O Suspeito Insólito
24 Capítulo XXIII
Capítulo XXIII
A velha mulher cujo nome é Maria Du Carmo, tomava na presença dos agentes uma xícara de chá na cozinha de sua sofisticada casa. Os três estavam sentados em cadeiras separadas ao redor de uma mesa de madeira velha. Ao fim da primeira xícara de chá Anderson optou por tomar café na desculpa de eliminar o restante do sono que ainda sentia.
— Ednaldo, bem, era um homem gentil. Ele era meu namorado na época que morreu. Ele era um policial. – Disse a mulher.
— Qual motivo que levou a sua morte?- Perguntou Eduardo.
— Foi assassinado. Esse ano completou dezessete anos que ele morreu... inclusive foi no dia dezessete desse mês.
Dia dezessete... mesmo dia que Francisca foi assassinada. Pensou Anderson.
— Quem o assassinou? Foi descoberto?
A mulher hesitou por alguns instantes antes de responder. Em sua mente passou uma lembrança que por anos tentou esquecer.
— Uma pessoa foi condenada. O filho de Ednaldo, Cícero.
Anderson e Eduardo trocaram olhares expressionistas.
— Cícero Freitas?- Perguntou Eduardo. A mulher acenou a cabeça afirmativamente. – Isso é uma surpresa!
— Ele foi condenado a muitos anos de prisão em um presidio que eu não sei onde fica. Ele deveria esta preso agora...- Ela interrompeu-se.
— ‘Deveria’? Por que diz isso? Acha que ele não esta?- Eduardo investigou a suspeita sobre a mulher.
— Não sei, tenho minhas dúvidas. Outro dia jurei ter visto ele no bairro. Sua aparência é mais velha desde a ultima vez que eu vi ele obviamente... ou é uma pessoa semelhante a ele. Eu não sei!
Fez-se silêncio por alguns minutos.
— Então Cicero matou o próprio pai, mas por qual motivo? Consegue imaginar Anderson?- Perguntou Eduardo.
— Eu falei que ele foi condenado, mas eu não acredito de forma alguma que Cicero tenha matado Ednaldo. Eu vivenciei muitos momentos com aquele pai e aquele filho. Eram como carne e unha. Ele não é culpado! Além disso, talvez eu tenha visto o assassino, mas não sei quem é ele. Na época várias pessoas estranhas começaram a rondar pelo bairro e especialmente pela casa dele. Nunca ninguém os viu aqui antes e nem depois que Ednaldo foi encontrado morto. As pessoas do bairro entraram em uma concepção sobre isso, mas pouco tempo depois eles se calaram. Ninguém mais falou sobre esses homens misteriosos. Além de tudo isso, pouco antes de Ednaldo morrer ele me disse uma coisa que me assustou.
— O que?- Disseram os agentes simultaneamente.
— Ele disse que tinha descoberto uma coisa. Um tipo de plano e que estava com medo. Ele sabia que ia morrer, eu tenho certeza disso.
Naquele momento os investigadores percebiam a quão profunda, antiga e complexa poderia ser a historia envolvendo Cicero e Os Cinco. Várias teorias passavam por suas cabeças. A solução do caso do Assassino de CS parecia cada vez mais distante, mas estava mais perto que eles imaginavam.
Nas próximas horas essa historia teria uma oportuna reviravolta que Anderson e Eduardo não previram e sequer imaginou a possibilidade, algo que nem mesmo Cicero passou a respeito.
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