O Tempo Dirá
35 Profecia
Notas iniciais
Capítulo 35 — Profecia
Rachel levantou-se com dificuldades do chão após o enforcamento sem sucesso de Koma. Arfou e ficou de pé em seguida olhando o arredor com temor. Estavam perdendo.
Tantos Alienígenas, tantos monstros gigantes; tanto sangue. Nunca pensou ver tanta a cor rubra como estava vendo naquele momento.
Conseguia ouvir ao longe os tremores de uma briga de monstros, possivelmente entre Koma e Kory, ou mesmo Ryan e os monstros os quais nem sequer se lembrava o nome dado.
Tossiu engasgada com a poeira que sobia a cada impacto ao chão. O asfalto não mais existia, dando espaço à terra anteriormente dominante no lugar.
Seus braços e pernas latejavam forte; o cansaço a estava dominando. Varreu os olhos pela rua vendo Garfield um pouco mais ao longe com uma lança Gordaniana nas mãos. Seu braço esquerdo sangrava em uma ferida profunda e contaminada de poeira; seus cabelos colocados ao rosto pelo suor e cansaço.
Rachel avançou para ajudar o rapaz em estado preocupante. Sentiu pequenas agulhas em seus braços e pernas, mas ignorou-os desferindo um chute na lateral do Gordaniano à frente de Garfield.
Ela se virou exausta para o rapaz que estava debruçado sobre os próprios joelhos.
— Garfield. — chamou abaixando-se a seu lado. Ela o sentiu sorrir:
— Não aguento mais. — avisou sem fôlego. Seu coração vacilou, uma falta de ar momentânea passou por seu corpo como um solavanco.
— N-não pode estar falando sério. — comentou: — Gar, amor! — nunca o havia chamado de amor, mas dizem que o desespero toma posse de suas decisões quando em situações críticas.
— Perdão, meu Anjo. — arfou ficando ereto: — Não tenho a sua resistência. — sorriu fraco e melancólico.
— Claro que tem. — exasperou-se: — Deixe-me cuidar do seu ferimento. — mais como uma ordem do que um pedido, Rachel mexeu em seu braço ferido retirando um grito abafado dos lábios de Garfield.
A ferida era bem profunda se estendendo desde a clavícula até a palma da mão esquerda.
— Como você fez isso? — perguntou Rachel.
— Bom, tecnicamente não fui em quem fiz isso. — brincou o rapaz sorrindo fraco. Rachel não conseguiu retribuir: — Fui pego de surpresa pelas costas. Tentei desviar, mas acabei piorando a situação.
A empata suspirou derrotada. Daria muito trabalho curá-lo, e no meio da guerra era basicamente impossível.
— Vou estancar o sangramento. — avisou: — Evite de usar esse braço, por favor. — pediu suplicante começando uma cura rápida.
O contado da mão de Rachel com sua ferida ardia. Ele fechou os olhos em dor enquanto a namorada estancava o sangramento.
Ela aproveitou para dar uma examinada nele, já mais calma. Garfield estava bem pálido, ainda que com a pele esverdeada, dava para ver que a perda de sangue fora o suficiente para deixá-lo com início de anemia.
Rachel mordeu os lábios nervosa. Encerrou o procedimento retirando a terra do braço dele com parte de sua capa um pouco menos suja.
— Vamos! — chamou ela ajudando-o a se levantar.
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Kory defendeu um dos socos de Koma sendo lançada a alguns metros para trás. Equilibrou-se sobre as duas pernas apoiando-as na beirada dos escombros de um prédio recém derrubado.
Pegou impulso e colidiu um de seus socos com Koma que retribuiu com um chute em sua costela direita. Kory arfou pela dor — e talvez pela ruptura de alguma delas — tomando distância.
Inspirou fundo lançando alguns startbolls verdes na irmã. A mesma retribuiu com raios de cor rosa colidindo perfeitamente com todos os que a irmã mais nova lançou.
Frustrada, Kory aproximou-se dela protegendo-se com os startbolls ineficientes. Komander sorriu:
— É o máximo que você consegue fazer, irmãzinha querida? — perguntou divertida.
— Você ainda não viu quase nada. — cuspiu Kory resfolegando e avançando mais uma vez.
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O prédio mais próximo do grupo ruía vagarosamente ao lado deles. Kid arfava pelo cansaço se colocando em frente a Lucky no mesmo estado; Cyborg apoiava-se em um imenso pedaço de concreto totalmente exaurido e com quase toda a sua bateria zerada com Karen a seu lado em estado igualmente catatônico.
Robin se sustentava nas duas pernas com a coluna ereta tentando manter a postura e não tombar diretamente ao chão. Inspirou e expirou repetidas vezes encarando o arredor. Estavam cercados pelos Gordanianos; sem saída e sem energia.
A um tempo que ele deixara de ouvir os estrondos das lutas no fundo, pensou se pudesse ser Kory a perder, ou Ryan perdido de vez a consciência e tombado em algum canto por falta de sangue. Em qualquer um dos casos, as duas únicas chances de vitória estavam muito longe deles.
Rachel estava a uns cem metros de distância do grupo apoiando Garfield em seu ombro. O rapaz respirava forte e profundo, quase como uma súplica ao ar em falta; ela observou bem o que acontecia mais a frente tentando pensar em algo, qualquer coisa, para tirá-los daquela encrenca.
Talvez estivessem esperando ordens para matá-los, ou talvez torturando-os psicologicamente; provavelmente a ultima opção era a pior.
Garfield se ajeitou a seu lado agachando-se nas sombras do prédio ruído. Ele pensou em quanto custaria para reformar a cidade toda, e soltou um riso abafado por causa disso.
— Você está bem? — perguntou Rachel preocupada. Ele aquiesceu:
— Estou ótimo, não se preocupe. — falou com a voz fraca e rouca: — Precisamos tirar eles de lá.
— Eu preciso fazer isso, você tem de achar um lugar e repousar. — resmungou Rachel observando as enormes bolsas embaixo de seus olhos claros.
— Ah, ta bom! — ralhou levantando-se e começando a andar pro lado oposto a ela.
— Garfield. — repreendeu Rachel levantando-se também e o seguindo: — Gar, olha — chamou ela pegando sua dianteira: — eu ainda tenho energia, você está ferido e ainda por cima anêmico. Sei que quer ajudá-los, mas irá ajudar de verdade se recuperando de uma ferida que pode ser fatal. — explicou pausada e pacientemente.
Garfield rosnou sem forças para discutir com ela, mas conseguiu puxá-la para um abraço apertado.
— Estou com medo. — comentou: — Algo me diz que essa pode ser a ultima vez que vejo você. — comentou derrotado. Rachel prendeu a respiração enterrando seu rosto no ombro recém curado dele.
— Se você não estivesse com medo não seria humano, Gar. — disse calma: — Só não diz isso pra mim, não fala que pode ser a ultima vez porque eu sei que isso é uma verdade. Não consigo pensar nisso, não agora! — implorou Rachel: — Vamos tentar ignorar esse fato, essa maldição que esta ardendo minha pele.
Garfield se sobressaltou afastando-se dela para encarar seus olhos aflitos.
— Como assim? — sussurrou quase sem voz.
Rachel retirou a capa mostrando a parte desnuda de seu uniforme. Em sua lombar vários símbolos vermelho vivo saíam de sua pele. Palavras estranhas, imagens curiosas como um enigma. Ele mordeu o lábio nervoso.
— Isso é...?
— São sinais. Marcas da maldição pertencentes a meu pai. Quanto mais fortes, mas próximo ele está. — explicou: — E, já faz um tempo que elas tem aumentado. Ele está perto; Muito perto.
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— Isso está perigoso. — comentou Wally para Robin ao seu lado: — O que eles querem?
— Tomar chá é que não é! — zombou Cyborg irritado.
— Você não deveria ser o adulto sensato e responsável? — perguntou Karen.
— Talvez eu devesse, mas devo ter uns quinze minutos de bateria. Estou irritado. — deu de ombros: — Me dá um desconto.
— A Kory me disse uma vez — começou Dick chamando a atenção deles: — Que Gordanianos são temidos por serem grandes donos de escravos.
— Oh céus! — grunhiu Lucky amedrontada: — Vão nos levar como escravos...
— Não! — bradou Wally: — Não vão. Não podemos desistir assim. — resfolegou limpando seu rosto coberto de poeira: — Prefiro a morte do que escravidão.
— Ninguém prefere a morte, Wally. — relembrou Karen.
— Nesse caso sim. — afirmou Dick: — Ao menos foi o que a Kory me disse. Sempre desejou dormir e não acordar mais.
— Então o que? Vamos nos matar e esperar que eles fiquem quietos assistindo. — zombou Lucky: — Ah, por favor. Eles estão ouvindo a gente conversar e rindo entre eles.
Ela tinha razão. Eles riam e zombavam dos terráqueos capturados. Sentados folgadamente nos escombros, aguardavam algo ou alguém para levá-los a bordo, mas — o que quer que fosse —, eles torciam para que não chegasse.
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Koma sentou-se no alto de um prédio observando entediadamente a irmã mais nova tentando se levantar do chão. Seus braços doíam e suas pernas não respondiam mais as suas ordens; respirar doía, como uma faca afiada tentando perfurar seu pulmão esquerdo toda vez que inspirava — talvez fosse isso mesmo.
Caiu para o lado sentada respirando cuidadosamente. Levantou o olhar para a cara de deboche da irmã mais velha.
— Ora, ora. — zombou: —Não era você que prometeu me matar, irmãzinha?
Kory somente encarou.
— Bom, se estava aguardando pelo Ryan, ou qualquer outra pessoa sinto lhe informar que ninguém virá. — afirmou: — Ryan sucumbiu à alguns minutos na rua de trás. Se estivesse mesmo prestando atenção ao redor teria visto ele.
Kory segurou a respiração.
Ryan?, pensou, por favor ele não!
Ela se forçou a levantar apoiando-se nas pernas bobas. Conseguiu ficar ereta pegando o resto de energia que tinha para sair do chão.
— Uuuuh! — exclamou Koma: — Consegue voar? Que vitória. — ralhou batendo palmas: — Mas infelizmente para você, irmãzinha, nós já vencemos. — ralhou a irmã acomodando-se.
Kory sorriu:
— Só irão ganhar quando eu morrer. — resmungou entre dentes. A mais velha arqueou a sobrancelha.
— Isso é fácil. — afirmou pulando do alto e pousando à sua frente: — Vamos colocar um fim nessa briga idiota e fazer você encontrar com nossos pais mais cedo do que pretendia.
Ela avançou contra a irmã que planava a alguns centímetros do chão. Levantou o punho fechado em direção ao rosto da garota tombada para o lado. Houve o impacto e o sangue jorrou.
Komander cuspiu todo o ar de seu corpo ao sentir o soco em seu peito quebrar o esterno, perfurando seu coração com brusquidão. Sangue vazou por sua boca aberta, e seu corpo pendeu ao chão resfolegando em busca do ar que não entrava.
Koryand'r riu vitoriosa esboçando em seu rosto um sorriso macabro e vencedor.
— Não sei se você se lembra, mas minha tortura foi diferente da sua — comentou Kory caminhando como se mal sentisse dores pelo corpo: —, eu precisava lutar para sobreviver. Nunca que esses arranhões seriam significantes.
Koma nem mesmo conseguiu debater, tombou ao chão engasgando-se com o sangue e sentindo a falta de ar criando manchas negras em sua vista.
Resfolegou algumas ultimas vezes antes de definitivamente fechar os olhos.
Kory suspirou cansada:
— Que X'Hal a acolha. — homenageou a irmã: — Até o outro lado.
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— Preciso recarregar e rápido. — grunhiu Cyborg esgotado.
— Assim que conseguirmos sair daqui a gente troca suas pilhas. — ralhou Wally sentando junto a Jinx.
— Olha aqui ruivinho, não estou com paciência para suas frescuras de adolescente, eu te meto a porrada. — bradou em tom de aviso.
— Sinto cheiro do perigo. — zombou Wally rolando os olhos.
O clima estava tenso demais para brincadeiras, mas parecia ser a única forma de driblar aquele momento insano.
— Calem a boca. — exclamou Dick: — Prestem atenção em tudo, eles estão vindo para cá!
Um dos reptilianos aproximou-se deles com uma arma em mãos e um capacete diferenciado dos demais.
— A nave chegou para pegá-los, escravos. — comentou: — Sejam bem-vindos ao inferno.
Os Titãs se exaltaram.
— Ora, já serão escravizados? — perguntou uma voz grossa e zombeteira. Apareceu logo atrás dos Gordanianos que lhe abriram espaço.
Máscara e uniforme em laranja e preto com somente um dos olhos visíveis; duas espadas nas costas e um cinto negro.
— E você é? — perguntou Karen.
— Me chamam frequentemente de Exterminador, Karen. — apresentou-se o homem.
— Exter.... — Wally engasgou: — Seu... Miserável.
— Deixemos os elogios para depois, senhor West. — comentou: — Por hora vou deixá-los longe dessa ideia de escravidão. Sintam-se agradecidos.
— Espere um pouco, humano. — grunhiu uma das bestas: — O acordo com a princesa tamaraniana foi recapturar a prisioneira e levar seus amigos como escravos. Em momento algum isso estava nos acordos.
Slade sorriu por detrás da máscara:
— Na verdade, tudo está de acordo com meus planos. — explicou: — Pois vocês já estavam destinados a perder.
— Virou vidente agora é? — ralhou Lucky.
— Não virei, Jinx. — respondeu: — Mas que era obvio que você deserdaria, era.
— Não foi disso que falei. — retrucou.
— Nunca é!
— Não mudem de assunto, seres inferiores. — rosnou o Gordaniano: — Iremos levar eles, quer queira, quer não.
Slade subiu o olhar:
— Tem certeza disso?
— Somos superiores, sempre a temos.
O Exterminador aquiesceu parecendo chamar alguém por um comunicador. A terra tremeu bruscamente derrubando todos aos escombros no solo.
Prédios cederam, carros caíram em imensas fendas recém abertas que davam aos esgotos; e corpos eram soterrados pelos escombros.
Slade permaneceu em pé observando o mundo se tornar bem mais caótico do que antes.
O tremor parou, e tudo se estabilizou.
As pernas de Dick formigavam pelo tremor, um medo havia crescido não sabia ao certo da onde, o fazendo mal ter forças para sair do chão.
Elevou a cabeça voltando seus olhos para o Exterminador totalmente ileso em um pedaço de terra intacto. Atrás dele apareceu uma garota mediana; cabelos loiros, faixas contornando suas juntas onde uma armadura branca não cobria e o famoso "S" característico em seu peito.
Dick não acreditou no que viu, nem mesmo pensou em acreditar. Avançou um pouco apoiando-se em um conjunto de ferragens que um dia fora um ônibus escolar.
— Tara? — resmungou o rapaz tentando fitar o rosto da garota que estava baixo.
— Não creio. — ralhou Wally ao fundo como um zumbido em meio à tantos barulhos.
— Talvez esteja na hora de eu apresentá-los. — disse Slade aproximando-se com Tara a sem encalço: — Essa é minha aprendiz Terra. Acredito que vão se dar bem. — comentou em seu tom mais cínico e áspero.
— Verme imundo! —grunhiu o Gordaniano líder: — Pagará com sua vida por essa afronta à nós.
Slade riu.
— Eu pagarei? Ou vocês pagarão? — indagou.
— Jogo de palavras não funcionam conosco. — cuspiu.
— Não é um jogo. — comentou: — É a realidade.
Houve um estrondo e dois corpos pousaram ao chão em frente ao Gordaniano líder. Segurando Koma pelos cabelos negros, Kory estufou o peito ao encarar a orla de reptilianos observando-a catatônicos.
— Komander? — resmungou o Líder.
— Sua comandante perdeu a guerra. — bradou Kory à plenos pulmões: — Ordeno a retirada dos exércitos Gordanianos do campo de batalha em respeito à vida perdida de sua líder.
Os Gordanianos rugiram nervosos.
— Sem objeções. — Grunhiu a ruiva: — A menos que queria prestar contas com a Cidadella por desrespeitarem as leis intergalácticas.
Ambos se encararam numa tensão perigosa. Olhos frios, cerrados e indiferentes.
Em um movimento, Kory lançou o corpo frio de sua irmã aos monstros que se retiraram da batalha definitivamente com as naves restantes dando meia volta.
A ruiva suspirou aliviada. Um inimigo a menos, faltando apenas...
Kory virou-se até os dois estranhos de pé a uns 3 metros à sua direita. Passou seus olhos do homem até a garota.
— KORY! — chamou Dick preocupado. A garota voa até ele o abraçando.
— Que bom que vocês estão bem. — afirma ela apertando-0 com força.
— Sinto muito.
— Não sinta. — pediu: — Foi necessário, e você sabe. — se afastou dele sentindo seu rosto sendo acariciado por sua mão enluvada.
Ela se virou encarando-os.
— Então, você tem poderes também é? — perguntou Kory à Tara.
— Sim, tenho. — respondeu Tara: — Desculpe não ter dito antes...
— Não vejo diferença agora. — comentou Lucky irritada: — Sabe, se você fosse uma heroína seria legal, mas—
— Mas não sou. — interrompeu Tara: — Sei disso.
— Reunião linda, mas faltam duas pessoas. — lembrou Wally.
— Uma delas gravemente ferida. — emendou Slade num sorriso por detrás da máscara.
— Como? — exasperou-se Kory.
— Não aquela que importa, é claro. — indagou o homem: — Bem, vamos começar a brincadeira?
Ele fechou os olhos proferindo palavras em uma língua desconhecida por eles.
Pareciam sussurros; gritos desesperados saindo por todos os lados. Cima, baixo, direita, esquerda. Tudo zumbia e mais vozes eram ouvidas em um cântico macabro.
— ... Ouça meu clamor, e abra a fresta restante para a liberação do portal — falou em Inglês pela primeira vez: — Oh, senhor das dimensões eu o saúdo.
— PARE!!
Rachel se aproximou em puro caos. Sua pele repleta de enigmas em vermelho queimando-a escorrendo por elas sangue negro e coagulado.
— Apareça Trigon!
— NÃO!!
O ar ao redor dos heróis foi sugado para um buraco de minhoca acima da cabeça de Slade. Criando a forma de um vortex, a massa de ar se condensou aparecendo uma cor roxa esbranquiçada nela.
Atrás da forma, bem embaçada, quatro olhos puderam ser vistos brilharem pelo portal.
Rachel caiu ao chão derrotada.
— Rae, linda. — chamou Kory segurando a amiga: — O que aconteceu? Rae?
Ela não respondeu. Sua voz não saia. Estava em pânico.
Era o fim.
— Sério, o que é isso? — exasperou-se Wally fitando aqueles olhos horripilantes sondarem tudo o que podiam.
— Gema! — bradou o ser: — Apareça, filha das trevas e concluía o ritual. — ordenou.
Novamente não respondeu.
— Quem é ele? — perguntou Karen aflita.
— Pelo que ouvi era Trigon. — falou Dick preocupado demais para tirar os olhos do Exterminador.
— Exatamente. — respondeu Garfield atrás do grupo cambaleando.
— GAR! — chamou Kory: — Por onde andou? E por que todo esse sangue?
— Não temos tempo para isso, Kory. — interrompeu ele: — Esse monstro que o Exterminador invocou é Trigon, um demônio interdimensional.
— De... — gaguejou Lucky apertando o braço do West.
— Ei, sem brincadeiras verdinho. — resmungou Cyborg.
— Desculpe, mas não é. — afirmou sério: — Ele é...— Garfield se interrompeu olhando Rachel de canto de olho.
A mesma retribuiu o olhar aquiescendo.
— Ele é o pai da Rae. — falou: — Entretanto, ele a prendeu em uma espécie de Maldição. Caso ele seja libertado ela tem de dar sua vida ao selo. — emendou sem dar tempo aos amigos de fazerem perguntas: — Infelizmente agora é questão de vida ou morte. Caso ele saia, o mundo irá sucumbir.
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— Batman, isso aqui está o caos. — comentou Timothy fitando o computador da Batcaverna: — Não sobrou quase nada da cidade.
— Está pior do que eu pensava. — falou o morcego avançando em direção ao ultimo estrondo.
— Ao menos aqueles monstros recuaram. — falou Bárbara ao lado de Bruce: — Só não compreendi ainda o porque.
— Foi uma retirada. — salientou Batman: — Provavelmente aconteceu como na maioria das guerras.
— O líder sucumbiu. — emendou Jason sentado ao lado de Tim: — Ou seja, alguém fodeu com ele.
— Ficou um pouco mais idiota nesses minutos, ou é impressão minha? — resmungou Tim.
— Como? — bradou Jason.
— Ou seja. — interrompeu Bruce: — o Dick ainda está de pé nessa guerra. — falou o morcego: — Tim, quero que você procure nas nossas câmeras alguma que focalize o centro desse desastre.
— Ok. — pronunciou deixando o áudio dos dois de canto focalizando em câmeras espalhadas pela cidade.
Boa parte delas estava com a tela destruída, outras obstruídas ou totalmente inutilizáveis. A mais próxima que ele achou com movimento de pessoas foi uma das câmeras próxima à avenida principal de Gotham.
Pode ver com dificuldades algumas pessoas na rua, mas identificou bem o uniforme do Robin à frente.
— Estão na avenida, Batman — avisou Tim.
— Aproximadamente onde? A avenida é extensa. — perguntou Bárbara.
— Mais para cima, próximo ao parque.
— Estamos à caminho. — disse Bruce: — Tim, sabe onde está o Damian?
— Provavelmente no seu encalço. — pronunciou Jason mais ao fundo. Bruce ficou quieto.
— Vou encerrar a ligação. Prestem atenção nas câmeras, qualquer movimentação estranha me contatem. — assim desligou o comunicador indo até a avenida.
Infelizmente as ruas estavam interditadas com escombros sem conseguir passagem com a moto da Gordon ou o automóvel do Batman. Isso ocasionou um atraso significativo o bastante para mudar o rumo da guerra dos Titãs e o final do massacre.
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Rachel ainda estava em choque no mesmo lugar sendo segurada por Kory. Inspirou e expirou tantas vezes afim de controlar o medo que sequer ouviu o resto da conversa entre os titãs. Não tinha jeito; não tinha solução.
— Gema!
Fechou os olhos apressada novamente perdendo o controle de sua respiração.
— Rae. — chamou Kory em seu ouvido: — Vamos lutar contra isso, entendeu? Não irei permitir que você desista, nunca.
Elas se afastaram de Slade apressadas.
— Como vamos lutar contra aquela coisa? — perguntou Wally.
— Ele está preso lá dento. — respondeu Rachel exaurida: — O único jeito dele sair é me usando, caso contrário é quase inofensivo.
— Quase? — Salientou Dick curioso.
— Ele consegue fazer parte de seu poder ultrapassar a barreira. — comentou Rachel: — É assim que ele consegue se comunicar conosco, e talvez até mais coisas ele consiga.
— Bom, então vamos impedir que ele passe. — disse Karen: — Fique o mais longe possível dele, Rae.
— Não adiantará de muita coisa. — resmungou derrotada.
— Tentar não irá nos matar! — exclamou Garfield se colocando a frente dela: — Tem algo vindo.
A frente deles, perto de Slade e Tara, algumas sombras no chão começaram a ganhar forma. Como se estivessem se levantando, essas sombra pegaram o formado de um corpo pequeno e achatado, com chamas cobrindo toda a sua extensão.
— O que são eles, Slade? — perguntou Tara curiosa.
— Servos do submundo. — respondeu tranquilo: — Trabalham para Trigon de fora da dimensão.
— Mas eles não são pequenos demais? — comentou ela com certa descrença. Slade riu.
— Tamanho não é tudo, minha cara.
— É, galera. — exclamou Garfield: — Acho que temos um probleminha.
— Céus. — resmungou Rachel fitando os pequenos seres de corpos flamejantes: — São demônios do submundo.
— Ah não! Sem essa de demos, pelo amor de meu Deus!!!! — esbravejou Lucky em parafusos: — Estou que é puro medo aqui.
—Todos estamos, mas não temos muitas alternativas, e você sabe disso. — falou Dick: — Victor, tente achar um lugar para ficar, está sem carga. — pediu o rapaz recebendo um aceno do ciborgue e de Karen: — Titãs atacar!
Todos, até mesmo Rachel, avançaram até o centro da Avenida. Os monstrinhos eram pequenos, mas difíceis em níveis alarmantes.
Primeiro: Eles se regeneravam. Segundo: eram de um fogo estranho, inapagável e ignescente como hélio. Terceiro: apareciam sem fim da superfície da avenida.
— Sério, isso está irritando! — rugiu Garfield tentando não encostar naqueles seres: — Não posso tocar neles.
— Nem pensar. — esbravejou Rachel planando: — Se tocarem vocês queimarão até a morte. E sem direito a água para apagar o fogo. — comentou ela prevento o enfadonho comentário do Logan sobre apagar fogo com água.
— Que lindo. — ironizou Wally.
— Então temos que ficar aqui, em cima de lugares que eles não alcançam porque não tem como vencer? — resmungou Lucky já desesperada.
— Ela não disse que eram invencíveis. — Falou Dick sendo segurado por Kory no ar: — Só que eram difíceis.
— Vou tentar selá-los por um tempo, mas não será muito. — explicou Rachel: — Aproveitem essa chance e vão atrás do Slade.
Rachel fechou os olhos cultuando em seu intimo o resto de poder que ainda detinha.
— Custodiam Carceris.
Criando um imenso muro de energia negra, ela conseguiu prender boa parte daqueles seres dentro de um cubo recém formado ao redor. Usando magia antiga dos magos de Azarath, o poderio do muro era aumentado em 200% dos casos. Mesmo não conseguindo evitar o aparecimento de mais deles, o simples fato de melhorar o jogo pro lado dos Titãs já alegrava as coisas.
— Vamos Lá! — bradou Dick novamente indo ao solo de encontro com o Exterminador.
O mesmo negou com o dedo em um movimento lendo e provocante.
— Não ainda.
Tara se prostrou a frente de Slade retirando imensos pedaços de concreto e lançando-os em direção aos Titãs; ao mesmo tempo, criava um tremor suficiente para evitar a locomoção de Kid ou outros terrestres.
Tara abriu uma vala entre ela e os Titãs dificultando a passagem deles. Dick pegou carona com Kory que o lançou diretamente à garota.
Ela criou um muro de pedras evitando a passagem do rapaz. Kid aproveitou a distração e deu a volta na fenda criada em formato meia lua. Tara trincou os dentes transformando a terra do local em areia movediça.
— Você pode fazer isso? — exclamou ele preso naquela areia grudenta e traiçoeira.
— Usufruir da terra é minha habilidade. — respondeu ela tentando evitar que Kory chegasse ao alcance deles.
— É cientificamente impossível. — replicou Wally.
Tara riu.
— Você é cientificamente impossível. — comentou ela: — Ou se esqueceu disso? — provocou lançando nele uma imensa rocha a fim de soterrá-lo.
Lucky a quebrou no ar ficando em frente ao Wally resfolegando exausta.
— É, parece que a princesinha afiou a língua antes de sair de casa. — zombou Lucky debochada.
— Concentração. — pediu Dick do outro lado da fenda: — Merda! Não consigo passar. — resmungou encarando o arredor vendo Garfield um pouco distante: — Garfield?
— Desculpa, eu não consigo. — respondeu o rapaz debruçando em um dos escombros ao lado: — Acho que a Rachel estava certa quanto a anemia.
Dick prendeu a respiração e por algum momento não conseguindo mais enxergar a vitória. Aquilo estava em outro patamar, e eles não conseguiam alcançá-lo de maneira nenhuma.
Será mesmo que eles iriam perder?
—Droga! Não aguento mais. — gemeu Rachel caindo ao chão. As dores das marcas rasgavam sua pele com navalhas.
Coçavam intensamente, pulsando sobre as feridas criadas na superfície da epiderme. Os seres a rodearam sem tocá-la, como se a estivessem adorando. Ela balançou a capa de um lado para o outro como se fosse espantá-los.
— Saiam daqui. — ordenou com a voz fraca.
Eles continuavam a encará-la com suas imensas orbes negras e opacas.
— Saiam... — continuou ela: — Por favor! — implorou Rachel em desespero.
Os monstrinhos se aproximaram, agora segurando-a pelos braços e pernas — sem queimá-la —, tentando arrastar seu corpo até o vórtex interdimensional.
— Me soltem, agora! — esbravejou Rachel debatendo-se a todo custo, mas eles eram estranhamente mais fortes do que ela, arrastando seu corpo até estar quase debaixo da fenda.
Um arrepio lhe subiu a espinha ao sentir aquele ar pesado e o cheiro pútrido de carne queimada exalando do portal. Sem ter coragem para encarar a imagem de seu pai logo a frente.
— Não...
— Diga as palavras necessárias, gema. — ordenou Trigon: — Liberte seu pai dessa prisão.
— Eu... — Rachel tremia em desespero. Sua garganta estava seca e arranhando, nenhuma palavra queria sair dela: — Eu... nã—
— Se não as disser por bem, as dirá por mal! — proferiu ele usando de seus poderes para arrastá-la a força.
Em algum momento daquilo tudo ela parou de resistir. Afinal, pra que lutar por um mundo tão pecaminoso como a Terra? Sua mente estava gritando para ela desistir de tudo, entregar-se à profecia e terminar de vez com aquele alvoroço.
Entretanto, outra parte de seu corpo gritava para ela lutar com todas as forças que tivesse. E, mesmo que ela não conseguisse ouvir bem, lá no fundo de sua mente uma pequena vozinha — idêntica à do conhecimento, entretanto mais fina —, cultuava uma suplica alarmante.
"Não desista dele. Ele vai morrer!"
Aquilo agiu como um estalo. Uma peça colocada no lugar movimentando toda a engrenagem já quase estagnada.
"Lute"
Rachel arqueou coluna para trás inspirando o máximo do ar que seus pulmões aguentavam.
"vença"
E gritou com o máximo de força que pode.
"Viva com ele e..."
Em puro êxtase.
"Seja feliz"
— AZARATH METRION ZINTHOS!
Um clarão branco tomou posse da Avenida principal parando a luta entre a Tara e os Titãs.
Garfield encarou fixamente o local de onde a luz pulsava esperando ver a namorada sã e salva. E foi o que viu...
Quase.
Suas roupas estavam brancas, seus olhos avermelhados com o acréscimo de outros dois mais acima; seu cabelo estava mais alongado e sua pele escura em um tom arroxeado.
— Rae...?
— Parece que agora a brincadeira finalmente começou, Titãs. — proferiu Slade aproximando-se da fenda entre ele e os heróis: — Que tal passarmos esse jogo para um nível mais sanguinolento?
Sumindo da vista de todos, reapareceu em frente ao Dick com a espada de suas costas desembainhada colidindo com seu bastão de metal.
— Faremos nosso próprio jogo de sobrevivência, meu caro Robin! — exclamou Slade: — Que morra o melhor homem.
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