Capítulo XIX

Os agentes sentaram frente ao garoto. Havia nervosismo e timidez no olhar do jovem, porém estava determinado em revelar um grande erro aos investigadores.

— Uma informação?- Disse Eduardo- Sobre o assassino? Você sabe quem é ele?- O Agente estava incrédulo, porém curioso como um ateu em relação a resolução de um mistério bíblico.

— Plural.

— Plural? Assassinos? – Indagou profundamente.

— Não! Informações. Mas acho que sei quem é o assassino- As palavras do adolescente saíram forçadas, mas foi o melhor que ele pode fazer.

— Quem é? E diga o motivo que acha que sabe quem Ele é- Eduardo olhava fixamente para o rosto do jovem buscando sinais de mentira. Isso intimidava o rapaz.

— Eu vou... contar uma coisa, mas preciso de duas garantias. A primeira é que essa história não vai sair daqui. A outra é que... – Foi interrompido.

— Uma história? É um boato?- Perguntou Eduardo. Anderson serviu água ao garoto que estava com as mãos excessivamente tremulas de nervoso.

— Não é um boato. Aconteceu, mas só eu sei por quem... e o motivo... – Ele interrompeu a si mesmo. Suspirou fundo e continuou: aconteceu comigo. Esse vai ser meu segundo depoimento.

Ao ouvir essa ultima frase, Anderson pegou o equipamento de filmagem que estava guardado em uma das gavetas da mesa, e ligou na direção do menino- Foi no dia quatorze. Três dias antes do assassinato da minha tia Francisca- Os agentes trocaram olhares ao ouvir a palavra tia— eu estava em casa e era noite. Eu estava jogando jogos pelo computador quando... eu recebi uma ligação. Sempre estranho quando recebo ligações nas férias, ninguém costuma me ligar. Nunca. A pessoa ligou quatro vezes até que atendi. Era um homem.

— O que ele disse?- Perguntou Anderson com um tom de voz ameaçadora.

— No princípio perguntou se era mesmo eu. Depois ele me disse que tinha uma proposta para me fazer. Perguntei o que era e ele começou a me falar sobre o meu trabalho lá no Caricatura.

Jonathan tomou água.

— ...e o quão difícil é para mim... o bullying que eu sofro. Achei que era uma forma de brincadeira de alguém de lá, mas ele me garantiu que não era. A voz... eu já tinha ouvido antes, mas não lembrava nome do dono. Comecei a achar que se tratava de um cliente muito atento. Ninguém nunca percebe que sofro bullying. Ele me disse que estava pretendendo fazer uma ‘brincadeira interessante’, nas palavras dele, ‘ uma coisa que vai fazer tanto eu- a pessoa do outro lado da linha- quando você- Jonathan- e muitos outros se divertirem.

— Que brincadeira?

— Ele não me disse. Me garantiu que não era nada de violento e que queria realizar na noite do dia dezessete durante o show da banda Blackout- Anderson deu uma rápida olhada para Eduard que remeteu o olhar- Então ele me pediu... — a voz do garoto falhou como se temesse o que fosse falar a seguir.

— O que?- Esperaram a resposta por quase um minuto inteiro em silêncio- O que ele pediu Jonathan? Diga!

A voz de Eduardo, que estava conduzindo o ‘ interrogatório’, engrossou para um tom ainda mais ameaçador.

O adolescente disse:

— Ele me pediu para eu desligar as câmeras de segurança do Caricatura para a ''brincadeira''- ele fez sinal de aspas com os dedos- não ser gravada.