Capítulo VII

A distância entre as coisas, o tamanho da cidade e a localidade do hotel favoreceu a velocidade com que Anderson e Eduardo chegaram à delegacia utilizando seu carro, um Palio, o que era pouco apropriado devido sua profissão, porém tiveram a liberdade de escolher seu carro.

Estacionaram o carro no local devido para essa finalidade. Ao entrarem na delegacia os policiais que lá estavam os receberam com muito respeito.

Eles eram muito conhecidos na região do Cariri devido a um de seus feitos durante sua profissão.

Esta, que os levou ao reconhecimento, aconteceu á dez anos. Nessa época, em dois mil e seis, eles inda não trabalhavam juntos, sequer conheciam-se. Uma nova droga havia entrado no mercado. Era uma substância que estava sendo produzida secretamente e ilegalmente por certa empresa sediada em Fortaleza, a capital do Estado do Ceará. Anderson seguia o rastro de um dos chefes da quadrilham, enquanto Eduardo seguia uma investigação que, por conta de coincidências, cruzou com o investigador Anderson.

Suas investigações os levaram ao seu encontro em Crato, Ceará.

Na época, Anderson era empregado do Governo e Eduardo um investigador particular. Após se conhecerem, juntaram forças para cumprir seus objetivos. Em outubro daquele ano conseguiram provas e arquivos que condenavam toda aquela organização.

A noticia saiu em jornais e revistas. Houve um processo judicial contra a empresa e ela perdeu. A empresa faliu.

Apesar desse feito, apenas em dois mil e nove que Anderson e Eduardo tornaram-se parceiros de profissão. Além de tornarem-se grandes amigos.

Os agentes foram diretamente ao escritório de Marcos. Eduardo, com sua impecável ‘ educação’, abriu a porta e adentrou sem cerimônia.

— Foram rápidos!- Disse Marcos surpreso. Ele estava falando no telefone- Olha, ligo depois. Preciso voltar ao trabalho. Tchau.

— O hotel é perto. Aqui estamos- Disse Anderson.

Os agentes sentaram em cadeiras confortáveis que estavam próximos a mesa do escritório. Sem demora, Marcos puxou de uma gaveta um saco plástico com o aparelho celular de Francisca em sei interior. Ele pôs frente a os agentes.

— Investigamos esse aparelho. Olha, não conseguimos acessar alguns aplicativos como o Whatsapp- o sotaque nordestino atrapalhou no pronunciamento do nome do APP- pois tinha criptografia e senha...

— Eu sei quebrar senha e criptografia...- Disse Anderson.

-... mas acessamos mensagens de texto em um aplicativo padrão de mensagem do celular e... bem, nós encontramos uma mensagem... interessante, digamos assim. — Marcos ligou o celular, ainda no saco plástico. Ele colocou a mensagem para os agentes visualizarem.

Dizia:

Eram cinco. Menos um, faltam quatro.

Ao lerem a mensagem, os olhos dos agentes ficaram travados por alguns instantes. Várias perguntas se passaram por suas cabeças.

— Fiquei igualmente surpreso quando a vi.

— Isso confirma nossas suspeitas. Se essa mensagem tiver origem pelo assassino... — Disse Eduardo após haver minutos de silêncio- Ele não mandou em confidencial. Veja aqui esta o número dele. Anderson... – Foi interrompido.

— Isso é obvio que o assassino não vai parar. Francisca foi apenas à primeira vítima. Droga! O assassino enviou a mensagem tendo certeza que ela ia morrer, ou após ter matado ela- Marcos e Eduardo ficaram em silêncio- O assassino a matou e deixou a arma do crime no local do ocorrido. Ao fazer isso ele planta uma duvida em que for investigar: o assassino fugiu ou permaneceu no Caricatura? Uma pergunta que não pode ser facilmente respondida.

— Você acha que...- Marcos foi interrompido.

— Não sei, Marcos. O assassino foi abençoado com as seis pessoas que saíram antes da policia chegar. Mesmo eu achando que ele permaneceu no Caricatura, não se pode deixar de lado os cinco- Ele ficou alguns minutos calados, depois continuou: A mensagem do banheiro e a mensagem do celular... não parece ser para a vítima...

— Ou para as vítimas...

-... e sim para os investigadores. Foi sua forma de falar conosco. Ele é um psicopata e quer ser caçado. Foi inteligente, não deixou outra pista além das duas mensagens. Outras quatro pessoas estão em sua lista, mas quem são eles? E porque eles? Quando ele vai agir? Ele só vai parar quando cumprir seu objetivo... ou se for pego.

— Podemos ainda pega-lo- Disse Marcos.

— Isso se ele ainda não tiver matado os outros quatro. Mesmo assim vai ser difícil...

— Marcos, mande a polícia ficar atento em cada pessoa que morrer por assassinato na cidade. Qualquer um deles pode ser o próximo- Ordenou Eduardo.

— Certo.

— Aproposito, quantos habitantes têm Campos Sales?

— Cerca de... trinta mil habitantes- Eduardo

— Merda!

— Droga! Ele... se pensarmos bem, ele planejou mesmo. Até as câmeras não estavam funcionando naquela noite. Ele sabotou a câmeras...- Disse Anderson. Marcos ficou surpreso, não tinha penando naquilo antes.

Houve um longo silêncio depois disso.

Algumas horas depois, a noite caiu.

Cicero estava sentado em uma cadeira de balanço em um quarto mergulhado na escuridão. A falta de iluminação foi quebrada no momento em que retirou do seu bolso um aparelho celular e o ligou.

Digitou alguns números e apertou no botão de chamada. Segundos depois a ligação foi atendida.

— Você sabe, não sabe? Sou eu outra vez- Disse Cicero. Havia calma em sua voz metálica- E eu tenho uma proposta para você.

— Não quero! Não quero mais fazer isso!- Disse a pessoa do outro lado da linha.

— Você vai fazer! Ou eu vou atrás de você também. Eu sei que você não vai resistir. Sua recompensa será uma boa grana, prometo- continuou Cícero. No outro lado da linha permeou o silêncio por quase um minuto- Eu não sabia nem cheguei a imaginar que aqueles agentes apareceriam. Campos Sales, especialmente a polícia, não costuma ser tão competente assim. Mas eu acredito que sei onde isso vai parar- A pessoa do outro lado da linha suspirava constantemente- Tenho tudo para meus planos realizarem, mas preciso de sua ajuda. Vou dizer minha proposta, me escute com muita atenção...