O Talismã
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Assim que abri os olhos, uma claridade tomava conta do lugar, até que me liguei que estava no hospital, provavelmente há uns dias.
Os tubos de respiração me incomodavam, e aquele soro na veia, me fazia ter dor de cabeça, e não me lembrava direito do que aconteceu, só tinha pequenos relances.
O Dr. Mendes entrava pela porta do CTI, ele cuidou de mim desde que era pequena. Lou era apaixonada por ele, tudo bem que ele era bonito, loiro, muito branco e era super simpático, mas uma pirralha se apaixonar é demais, eu nunca me apaixonei ainda! Mas o problema era que hoje seu olhar estava triste, uma coisa que eu nunca vi.
Estou com medo.
– Olá Paty. Quanto tempo – ele disse tentando empurrar um sorriso, mas fracassou.
– Dr. Mendes, desculpa a ignorância, mas aonde minha família esta? – perguntei com o coração disparado.
– Paty... – ele disse, mas foi interrompido por uma voz muito familiar.
– Filha? Você esta bem? – vi meu pai passando por Dr. Mendes.
Meus olhos encontraram os dele, estavam vermelhos e cheios de lagrimas.
– Que bom que esta bem meu amor, não sabe como estava preocupado. – ele disse enxugando os olhos.
– Pai, o que houve? Onde a mamãe e a Lou estão? Quero ir embora logo! – disse agoniada.
Vi pela primeira vez em toda minha vida, uma lagrima cair pelo rosto do meu pai, ele segurou minha mão e abaixou a cabeça, eu conseguia ver a dificuldade para ele falar.
Eu acho que já sabia!
– Pai? – eu disse com a voz falhando, precisava de uma confirmação, não podia ser possível.
Meu pai falou tão baixo que por pouco não consigo escutá-lo, e ainda com a cabeça baixa ele conseguiu dizer:
– Eu — eu sinto muito, me desculpe... Não pude fazer nada para evitar, se pudesse voltar no tempo... Eu só... Me desculpe. – ele disse chorando sem conseguir conter muito.
Olhei para o Dr. Mendes afim de uma definição do que acabei de ouvir.
– Paty, você e eu pai... Foram os únicos... A sobreviver ao acidente. – disse Dr. Muniz.
No exato momento levei minha mão à boca não conseguindo controlar as lagrima que caiam dos meus olhos como chuva, junto a um suspiro de tristeza que não pude conter. E por uma fração de momentos me lembrei de quase tudo, da alegria da viagem, ao susto da estrada a tragédia de ver o carro virando ladeira abaixo.
– Tudo vai passar filha, eu prometo! – meu pai disse afirmando com a cabeça e secando as lagrimas e segurando minha mão. – Tudo vai passar. – ele disse.
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