Capítulo XXX

As buscas duraram todo o dia vinte e oito. Ela foi interrompida ao chegar da noite. A polícia estava buscando as cegas. Anderson tentou de diversas técnicas arrancar a informação do serial killer. O criminoso havia até mesmo se envolvido em uma briga na cela- e tinha apanhado- e Anderson o trocou de cela, fazendo-lhe um favor. Favor esse que não lhe foi retribuído de maneira alguma.

A procura recomeçou na oitava hora do dia seguinte. Os agentes interrogavam as pessoas, mas ou elas diziam que nunca viam Cicero em casa ou diziam que só o conhecia pelo vídeo da prisão. Visitaram a casa onde o criminoso mora e não conseguiram nada que os levassem ao paradeiro do sequestrado. Logo eles concluíram que o cativeiro não se encontrava em nenhum lugar do bairro Aparecida.

Seguiu-se incansavelmente, porém ao meio dia Anderson e Eduardo retornaram para o almoço no hotel onde estavam hospedados. Almoçaram, separaram-se, mas por volta das dezoito horas reuniram-se novamente.

— Anderson você acha que existe a possibilidade de...

— Sim. Eu acho.

— Você já começou a redigir o documento de investigação? – Esse documento é criado por Anderson ao final e conclusão de uma investigação. Nele contem a apresentação na íntegra do processo de investigação junto com as provas que culpam o acusado.

— Sim. Você sabia que eu mantenho no meu computador uma basta com todos os DDI de nossos casos?- Eduardo balançou a cabeça em um gesto de afirmação. – Hoje eu li um ou dois trechos de alguns desses casos... nós passamos por bastante coisa na nossa profissão.

— Foi mesmo. Um dia desses eu quero ler alguns. Eu nem estou velho como o Sherlock Holmes de Mr Holmes e já me esqueci de bastantes coisas.

O telefone de Anderson começou a tocar. Hesitou em atender antes de olhar o número: era da delegacia. Jugou ser algo importante.

— Pode falar Marcos. – O número era do telefone fixo do escritório do delegado.

— Agente Anderson?- O Agente estranhou por não ser quem ele esperava ser. A voz do outro lado estava extremamente tensa. – Eu sou... o policial David. O senhor não... me conhece, mas me mandaram ligar. – Sua voz estava trêmula, havia medo.

— Por qual motivo você esta falando assim? Encontraram China?- Eduardo ficou duplamente curioso.

— Antes fosse senhor. – Disse o policial.

— Então o que foi? O que aconteceu?

— Marcos esta morto.