O Tamanho da Felicidade

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Escrevi essa há um tempinho. Espero que gostem ♥

A porta de madeira envernizada foi escancarada abruptamente, e uma ruiva rechonchuda, vestida com roupas grossas de inverno, entrou suspirando de alívio. O dia havia sido exaustivo, com reuniões intermináveis e olhares julgadores, e ao abrir a porta de seu apartamento, Rose sentiu o calor acolhedor envolvê-la. A luz suave das luminárias refletia nas paredes forradas de livros de sua sala, e o aroma familiar de lavanda acalmava seus sentidos. Aquele espaço pequeno, mas cuidadosamente decorado, era o seu refúgio, um lugar onde não precisava se esconder ou justificar quem era.

Seu rosto iluminou-se com um sorriso.

Seu apartamento era pequeno, mas era tudo o que precisava. Passou pelo sala ainda calçada com as botas de salto baixo e foi direto ao banheiro. Tirou as roupas e se enfiou embaixo do chuveiro, deixando a água quente lavar o cansaço do dia.

Quinze minutos depois, saiu vestida com um pijama curto, mas quente, do Ursinho Pooh. Na cozinha, abriu a geladeira e pegou a primeira coisa que viu: uma lasanha de berinjela que parecia deliciosa. Estava com pressa. Tinha outras coisas para fazer. Com a comida em mãos, caminhou até o sofá verde-musgo e ligou o notebook que havia deixado repousado ali na noite anterior, após finalizar o trabalho que havia levado para casa.

Ah! Não precisava de mais nada: sua casa, seu pijama, lasanha e... o seu amado: o blog.

O que todos pensavam é que Rose Weasley era uma pobre infeliz. Aos 30 anos, não namorava, muito menos estava casada ou envolvida amorosamente com alguém. Passava seu tempo livre em casa, exceto nos fins de semana, quando, vez ou outra, saía para pubs com sua amiga Alice. Seus pais cansaram de lhe dizer que precisava arranjar um marido ou, pelo menos, um namorado. Afinal, quem poderia ser feliz sozinho? E, com seu sobrepeso, todos imaginavam que ela estava sozinha porque ninguém a queria. Aliás, quem se interessaria por alguém tão gorda?

Apesar de sua confiança inabalável, Rose não podia evitar que uma pequena pontada de insegurança a atravessasse. Aquelas suposições, por mais absurdas que fossem, ecoavam em sua mente vez ou outra, como sussurros sombrios em momentos de silêncio. Era fácil afastá-los na maior parte do tempo, mas em noites solitárias como essa, enquanto escrevia no blog, eles retornavam, mais fortes, forçando-a a lutar para manter a convicção que tanto prezava.

Enquanto o notebook ligava, Rose riu pelo nariz ao se lembrar que nada daquilo era verdade, revivendo alguns flertes. Rapidamente acessou seu blog.

E aí? Você já se olhou no espelho hoje?

Espero que sim! Porque se não, levante essa bunda gorda e sexy agora mesmo e vá se amar. Você merece! Você é linda!

Hoje eu queria desabafar com vocês sobre algo que tem me incomodado muito nos últimos dias. Já passaram pela situação em que, por estarmos sozinhas e sermos gordas, as pessoas acham que somos infelizes? Pois é!

Recentemente, meus pais me ligaram para falar sobre a mesma coisa de sempre: se eu estou namorando, quando vou me casar, quando terei filhos. Eles parecem realmente preocupados com minha situação amorosa.

Hoje, uma colega de trabalho me disse que sou linda, mas de rosto, e que, se eu perdesse uns quilinhos, todos iriam me querer. Perguntei por que eu iria querer isso, e sabem o que ela respondeu?! Ela disse: "Porque você vai ficar sozinha a vida inteira se não emagrecer". Eu ri da cara dela, mas não disse nada, é claro.

Outro dia, minha vizinha me disse que eu estava sozinha porque era uma baleia. Mal sabe ela que o loiro do meu prédio, aquele que ela vive dando em cima, está flertando comigo há uma semana. Vamos rir?*

A verdade é que a felicidade alheia incomoda. Eu, Rose Weasley, sou muito bem resolvida com minha vida e muito feliz com meu peso. Não tenho diabetes, não tenho colesterol ou pressão alta. Meu coração é ótimo! Prático exercícios diariamente. E eu sei que meu sobrepeso é um problema – mas um problema para os outros, não para mim. Se estou solteira até hoje, é porque quero, não porque ninguém me quer. Deus sabe como esses homens adoram uma gordinha. Vocês também devem saber.

Então, o que eu queria que vocês levassem disso tudo é: não deixem que os outros comandem sua vida. Por muito tempo, deixei-me influenciar, até perceber que a dona da minha vida sou eu. Eu escolho se quero emagrecer, eu escolho se quero namorar, casar, ter filhos. Escolham o que VOCÊS realmente querem. Querem emagrecer? Então emagreçam. Não importa o seu peso, coloque um salto e desfile por aí com sua melhor roupa, mostrando que você pode ser feliz SOZINHA, sem precisar de ninguém. Elas não precisam saber que você dorme com aquele gato que elas querem ou que recebe mensagens do coleguinha de trabalho dizendo que é louco por você.

Rose parou de digitar ao ouvir a porta bater. Levantou-se e andou até a porta, espiando pelo olho mágico para ver o vizinho com os cabelos loiros, quase platinados. Um pequeno sorriso surgiu em seu rosto enquanto ela abria a porta.

— Ei, Rose — cumprimentou Scorpius com um sorriso que era tanto charmoso quanto intrigante. Ela percebeu o olhar sutil em seu pijama. Ele deu um passo mais perto, fazendo com que a eletricidade entre eles fosse palpável. — Planos para hoje? Acha que pode me encaixar na sua agenda? — Ele disse com um toque de humor, mas seus olhos cinzentos revelavam um interesse genuíno.

O sorriso em seus lábios se expandiu.

— Na verdade, eu tinha: ficar em frente ao meu computador até as oito e depois deitar na minha cama para assistir Netflix.

— Bem... — Ele começou em tom brincalhão. — Se quiser, ou melhor, puder cancelar seus planos, eu tenho dois ingressos para o show dos Lizard Head.

— Como assim? Por que não me falou antes? — respondeu empolgada.

— Eu ganhei os ingressos hoje. Foi meio de última hora — ele explicou, e Rose não conseguiu desviar os olhos dos dele. O tom cinza a excitava.

— Se quiser esperar uns minutinhos no seu apê, eu bato lá quando estiver pronta.

O loiro sorriu, colocando as mãos nos bolsos do jeans, ficando ainda mais sexy em sua jaqueta de couro negro. E ela imaginava que, sem aquelas roupas, ele era ainda mais atraente.

— Eu vou esperar aqui — ele disse, mas ao invés de se afastar, deu mais um passo à frente, os olhos cinzentos fixos nos dela, como se estivesse esperando por algo mais. Rose sentiu o peso da expectativa no ar, seu coração batendo descompassado. Talvez aquele fosse o momento de jogar fora todas as precauções. Talvez, pela primeira vez, valesse a pena arriscar mais do que apenas uma noite casual.

Rose sentiu seu coração disparar ao perceber a proximidade de Scorpius. Ele sempre tinha essa habilidade de deixá-la sem fôlego, mesmo quando tentava manter o sorriso confiante. Era mais do que a atração física; havia algo na forma como ele a olhava, como se enxergasse além da superfície, que a desarmava completamente.

— Não demore — ele sussurrou, e a promessa velada em sua voz fez seu rosto esquentar.

Ela acenou com a cabeça e voltou para dentro de seu apartamento, correndo de volta ao notebook. Debruçou-se sobre o sofá e digitou rapidamente. Enquanto digitava a última frase no blog, Rose sorriu para si mesma. Não era o show, nem o loiro charmoso, nem mesmo o reconhecimento de outras pessoas que a faziam feliz. Era o simples fato de ser quem ela era, sem desculpas ou concessões.

Agora eu terei que ficar por aqui, porque vocês se lembram do loiro que mencionei? Pois é, ele acabou de bater à minha porta me convidando para um show dos Lizard Head. Quem sabe onde a noite irá nos levar? Torçam por mim, bonecas.

E não se esqueçam: O TAMANHO DA FELICIDADE É O SEU.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!