Capítulo XXXVII

Apesar de todos os recentes acontecimentos Campos Sales não parava em relação às festas que iam acontecer durante a noite daquele dia trinta e um de dezembro. Estava tudo organizado para o divertimento. Será uma noite divertida... exceto para aqueles que estão sobre ameaça de morte.

China, Gustavo e Iris estavam mantidos em um local desconhecido para eles. Toda a iluminação vinha de um buraco no teto feito de madeira da casa construída igualmente do mesmo material. Os três sequestrados estavam acorrentados, que estava presa ao chão, á grandes e grossas madeiras. Uma mão das mãos dos três estava presa à frente do corpo e enquanto a outra estava presa logo atrás do mesmo. Os pés estavam presos da mesma forma. Tal posição não permitia levantar-se ou deitar no chão.

Iris dormia. China e Gustavo conversavam.

— Então você viu onde estamos?

— Vi- Respondeu Gustavo. – Estamos para bem depois do batalhão. É uma propriedade, ninguém nunca vai achar a gente aqui.

Batalhão é um bairro da cidade.

— Sinto muito por sua mãe. Mas me diga como você veio parar nessa?

— Eu não tenho certeza, mas acho que é por causa do meu pai. Aqueles agentes estavam lá em casa. Acho que aquele cara quer matar meu pai. Ei, você já tentou fugir daqui? É praticamente impossível acorrentado assim.

— Eu já tentei fugir. Quando eu cheguei esse local não era exatamente assim. Eu me soltei e fugi, mas o safado de Marcos e outro alguém que eu não conheço me pegaram. Os agentes correm perigo com aquele cara. Marcos não é quem...

— Marcos morreu em uma rebelião que teve na cadeia. Todos os presos fugiram. Muitas pessoas morreram.

— Sim. Eu matei ele. – Cicero surgiu de uma porta também de madeira. – A rebelião foi minha. Eu matei Francisca, Geovana e Roberto e vou matar seu pai.

— Me diga o motivo disso!- Gritou o garoto.

— Gustavo seu pai não é quem parece ser. Ele e os outros mandaram matar o meu pai e puseram a culpa em mim. Eu fiquei muitos anos em um presidio!

Havia ódio na voz do assassino. Ele aproximou-se de Iris e deu uma forte tapa na cara da menina. Ela acordou assustada.

— Não toque em minha irmã!- Gritou Gustavo.

— Se você gritar mais uma vez eu vou fazer pior do que da uma tapa nela. É chegada a hora. Você vai morrer China. É inútil para mim agora e eu quero que eles vejam você morrer. Mas eu tenho uma notícia para você: eu não vou te matar. Ele vai! Cicero apontou para Gustavo.

— Não! Eu não vou. – O criminoso apontou uma para a menina. – Por favor ,não!

Cicero aproximou-se e liberou Gustavo de uma das correntes. Suficiente para virar seu corpo para China. O assassino entregou uma arma para o menino. Por conta de que Iris estava acorrentada em um canto oposto ao local onde Gustavo estava ele não podia virar-se em sua direção.

— Você tem uma bala. Você escolhe entre a vida de China ou de sua irmã e depois mato ele. – A tranquilidade na voz de Cicero perturbava.

China estava de cabeça baixa. Não fazia nenhum barulho. Passava um filme diante dos seus olhos.

— Gustavo, acabou. Faça. – Disse.

Discutiram por vários minutos até o menino render-se.

— Eu deveria ter seguido a carreira de skatista. – Disse China.

— Ponha a arma na cabeça dele. – Ordenou Cicero.

China e Gustavo estavam próximos o suficiente para que um pudesse encostar-se ao outro caso estivessem desacorrentados. Iris começou a chorar quando viu Gustavo por a arma na testa do fotografo. Destravou a arma.

— Você vai arder no fogo do inferno! – Disse China.

Gustavo atirou. Jorrou sangue para todos os lados. O adolescente largou a arma e o corpo morto inclinou-se em sua direção.

— Excelente.

Cicero acorrentou novamente Gustavo.

José Lima havia acordado e estava sedente para sair daquele quarto de hospital, mas foi impedido por um médico que Eduardo pediu para tomar conta da vítima. O médico aplicou um calmante que fez o paciente dormir.

A Polícia Militar e o que restou da Polícia Civil já estavam na Praça da Igreja fazendo a segurança. Grande parte da segurança estava voltada para o centro da cidade, porém em cada bairro havia no mínimo uma viatura fazendo a ronda.

Savio vestiu-se.

— Savio você precisa nos dizer. Iremos dar um jeito nisso! – Disse Anderson. O prefeito acenou a cabeça negativamente. — Você não pode fazer isso!

— São os meus filhos! Você... não me diga o que eu não posso fazer! Você não quis me prender e agora não pode.

Saíram. O prefeito não deixou que eles fossem ao mesmo carro que ele.

No carro os agentes discutiam. Faltavam apenas vinte e nove minutos para o ano novo.

— O que vamos fazer?- Pensaram por vários segundos até que uma ideia veio à cabeça. – Já sei! Vamos perguntar a Jose Lima!

Um toque de esperanças veio no coração deles. A partir de agora não havia plano, eles iriam agir com a intuição e improvisação.

Eduardo parou o carro próximo a Praça Quadrada, pois as rumas a diante estavam interditadas para não passarem carros e motos- para esse ultimo tipo de veículo o impedimento era falho. Decidiram que a segurança de Savio era por conta de Anderson enquanto Eduardo iria ao hospital fazer contato com José Lima. Anderson desceu do carro e partiu correndo para não perder de vista o prefeito. Eduardo deu a partida no carro e seguiu para seu destino.

Faltavam quinze minutos para o ano novo.

A música que estava sendo tocada no palco foi interrompida.

— E agora teremos uma palavra do nosso prefeito... Savio Viana!- Disse o apresentador.

Savio subiu. Anderson estava logo atrás. O coração do prefeito estava muito acelerado de nervoso. Pensava em desistir, mas pelos filhos, especialmente Gustavo, era capaz de fazer... quase tudo.

— Não começe a cantar I Will always love you. –Disse Anderson. Savio riu.

— Povo de Campos Sales, como prefeito reeleito é de meu dever esta presente nos momentos tristes e tendenciosos, como os eventos recentes, mas também em eventos de... felicidade como os de agora nesse exato momento. Apesar de muita coisa boa ter acontecido esse ano de dois mil e dezesseis não me fara falta. Precisamos seguir enfrente com o arrependimento e esperar o melhor do futuro. A muitos anos atrás eu e quatro colegas... nós... bem, nós... fizemos algo... – Interrompeu-se muitas vezes e não conseguiu falar. – Bem, desejo feliz ano novo! Aproveitem a festa!

O microfone caiu ao chão quando Savio o largou. Um ruído muito auto saiu das caixas de sons. Ele desceu correndo do palco. Anderson correu atrás e pegou em seu braço.

— Savio você não vai! Você não pode ir assim. Me diga onde é que irei escondido! – Disse o Agente.

— Você não entende? Claro que não entende. Você não tem filhos e eu tenho. Eu perdi minha esposa e posso perder meus filhos. Olha só... eu sequer consegui dizer a verdade. Caramba!

— Eu tinha um filho adotivo. Ele foi assassinado. Eu já fui... – Foi interrompido.

— Você já teve um. Não tem mais.

— Savio eu darei um jeito. Só me diga onde é.

O prefeito ficou calado por alguns segundos. Esteve pensativo, mas obteve a sua resposta.

— Eu deveria ter mandado matar Cicero enquanto ele estava no presidio. Deveria ter matado como queima de arquivo, mas isso vai acabar hoje. – Savio socou o rosto de agente com tamanha força que fez ele caiu ao chão.

Ao levantar o Agente olhou ao redor em busca do prefeito, mas ele havia entrado na multidão. Não conseguiu acha-lo.

— Maldito.