Notas iniciais
Mais um cap saindo do forno!! Aproveitem XOXO

Sr. Kadan, Kelsey e Ren me encaravam, incrédulos.

Esperei alguém mandar me prender, me xingar, me dizer que estava decepcionado comigo ou que nunca mais falaria comigo. Mas ninguém falou nada. Ninguém reagiu como Kishan fez, todos ficaram em silêncio, absorvendo a notícia que eu acabara de contar.

Ren foi o primeiro a se manifestar:

– Então, se Yesubai foi sua irmã mais nova porque é que você não foi a princesa prometida para mim?

Kelsey deu uma cotovelada na barriga de Ren, reclamando:

– Ei!

– O que é? Sempre são as irmãs mais velhas as prometidas aos príncipes.

Eu quis rir da situação entre Kelsey e Ren, os dois conseguiam ser engraçados até nessas horas extremas. No entanto, eu tinha que manter na minha mente que eu era a vilã ali, não poderia ser mais amiga deles e mesmo que eu quisesse meu pai arruinara suas vidas.

– Meu pai me escondeu e fingiu que só tinha Yesubai como filha. – respondi em um tom neutro – Eu era teimosa e não queria fazer essas baboseiras de casamento arranjado, quando comecei a dar muitos problemas, meu pai me escondeu.

– Faz sentido – Ren murmurou.

Sr. Kadan ainda estava pensativo, como se estivesse analisando as peças de um quebra cabeça um a um antes de encaixá-los.

– Vocês não estão com raiva de mim? – perguntei – Não vão me apedrejar ou me perseguir com focados e tochas?

– Claro que não – Kelsey disse, sorrindo -, mesmo que a ideia pareça boa, você não é a vilã aqui, seu pai é. Ele te manipulou para sentir raiva de Kishan, disse que ele matou Yesubai cruelmente e você mesma percebeu que tudo isso era mentira e desistiu de matar Kishan. Você tirou suas próprias conclusões no final.

Sr. Kadan se sentou numa poltrona de couro marrom escura e pensativo, apontou para frente.

– Quem é o jovem? – perguntou.

Eu e Kishan nos viramos para trás.

No parapeito da janela, uma silhueta escura estava apoiada no vidro.

Kishan correu e abriu a janela, permitindo que a pessoa adentrasse o cômodo, ele murmurou algo para a pessoa, a qual assentiu levemente.

– Este é Manik – Apresentou Kishan à todos – Um velho amigo de Liz e um dos ajudantes de Lokesh.

Manik abaixou o capuz e sorriu, dando uma ligeira piscadela na minha direção.

– Muito prazer.

– Eu o convenci a ficar do nosso lado – Kishan anunciou –, ele vai nos ajudar em troca de que procuremos sua família.

– Essa – manifestou-se Sr. Kadan -, parece ser uma tarefa interessante.

– O senhor poderia...

– Claro – interrompeu o Sr. Kadan – ajudarei sem hesitar.

– Obrigado senhor – disse Manik, parecendo eternamente grato.

Ren deu um passo a frente, desconfiado.

– Como podemos saber se ele é confiável?

Manik riu amargamente e disse:

– Eu cansei de servir à Lokesh todo esse tempo. Ele prometeu encontrar minha família em troca de serviços, mas até hoje só me enganou. Disse que Liz tinha saído para procurá-los na América mas agora que a gente se encontrou, Liz disse que não sabia nada disso. Lokesh é um manipulador e enganou muitos, devemos impedi-lo.

Kishan sorriu e deu um tapinha nas costas de Manik.

Desde quando os dois eram amigos?

– Relaxa, irmão – disse Kishan – Manik é confiável.

Uma troca de olhares quase mortal se estabeleceu entre Kisha e Ren, como se os irmãos estivessem prestes a se transformarem em tigres e lutarem entre si. Felizmente, Sr. Kadan se levantou e disse que prepararia o jantar o que fez o clima estranho acabar num piscar de olhos.

Kishan e Ren poderiam centenas de anos mas ainda assim eram crianças se comparados ao Sr. Kadan. Era uma cena divertida de se ver.

Fomos todos aos nossos respectivos quartos, inclusive Manik, que ficara com um dos vários quartos de hóspedes da casa.

Quando entrei no meu quarto quis deitar naquela cama macia cheia de travesseiros e colchas limpas que parecia mais confortável agora do que nunca esteve, mas antes um banho seria necessário. Eu cheirava à água seca de cachoeira, se é que esse cheiro realmente exista.

Tomei um banho de banheira, colocando sais de banho de cerejeira no fundo da banheira e enchendo-a com água quente, mergulhar nela com certeza acalmou meus nervos, fazendo com que eu me esquecesse dos meus problemas por pelo menos algum tempo.

Quando saí do banheiro, avistei algo em cima da minha cama.

Um papel, mais especificamente um recado.

REUNIÃO NA VARANDA DA KELSEY ANTES DO JANTAR!!

Após ler o recado, mil coisas se passaram pela minha cabeça.

O que queriam conversar? Uma reunião?

Amarrei meu cabelo em um coque no topo da cabeça e me dirigi à minha varanda, que ficava ao lado da de Kelsey. Abri a porta de ligação entre as varandas e me deparei com um grupo me encarando.

Kelsey, Ren, Kishan e Manik.

– Está atrasada, bilauta – disse Kishan.

– Não se esqueça que eu falo hindi, Kishan.

– Eu não me esqueci mesmo, bilauta.

Manik se sentou, reclamando:

– Vocês dois poderiam parar de flertar? Por favor, temos uma reunião importante aqui.

– Eu não estava flertando... – comecei.

Percebi que Kelsey riu baixinho enquanto senti minhas bochechas corarem.

Kishan piscou para mim e se sentou. Aproveitei e me sentei também no único espaço disponível que era bem entre Kishan e Manik.

– Tudo bem – eu disse – que tipo de reunião é essa?

– O tipo esclarecedora – Kells respondeu.

– Ou o tipo que nos faça planejar o que vêm agora, o que devemos fazer em seguida – sugeriu Ren.

– Derrotar Lokesh seria uma boa – Manik disse sorrindo.

– Vocês acham que Lokesh sabe da recente união de vocês a nós? – Kells perguntou franzindo a testa de preocupação.

– Lokesh sabe que Liz não conseguiu matar Kishan – esclareceu Manik.

Um pequeno murmurinho se estabilizou entre Kells, Ren e Manik.

Nesse momento evitei ao máximo encarar os outros ao meu redor, Manik nunca media palavras, droga!

Parecia que mais algumas toneladas de chumbo haviam sido depositadas na minha consciência. Kishan nunca me perdoaria por eu ter pensado em mata-lo, apesar de ele estar agindo como se nada disso tivesse acontecido, eu sabia que ele estava machucado por dentro e a culpa era inteiramente minha.

Encarei o chão branco de mármore e me concentrei em seus detalhes, inúmeras veias acinzentadas e marrons iam e vinham por todas as partes do piso branco.

De repente, senti algo tocar minha mão esquerda. Algo que ao contrário do mármore frio do chão, era quente.

Me virei e me deparei com Kishan sorrindo carinhosamente. Sua mão sobre a minha.

– Não precisa se culpar – murmurou ele – eu já estive no seu lugar e fiz quase a mesma coisa com meu próprio irmão. Eu estava nervoso antes e por isso disse tudo aquilo mas relaxa que também não sou nenhum hipócrita que vai te julgar injustamente.

Não consegui segurar o suspiro de alívio e o riso nervoso.

– É Tigre, parece que temos algumas coisas para superarmos juntos – sussurrei.

– Isso quer dizer que temos que passar mais tempo juntos, eu suponho.

– De fato, seria inevitável de qualquer maneira, não acha?

Kishan assentiu com um sorriso de satisfação pendendo dos lábios.

Voltei minha atenção à reunião do grupo. Mesmo que estivéssemos nos reunindo por causa de uma situação perigosa e extrema, eu me sentia segura nesse meio.

Um tigre negro, um tigre branco, uma salvadora, um ladrão e eu, a primogênita de Lokesh.

Era no mínimo, uma equipe muito peculiar.

Notas finais
O que acharam desse capítulo? Deixem reviews se gostarem ou não. Sugestões também serão muito bem-vindas :D