Ainda segurando Raquel, Ouja se preparou para atacar novamente.

− É melhor você soltar essa moça, demônio, ou sua morte será ainda mais dolorosa − disse Eduardo. Estranhamente, algo em sua mente lhe dizia que Ouja de deusa não tinha nada. Então, tudo ficou claro para o guerreiro. Na verdade, ela era um demônio que encontrara um jeito fácil de sobreviver, criando uma falsa seita e enganando seus fiéis para a alimentarem.

− Não se ache poderoso só por ter sido aceito pela espada, humano! Você ainda é só um frágil saco de ossos!

− Então venha, e lhe mostrarei do que sou capaz!

Ainda sem soltar Raquel, Ouja avançou. Eduardo rebateu as garras do demônio e saltou para cima dela. A lâmina da cimitarra seguiu reto como um raio, perfurou o pulso de Ouja, libertando Raquel que, como a irmã, estava inconsciente. Eduardo segurou a moça com a mão livre, enquanto se apoiava em cima do demônio.

Com um impulso, saltou de volta para onde estava Diana e deixou a irmã ao seu lado.

Ouja gritava e proferia maldições. A maioria das rampas estava destruída, mas Eduardo arranjou um espaço para onde saltar. Queria deixar Ouja longe das moças.

Ele queria muito sair dali naquele momento, mas sabia que o demônio iria atrás deles. Tinha que acabar com Ouja ali .

Eduardo, então, se concentrou em seu oponente, que já investia loucamente contra ele. Saltou para cima do demônio a

poucos segundos de ser agarrado e se segurou atrás da cabeça de serpente. Teve que se segurar para não ser derrubado.

Quando viu uma oportunidade, cravou a espada na coluna de Ouja.

O grito que ela emitiu foi tão forte que quase o deixou surdo. Os solavancos se tornaram mais frenéticos e a criatura chegou a se jogar contra a parede. Eduardo teve que soltar a espada da coluna de Ouja e pular fora antes de ser esmagado.

Ao ver que Ouja demorava para se levantar, Eduardo avançou e cortou com a espada. Uma, duas, três vezes a espada penetrou a cartilagem do pescoço da criatura, fazendo o sangue jorrar. Mas não foi o suficiente. Apesar de mais lenta, Ouja ainda estava viva.

Ela se ergueu novamente, gritando. Seu corpo aos poucos se cobria de sangue.

Eduardo se posicionou, separando os pés de frente e flexionando um pouco a perna esquerda. Segurou a espada na horizontal, com a lâmina para cima apoiada por baixo com a mão esquerda e o braço esquerdo flexionado. A ponta da espada apontando para a cabeça de Ouja. Os vincos na lâmina da espada adquiriram uma coloração incandescente e avermelhada. Os olhos do dragão se acenderam.

Ouja não ficou parada e também se preparou para atacar o guerreiro.

Ela pulou em cima dele, gritando.

− Maldito!!!

Suas garras estavam apontadas para ele, mas Eduardo não saiu da posição.

No momento certo ele avançou, rápido como um raio. Um risco vermelho incandescente mostrava a trajetória que a lâmina tomava. Ao estar a centímetros do demônio, mais rápido do que a criatura podia responder, Eduardo aproveitou o impulso do avanço e deixou a espada seguir em linha reta.

A arma perfurou o rosto de Ouja, quebrando o crânio para abrir caminho de fora a fora. Na saída, um pouco massa encefálica acompanhou a lâmina. O impulso jogou o demônio para trás, caindo no vazio e Eduardo quase a acompanha, mas conseguiu retirar a cimitarra da cabeça do demônio e saltar para um lugar seguro.

A criatura caiu, silenciosa, por toda a extensão da torre. Quando se chocou contra o chão, o som ressoou pela construção, como uma marcha fúnebre em memória de Ouja.

Alguns instantes depois, a torre toda começou a tremer. Estava desmoronando.

− Ah, droga! − disse Eduardo. Ele saltou para a saída do
salão.

Achou a bainha da sua outra espada no chão, onde ele havia sido arremessado. A nova cimitarra encaixou perfeitamente.

Ele a prendeu nas costas, pegou as duas irmãs no colo e começou a descer a escadaria o mais rápido que podia. Não sabia se daria tempo.

As primeiras pedras começaram a cair pelo caminho.

− Droga, droga, droga... − Eduardo resmungava, enquanto descia a escadaria correndo. Teve que saltar alguns blocos que caíram pelo caminho.

Quando Eduardo finalmente chegou à saída, o portão estava escancarado. Os sacerdotes e as moças que fugiram fizeram-lhe o favor de deixar ele aberto.

Ele saiu da torre e se afastou bastante antes de despencar no terreno da torre com as duas ao seu lado. A torre desmoronou de uma vez, os pedaços de esmeralda se espalhando pelo local.

Arfando, Eduardo ficou ali deitado. Quando já estava conseguindo respirar melhor, ele disse para si mesmo:

− Acho que prefiro caçar javalis...