Prólogo

Naquela noite chovia, evento raro naquele ano de dois mil e dezesseis em Campos Sales. As nuvens escureceram a cidade.

A mais alta classe dos camposalenses permaneceu em suas casas, mas a chuva não impediu os jovens de saírem.

José Lima estava sozinho em sua casa após sua mulher e filho saírem para o Bohemia. Estava sozinho, como pensava, mas estava errado.

Ele estava sentado em sua poltrona preferida- na sua casa existem 3- que fica na sala de estar. Lia O Alienista, obra de Machado de Assis, seu escritor favorito. A casa estava escura, ele não se deu o trabalho de ascender as luzes- apenas a do abajur, próximo a sua poltrona, para facilitar sua leitura. Estava tão emergido na obra que deixou cair um copo de café ao chão.

No andar de cima da casa estava Dino, o cachorro. Ele permanecia deitado no quarto de Jonathan, o adolescente da casa, porém seu instinto o fez levantar. Pressentiu algo estranho na casa e pôs-se a procurar a razão de sua atenção. Da porta do banheiro atravessava um homem vestido de roupas pretas, incluindo botas e um pano que cobria seu rosto- deixando de fora apenas o nariz. Seus passos eram silenciosos como as de um gato, porém Dino notou sua presença.

O cachorro começou a latir desesperadamente para a figura que estava diante de si. O Homem assustou-se inicialmente, sua operação estava sendo estragada por um cão.

— Dino, cala a sua maldita boca! cachorro idiota- Gritou José.

O cachorro decidiu-se: atacou o Homem. A mordida oi em sua mão. Esforçou-se para não produzir barulhos com a voz. Naquele momento o Homem conseguiu forçar o cachorro a entrar no banheiro. Em seguida ele fechou a porta, prendendo o animal do lado de dentro. Por alguns segundos ele continuou a latir, porém parou. O Homem dirigiu-se em direção a escada e pôs-se a descer sobre ela. Percebeu que havia luz na sala logo à frente ao cômodo que pretendia entrar. Pegou do seu bolso traseiro direito um pequeno dispositivo e apertou o botão. Um alarme de carro começou a praguejar. José interrompeu a leitura.

— É meu carro!- Ele largou o livro e correu para averiguar o motivo do carro alarmar. Colocou sua capa de chuva e seguiu pela porta da frente. O Homem o viu sair, mas não foi visto.

Desceu rapidamente pelas escadas e entrou no escritório de José. Dirigiu-se para o computador que por sorte estava ligado. Vasculhou o computador até encontrar o arquivo que desejava na pasta Diário. Abriu para verificar as informações, colocou um pen drive na entrada USB da CPU e enviou o arquivo para o dispositivo. Estava a cinquenta por cento quando o alarme do carro parou.

Tornou-se impaciente, pois José poderia entrar na casa a qualquer momento. Quando o arquivo foi transferido totalmente ele fechou as janelas que tinha aberto no computador, retirou seu pen drive e saiu. Ao fechar a porta do escritório e começou a subir as escadas José abre a porta de entrada/saída. Parou bruscamente ao ver o indivíduo sumir na escuridão da casa.

— Jonathan? Jonathan é você?- Disse. Não houve resposta.

José ligou o interruptor de luz e o ambiente ficou perfeitamente claro. Ele pode ouvir o grunhindo do cachorro que foi atingido por um golpe. Começou a subir as escadas cautelosamente em busca da pessoa que acabou de ver. Seu coração batia forte, mas sua curiosidade era maior que o medo.

Vasculhou os quartos e nada. Ao abrir a porta do banheiro ele encontrou o cachorro deitado ao chão. Não estava morto, mas estava desmaiado. A janela, grande o suficiente para passar um homem, estava arrombada.

Notas finais
Esse é o início da minha primeira narrativa. Espero mesmo que gostem. Obrigado a aqueles que leram até o final do Prólogo.