O Suspeito Insólito
28 Capítulo XXVII
Capítulo XXVII
— Eu fiz muito errado em ter envolvido um civil... China. – Lamentou Eduardo.
— Nós fizemos. Você não esta sozinho. É minha culpa também, mas nós vamos encontra-lo.
— Anderson- Eduardo aproximou-se do seu parceiro de profissão- nós prendemos o culpado, mas só seguiremos em frente quando encontrarmos China vivo... ou... certo?
— Claro. Ele é seu amigo e só esta nessa situação por nossa culpa, mas espero que entenda: nosso dever ainda não acabou. Encontramos o culpado, encontramos uma prova contra ele, temos a sua confissão, mas surgiram outras variáveis. Você sabe de quem estou falando. Os casos se cruzaram, assim como aconteceu com a gente a muitos anos atrás. Precisamos intervir. – Eduardo acenou afirmativamente. – Eu fiz ligações, os chamei a delegacia... ainda hoje eles estarão aqui.
— Hoje? Mas esta quase anoitecendo... pensei em ajudar os policiais na procura por China!
Anderson estava usando um programa de computador onde tentava comparar a voz de Cicero do áudio de Francisca para Lúcia com a voz do mesmo, gravada ali na delegacia com a mesma frase. O resultado foi em 91% semelhante. Anderson também era muito bom com computadores e tomou a liberdade de usar um programa para descodificar o Whatsapp de Francisca. Ele havia confirmado a veracidade da conversa.
— Vá. Pode ir. Tudo bem. Eu ficarei para... – Foi interrompido.
— Você é uma ótima pessoa. Eu irei. Pegarei o carro.
Os agentes passaram vários minutos conversando até que Eduardo resolveu ir.
Cerca de dez minutos depois José Lima, Roberto e Savio chegaram.
Os três estavam desconfiados quando se encontraram na delegacia. Foram direcionados a uma sala onde Anderson os estava esperando.
— Savio, nós pegamos o assassino de sua mulher.
— Pegaram! Meu deus, que é ele?- Savio entusiasmou-se.
— Alguém conhecido... tenho certeza que vocês o conhecem. Ele se chama Cícero. – Respondeu Anderson.
— Cícero?- Disse José Lima.
— Cicero Freitas, filho do falecido policial Ednaldo Freitas que foi assassinado- O Agente deu ênfase nessa ultima palavra- há dezessete anos.
José Lima, Roberto e Savio trocaram olhares desconfiados. José Lima, sempre rabugento, disse na tentativa de disfarçar o desconforto:
— Tudo bem, Agente. Você encontrou o assassino de Francisca, mas o que isso tem haver comigo?
— José você não precisa fazer isso. Nós descobrimos que eram vocês os próximos da lista dele e também descobrimos o motivo de tanto ódio. Eu tenho certeza que vocês lembram-se de certos eventos de dezessete anos atrás... O que fizeram foi um crime!
— Não sabemos do que você esta falando. – Disse Savio.
— Por favor, Savio, não finja que é bobo. Eu tenho as provas do que fizeram. Eu tenho as evidencias dos absurdos praticados por vocês três e Francisca e Geovana também. – O trio ficou pálido. – Vocês tem consciência que não são pessoas muito melhores que Cícero? Ele é cruel, mas o que fizeram não... Roubaram tudo aquilo e mandaram matar até mesmo uma pessoa! Isso se tiver sido somente uma.
— Como você descobriu? – Disse Roberto.
— Eu acredito que sou um profissional competente. Podem ver no meu curriculum, mas às vezes uma investigação só vai para frente por intermédio de outras pessoas. Um crime não é perfeito quando se é deixado migalhas para trás julgando que as mesmas não podem alimentar um mendigo.
— A mandante foi Geovana! – Disse José Lima, admitindo o feito.
— É claro que iriam por a culpa em uma das duas. Mesmo se tiver sido Geovana vocês três são considerados igualmente culpados. Cícero pretendia matar cada um de vocês por terem matado Ednaldo e o terem mandado para um presídio!
— Mas você o pegou! – Disse Roberto.
— Sim, e ele vai pagar pelo que fez. – Disse Anderson.
— Quanto você quer para... – Savio tentou ofertar.
— Não se engane, Savio. Subordinação também é um crime. Eu não sou uma pessoa que se possa comprar. Estou aqui apenas para cumprir com o deve da lei. Estou proibindo vocês de saírem da cidade. E eu sei que vocês sabem que, devido ao meu histórico, eu tenho autoridade para fazer isso. Eu não vou prender vocês essa noite. Darei o privilegio indevido de permanecerem em liberdade até a primeira semana de dois mil e dezessete. Farei isso devido às coisas boas que os três fizeram para Campos Sales. Os três são pessoas importantes para a política local, tentem nesses dias restantes deixar as coisas organizadas o máximo possível para os próximos lideres. Passe um tempo com seus familiares. Aproxime-se mais de seu filho, José. Ele não é covarde. É uma pessoa que merece atenção. — José Lima foi tocado, porém nesse momento surgiu na sua cabeça a ideia de que seu filho o tinha traído. – Savio retire o toque de recolher já que o serial killer esta preso. Os três... não saiam da cidade. Eu vou ordenar que dois policiais de extrema competência fiquem de olho em vocês.
Nenhuma objeção foi feita. Nenhuma palavra foi dita entre os quatro presentes. Em seguida o trio retirou-se.
Anderson ficou sozinho imaginando se os três iriam cumprir as exigências.
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