O Terceiro Feitiço
13 13º Capítulo
Notas iniciais
POV ELLIE (Storybrooke, 2014)
Eu havia acabado de sair da loja do tio Rumple antes de sermos atacadas pela Ingrid no nosso quarto na Granny’s e descobrirmos que ela tinha forjado nosso assassinato brutal. Quando entrei na loja, o cheiro de velharias foi tão familiar que eu quase comecei a chorar. Ele tinha Belle para arrumar a loja e ajudar nas vendas, mas ela estava bem ocupada na livraria, então a minha presença era bem-vinda. Depois de levar neve na cara e convencer a tia Emma da nossa história, lá estava eu, a caminho da loja de penhores do Mr. Gold, acompanhada da Liv e da tia Emma. A placa de “fechado” na parte de dentro da porta de vidro não convenceu nenhuma de nós. Aquela loja nunca ficava realmente fechada.
– Mr. Gold, sabemos que você está aí – gritou Emma – precisamos conversar. É urgente!
Eu quase não segurei o riso quando ele veio da parte de dentro da loja, com um roupão e pantufas. Quando ele nos viu, revirou os olhos e voltou para a parte de dentro, aparecendo alguns minutos depois com seu paletó habitual.
– Emma Swan. Surpresa agradável, porém inconveniente – disse ele – entrem.
Nós três entramos na loja e o seguimos até o balcão, onde ele costumava atender os clientes. Olhei para Liv, que parecia meio apreensiva com a história toda. Ela nunca foi muito fã do tio Rumple (e quem pode culpá-la), então apertei sua mão, encorajando-a.
– Gold, o que você sabe sobre portais para o passado? – perguntou tia Emma.
– Devo saber alguma coisa, mas primeiro preciso saber o que diabos está acontecendo aqui – disse ele, com sua calma habitual. Eu respirei fundo, soltando a mão da minha irmã para mostrar o pingente de adaga na minha pulseira.
– Acredite, Mr. Gold, é uma longa história.
Depois de contarmos tudo ao tio Rumple, ele ficou calado pelo que pareceu uma eternidade.
– E então? O senhor pode nos ajudar? – perguntou Liv. Ele olhou para nós, parecendo um pouco apreensivo.
– Sinto muito, meninas, mas não há nada que eu possa fazer. Nem vocês. Se desejam voltar para casa, vocês vão ter que esperar.
– Esperar o quê? – eu perguntei. Mas que droga.
– Esse tipo de portal o tempo é diferente, só existem duas formas de voltar ao seu lugar de origem se esse feitiço foi lançado sobre você. A primeira é através da pessoa que jogou o feitiço, o que obviamente não vai acontecer – disse ele – e a segunda é esperando. Vocês terão que ficar aqui até o momento do seu futuro nascimento.
Oi?
– Então nós vamos ter que ficar aqui pela gravidez inteira da mamãe até o dia do nosso nascimento? – perguntou Liv, parecendo tão confusa quanto eu.
– Considerando como as coisas estão indo entre os pais de vocês, não vai demorar muito – disse ele, de forma sarcástica.
– O quê nós vamos fazer? – eu perguntei, olhando para a tia Emma, que deu um sorriso.
– Bem, eu acho que os meus pais tem lugar para mais duas – disse ela.
– A senhora acha que devemos contar para eles? – perguntou Liv.
– Nós vamos precisar de toda ajuda possível para deter a Ingrid. É melhor que eles saibam — falou tio Rumple, e Emma assentiu, concordando.
– Vamos, vocês tem muita coisa para conversar com os meus pais – disse tia Emma. Ela e Liv saíram da frente, mas tio Rumple me chamou quando eu ia passar pela porta.
– Eleanor?
– Sim? – eu disse, distraída. Ele se abaixou para pegar algo de dentro do balcão. Era uma caixa quadrada em veludo vermelho. Ele fez sinal para que eu me aproximasse e saiu de trás do balcão, ficando de frente para mim. Dentro da caixa havia um pequeno boneco de palha, que eu reconheci como sendo o brinquedo de infância do meu padrinho.
– Eu joguei ele num penhasco em Neverland, mas de alguma forma ele voltou para mim. Acredito que tenha propriedades mágicas... diria até que é um amuleto da sorte. É seu agora.
– Eu me lembro... – eu disse – mas porquê o senhor está me dando ele?
– Eu acabei de descobrir que sou seu padrinho e sou o homem mais rico da cidade. Achei que você merecia um presente, e de onde saiu esse virão mais – disse ele, com um sorriso debochado. Eu sorri de volta, sabendo que aquele era seu jeito seco de desejar “boa sorte”.
– Eu sou a melhor amiga da sua filha, sabia? – eu disse, vendo os olhos dele brilharem quando eu mencionei Colette. Só Deus sabe o quando ele precisava de uma filha depois de perder Bae.
– Minha filha? – disse ele, quase sussurrando. Eu sorri, e dei um abraço nele, mesmo sabendo que ele iria odiar, mas ele não pareceu se importar muito.
– Eu posso falar mais sobre isso com o senhor mais tarde – eu disse, enquanto abria um sorriso – mas claro que essas informações valiosas podem custar alguns presentes...
– Agora eu sei que você é mesmo filha da Regina – disse ele, enquanto eu pegava a caixa e a fechava.
“E minha afilhada” eu ouvi ele murmurar enquanto eu saía da loja a caminho da casa da tia Snow.
–FLASHBACK ON—
– Eu e a senhorita Swan nos juntamos para comprar eles para vocês – disse o padrinho – eu queria ter dado o meu no dia do seu aniversário, mas a colette esqueceu em casa.
– Ele é lindo, tio Rumple! – eu disse, dando um abraço nele.
– É a coisa mais importante para mim, e eu estou dando ela a você – disse ele, enquanto eu prendia a pequena réplica da adaga na minha pulseira.
– Ei, eu não ganho um abraço não? – disse a madrinha, e eu corri para abraçá-la – eu comprei uma coisa para você! – ela abriu um pacote enorme, revelando um passarinho azul de pelúcia em tamanho gigante.
– É do tamanho certo para eu abraçar! – eu disse, agarrando o bichinho de pelúcia – mas os seus abraços são melhores, tia Snow.
Ela me abraçou de novo, enquanto papai nos observava de longe, sorrindo.
–-FLASHBACK OFF--
POV EMMA
Após repetir a história para os meus pais e levar uma gorfada do Neal bem na minha blusa nova, Mary Margaret convidou as meninas para se hospedarem lá, o que eu já previa.
– Então, meninas, como é o futuro? – perguntou David, sorrindo.
– É meio diferente, claro, mas é bem mais calmo – disse Olivia – as rixas entre vocês ficaram para trás. Acho que pode-se dizer que vocês todos encontraram o final feliz...
– Até aquele protótipo de freezer resolver perturbar o equilíbrio das vidas de todo mundo, de novo – terminou Eleanor – mas o que é a vida sem um pouco de conflito, certo?
– Certo – disse Mary Marg-minha mãe, com um pequeno sorriso. Ninguém sabia sobre conflito mais do que ela, com certeza. Ela olhou para Eleanor – então quer dizer que eu sou sua madrinha?
– Pois é, quem diria – falou Eleanor, rindo – mas você e a mamãe se dão incrivelmente bem no futuro. Você ainda tem receio de ingerir qualquer coisa que ela faça envolvendo maçãs, mas isso são detalhes. Ah, e o papai, tio David e tio Killian saem o tempo todo juntos.
– Eu, saindo com o pirata? Não quero duvidar da história de vocês, mas aí já é exagero – disse meu pai, parecendo meio indignado. Fala sério, o Killian nem é tão ruim assim. As meninas se entreolharam, segurando o riso, mas não disseram mais nada. Sinceramente? O futuro me parecia ótimo.
– O que vocês querem comer, meninas? – perguntou minha mãe, indo até a cozinha.
– Lasanha! – disseram as duas em uníssono. Lembrei das vezes em que Regina fez lasanha para as nossas celebrações na Granny’s e sorri. Elas tinham motivo, a lasanha era o máximo.
– Certo, vou fazer o que posso! – disse minha mãe, rindo. Uma batida um tanto urgente na porta fez o sorriso dela desaparecer – quem será a essa hora?
Meu pai foi até a porta e a abriu. Do outro lado, Regina parecia que tinha visto um fantasma.
– Olá, Charming. Snow – ela disse, acenando com a cabeça e entrando no apartamento. Ela franziu o cenho quando viu as meninas – o que diabos essas duas estão fazendo aqui?
– Hã...e-elas estão com problemas na escola, e como eu sou professora, achei que podia ajudar – disse minha mãe, de forma nem um pouco convincente.
– Elas tem dezoito anos, Snow. Me poupe – disse Regina, revirando os olhos para a péssima atuação da minha mãe — Senhorita Swan, uma palavrinha...em particular?
– Claro – eu disse, me levantando do degrau onde estava sentada. Regina subiu a escada e eu a segui até o quarto onde Henry costumava dormir quando não estava na casa dela. Seria das meninas, por enquanto.
– Aconteceu alguma coisa? Você está pálida – eu disse, preocupada. “E se ela descobriu tudo? Estamos ferrados. Eu devia ter contado...”
– Você deve me prometer que não vai abrir a boca sobre isso para ninguém. Ninguém, ouviu bem? – disse Regina, num tom entre ameaçador e desesperado.
– Você sabe que pode confiar em mim, Regina – eu disse. Ela olhou para mim, com os olhos mais molhados que o normal.
– Emma... eu estou grávida.
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