior da casa era magnífico, o interior era de tirar o fôlego. A decoração era impecável.

Sr. Kadam pediu para que Kelsey me levasse até a um quarto em especial, a qual ela sabia onde era. Kells me guiara escada a cima e indicara um dos quartos de um longo e bem iluminado corredor.

– É aqui Liz, — Indicou Kells. – Se quiser falar comigo, estou nesse quarto aqui. Á esquerda do seu, okay? Boa noite.

– Obrigada Kells, boa noite.

Girei a maçaneta da porta e empurrei-a.

Que quarto lindo!

A cama era enorme, a decoração era simples e clara e as janelas do quarto iam do chão até mais da metade da parede, depois dela, uma enorme varanda estava disposta ali.

Tirei meus sapatos e coloquei meus pés no chão frio de mármore.

Corri até a janela e empurrei seu vidro, abrindo espaço, corri até a varanda até dar de encontro com um pequeno muro, o limite da varanda.

Contemplei a vista dali. Pequenas luzes da cidade enfeitavam o horizonte.

Suspirei, contente.

– Olá, Índia. – Cumprimentei baixinho.

Notas finais
Obrigada por ler, se gostou ou não, comente aí! Bjs