O Tesouro De Arnold

1 Capítulo 1 - Prólogo


“.Apenas um dia sem seu toque já era é o suficiente para que ele percebe-se que a dor da saudade era maior do que qualquer dor sentida por outro sentimento em sua vida inteira. Ele não sabia o quanto a saudade doía.”

Juliet partiu desse mundo por conta do acaso, ou como Arnold preferia acreditar: pelo destino dado a ela por Deus. Arnold não acreditou no barulho de colisão que se espalhou por toda rua e se alastrou por dentre as casas da pequena província de Woodhigh, tampouco, quando olhou, acreditou que fosse mesmo sua doce Juliet estirada na estrada com os seus grandes olhos negros e sua vida se esvaindo de seu corpo naqueles últimos momentos de sua existência em terra. Ela morreu olhando fixamente para Arnold, tão fixamente que parecia que tal estava depositando toda a culpa em Arnold, por não estar ali, por não estar lá para segurar sua mão, por não protege-la naquele momento.

Foi em uma tarde qualquer no inverno do ano de 1975 em que Arnold percebeu que podia até viver sem o amor de sua vida, mas, que, no entanto, sua vida não iria fazer sentido a partir dali.

Pobre Arnold, “– por que ela teve que partir tão bruscamente?” – Ele se perguntava. – Ninguém sabe as razões pelas quais Deus levou-a de seus braços, ninguém sabe o quanto Arnold iria sofrer dali em diante sem ter sua amada do seu lado por todas as manhãs, todas as tardes e noites de sua, então, ignóbil existência.

“ – O que será de mim nas noites frias de inverno?” Inverno que só a doce e delicada Juliet conseguia tonar mais quente para seu amado com pequenos gestos, que, para qualquer um, pareceriam bobos. Tais como: preparar uma xícara de café e leva-lo à Arnold, e, então, botar uma pequena folha de hortelã encima da espuma da parte de cima do café, que era consequente do bicarbonato que Juliet punha no café para ficar mais “suave”, como ela mesmo dizia. Arnold, no entanto, sempre achará que o Bicarbonato, na verdade, fosse mais um veneno, e, que na verdade, o que dava tal gosto suave ao café eram as mãos que o faziam, as mãos de sua amada. Os dois gostavam de ficar – ombro a ombro no inverno –. Era como ela e ele costumavam ficar em frente à lareira da sala de star, conversando, brincando e tomando café nas tardes frias de um inverno rigoroso que só se era possível se encontrar em Woodhigh naquela época do ano.

Enquanto Arnold estava ao caminho do supermercado para fazer as compras da semana, ligou o rádio, na esperança de ouvir uma boa música que o fizesse esquercer a dor de ser sem Juliet. Mesmo que tenha se passado apenas um mês, Arnold sentia como se Juliet tivesse partido há mais de uma década de sua vida.

Ao passar pelas estações de rádio, Arnold depara-se com uma melodia tão linda que lhe fazia lembrar de toda a dor que sentiu até então, e, também, de bons tempos que passou ao lado de Juliet. A música Wish You Were Here de um grupo formado há 10 anos em Cambridge, Inglaterra; chamado de Pink Floyd lhe deixaram alividados por exatamente quatro minutos e cinquenta e sete segundos, tempo que lhe sobrará depois de achar tal em uma estação de rádio. A música, que tinha como letra:



Wish You Were Here – Pink Floyd

“So,

So you think you can tell

Heaven from Hell,

Blue skies from pain

Can you tell a green field

From a cold steel rail?

A smile from a veil?

Do you think you can tell?



Did they get you to trade

Your heroes for ghosts?

Hot ashes for trees?

Hot air for a cool breeze?

Cold comfort for change?

Did you exchange

A walk on part in the war

For a lead role in a cage?



How I wish, how I wish you were here

We're just two lost souls

Swimming in a fish bowl,

Year after year,

Running over the same old ground.

What have we found?

The same old fears

Wish you were here”

A letra refletia exatamente tudo o que Arnold sentia, tais trechos lhe tocavam fundo:



“Você acha que pode diferenciar um sorriso do véu?”



“Lhe fizeram trocar seu belconforto por mudanças?



“Lhe fizeram trocar árvores por cinzas?”



“Como eu desejei, como eu desejei que você estivesse aqui

Nós somos apenas duas almas perdidas

Nadando no mesmo aquário

Ano após ano

Correndo no mesmo velho chão

O que nós achamos?

Os mesmos velhos medos.

Como eu desejei você aqui.”

Aquela música fez Arnold lembrar de todos os momentos pós morte de Juliet, quando durante 20 longos dias, Arnold acordava pela manhã procurando Juliet pela casa, achando que o acidente forá apenas um pesadelo e que sua amada ainda estava viva, mas que acordou cedo e estava na cozinha, preparando o café.

Arnold quase enlouqueceu depois da morte de sua amada.

Ele andava por todos os lugares que ambos frequentavam à procura de Juliet, tentava escrever-lhe bilhetes que deixava sempre ao seu lado na cama, para que Juliet os lê-se, e, talvez respondesse. Normalmente, os bilhetes diziam:

“Querida Juliet, fui dormir mais cedo, por isso, talvez não o veja deitar para dormir, no entanto, também não lhe vejo pela manhã, antes de você sair de casa. Logo, peço-lhe que ao ler tal bilhete, deixe-me um bilhete de resposta abaixo do abajour ao seu lado da cama.

Com afeto e amor, Arnold.”

Foi muito difícil para Arnold aceitar a morte de sua amada, já que ele não tinha amigos na cidade, pois, nunca concordou com o idealismo machista dos habitantes do gênero masculino de Woodhigh e nem com a submissão das moças, dentre outras coisas.

"Amar é dar o poder de destruir você para alguém e essa pessoa não usar."

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.