O Terceiro Feitiço
11 11° Capítulo
Notas iniciais
POV MR. GOLD (STORYBROOKE, 2032)
Estive tentando falar com Regina desde que soube que suas gêmeas haviam desaparecido. Já tinha uma ideia do que poderia ter acontecido, mas nunca pensei que dois dias depois eu estaria em um funeral, fazendo o possível para consolar minha filha. Ela estava abraçada com Belle, com o ursinho amarelo no colo. Mal comia desde que recebeu a notícia, e ás vezes, quando passava pela porta do quarto dela, podia ouvi-la soluçando. Depois que os discursos acabaram, resolvi que devia falar com Regina imediatamente. Dei um beijo no topo da cabeça de Colette e me dirigi ao banco da frente, onde os dois estavam sentados.
– Regina, precisamos conversar – eu disse, sabendo que ela relutaria.
– Agora? Gold, eu...
– Eu sei. Mas é um assunto urgente. Eu tenho quase certeza de que sei quem está por trás disso – os olhos de Regina brilharam com uma mistura de surpresa e desejo de sangue, e por alguns segundos eu pude ver a Rainha Má tomar conta de sua personalidade. O que não seria nada mau, considerando quem teríamos de enfrentar se minha teoria estivesse certa.
– Vamos achar um lugar adequado – disse Robin, ajudando a esposa a se levantar. Fomos até um canto do cemitério, debaixo de uma macieira (ah, a ironia). Quando comecei a falar, Christopher e Alexander chegaram, ofegantes. Os rostos de ambos estavam vermelhos por conta das lágrimas, mas eles pareciam alarmados.
– Tia Regina! Desculpe atrapalhar. Nós íamos contar á senhora, mas com todo o esquema do...- Christopher engoliu em seco – enterro acontecendo, nós decidimos esperar.
– Mas que diabos está acontecendo aqui? Parece que todo mundo está escondendo alguma coisa de mim – disse Regina, colocando as mãos na cintura – desembuchem, meninos.
– Nós fomos até o necrotério ver as meninas – disse Alexander, com um olhar triste – e ficamos sabendo que a médica legista responsável descobriu algo. Haviam flocos de neve completamente intactos nos corpos, tia Regina. Imagino que deve significar algo.
Os olhos de Robin se arregalaram enquanto Regina cobria a boca com as mãos. Eu estava certo. Mas claro que isso não é surpresa para ninguém.
– É exatamente sobre isso que eu queria falar com vocês – eu disse. Regina respirou fundo, tentando se acalmar.
– Você sabe algo sobre isso, não sabe, Gold? Eu achei que nós tínhamos trancado ela para sempre, droga! – disse ela, se recompondo imediatamente após perceber que havia gritado – Haviam dois aprendizes idiotas a vigiando. DOIS. Alguém pode me dizer como exatamente aquela maldita conseguiu escapar?
– Eles provavelmente a libertaram – eu disse – tentei contatá-los há alguns dias, mas não consegui falar com nenhum dos dois. Talvez eles tenham feito um trato com ela, não sei. Mas ela está livre. E é muito provável que ela seja a responsável pelo que aconteceu com as suas meninas.
– Eu vou encontrá-la – disse Regina, andando de um lado para o outro com os punhos cerrados, enquanto Christopher e Alexander a olhavam meio assustados. “Vocês ainda não viram nada”, pensei. – E dessa vez, Gold, nós iremos matá-la.
Eu assenti, concordando. Mas meus pensamentos planejavam outro destino para a nossa querida Rainha da Neve.
POV REGINA (STORYBROOKE, 2014)
Deve ser coisa da minha cabeça. “É só uma coincidência”, pensei, “milhões de pessoas têm olhos verdes”, mas no fundo eu continuava com aquela sensação de que algo não estava certo. Minha mãe não era flor que se cheire, mas ela sempre dizia que o instinto de uma feiticeira nunca deve ser ignorado.
Quando chegamos em casa, coloquei Roland para dormir no sofá até que Henry chegasse para dormir com ele no quarto. Não iria deixá-lo sozinho depois do que aconteceu. Robin fechou a porta atrás dele e veio até mim.
– O que foi aquilo na Granny’s? Você estava agindo estranho – disse ele, me abraçando por trás.
– Eu não sei, eu... eu tive uma sensação muito estranha, Robin. Você vai achar que eu sou louca – eu disse, me virando para encará-lo.
– Bom, considerando que você lançou um feitiço que devastou uma população inteira e costumava colecionar corações, não há muita coisa que você possa fazer que me deixe chocado – eu revirei os olhos, mas não pude deixar de sorrir.
– Sabe as duas meninas, as que encontraram Roland? – eu disse, e ele assentiu – bom, primeiro eu pensei que talvez elas fossem duas malucas sequestradoras de crianças, mas não parece ser do feitio delas.
– Eu sei, por isso não perguntei nada. Por algum motivo, tenho certeza de que elas só estavam tentando ajudar, e conseguiram – ele disse, olhando para Roland com afeto.
– Só que... eu tenho a impressão de que eu as conheço. Não sei, mas algo nelas me lembra alguém ou alguma coisa – eu falei, olhando em seus olhos – e eu posso jurar que uma delas tem os seus olhos.
– Meus olhos? A não ser que elas fossem minhas filhas, isso é meio impossível – disse ele, dando um sorriso, mas eu franzi a testa. Impossível... sim, era impossível, mas algo dentro de mim dizia que não era.
– Eu disse que você ia achar que eu era louca – eu disse, dando um riso com uma pontada de desespero.
– Bom, é difícil negar que a Olivia é mesmo a sua cara – falou ele, e eu dei um tapa fraco em um de seus braços.
– Para de brincar, o assunto é serio – eu ri, mas notei que era verdade. Respirei fundo. “Preciso falar com Gold”, pensei.
POV ELLIE (STORYBROOKE, 2014)
Inacreditável. Ela forjou a nossa morte, a maldita. Nós estávamos com os pés congelados no chão (o que é muito desconfortável, se quer saber) e a Snow Queen parecia bastante satisfeita ao ver o sofrimento dos nossos pais no “velório”. Quando Liv ouviu as primeiras palavras do padre, achei que ela fosse explodir de ódio, e não acho que seria apropriado reproduzir tudo o que ela falou para a Ingrid, mas ela tirou as palavras da minha boca.
– Ah, querida, não fique assim – disse a pinguim assassina depois que a Liv terminou de desabafar todas aquelas coisas lindas proibidas para menores.
– Porquê você está fazendo isso? Nós nunca te fizemos nada, você é que é a maluca louca por companhia – eu disse – nem as suas próprias irmãs te suportavam.
Eu não digo que me arrependi do que eu disse (mamãe sempre diz que eu não devo me arrepender de nada, apenas desejar que tivesse feito diferente), mas levar uma nevasca na cara nunca é uma coisa legal, sabe. Tenho que me lembrar de não tocar no assunto “irmãs” perto da Ingrid.
– Elas podem ter me odiado, mas eu vou fazer com que Emma e Elsa me amem – disse ela – e eu não posso deixar que a querida mamãe de vocês atrapalhe meus planos.
– De que forma, exatamente, nossa mãe tem alguma coisa a ver com a sua vida? – eu perguntei, e ela me olhou como se eu tivesse perguntado quanto são dois mais dois.
– Fora o fato de ela ter sido quem me prendeu naquela jarra por 18 anos? De ter sido ela a razão principal pela qual eu perdi a oportunidade de ser feliz com as minhas irmãs? – disse ela, e por um momento eu quase consegui ver uma pessoa normal e não-louca por baixo de toda aquela roupa brilhosa – quando eu vim para esse mundo, percebi que Regina seria uma ameaça á todos os meus planos. Por isso, quando Emma trouxe Marian de volta, eu a congelei. Eu sabia que Regina tinha mudado e passaria dias e dias tentando achar uma cura, mas isso não foi suficiente. Eu não tinha como matá-la; ela é poderosa demais, especialmente com Emma ao lado dela. Então eu precisava de uma distração maior.
– Nós – eu sussurrei, mais para mim mesma do que para alguém em especial. Olhei para Liv, que me olhou de volta com um olhar preocupado. Por isso ela queria que nós contássemos sobre onde viemos. Para que mamãe tentasse achar um caminho de volta para o futuro e se distraísse o suficiente para que Ingrid completasse o plano dela.
– Foi um tiro no escuro, mas eu tinha que tentar – continuou ela – e é exatamente o que eu estou fazendo. Mesmo que vocês não contem nada, mesmo que fiquem dentro daquele quarto de hotel barato o dia inteiro, uma hora seus pais irão descobrir quem vocês são. Eu esperei 18 anos por isso, posso esperar um pouco mais.
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