Capítulo XXVI

Cicero estava algemado com os braços para trás. Ele estava sentado em uma cadeira e olhava para todos que estavam presentes na mesma sala que estava. O criminoso já havia recobrado a si mesmo depois da surpresa de meia hora atrás e agora repassava a imagem de alguém que não se importava com sua atual situação.

— Por favor, cavaleiros, puxem uma cadeira e sentem no chão. – Zombou.

Todos estavam com serias expressões, exceto Cicero que estava a rir do que tinha acabado de dizer.

Eduardo pegou uma cadeira e colocou frente ao suspeito e em seguida sentou-se. O que separava os dois era uma mesa de madeira com formato retangular.

-Você matou Francisca e Geovana. – Disse o Agente.

— Sim. – Respondeu.

— E você simplesmente confessa. – Eduardo enojou-se. Cicero revirou os olhos,

— Ah, por favor Eduardo. Olha pra mim: eu estou preso.

— Você ia matar outros três. Aqueles três...

— Não. Eu ainda vou matar eles!- Cicero acenou a cabeça em sinal afirmativo.

— Por favor, os policiais que não são encarregados desse caso saiam. – Ordenou Marcos. Três policiais saíram. Ficaram na sala apenas os agentes, Marcos e o acusado.

— Eu te disse que ia pegar você. Eu falei. Era para ter me matado quando teve a chance naquela noite. – Continuou Eduardo.

— Deveria mesmo, mas não fazia parte do plano matar você. E nem o motorista da ambulância... e nem outro inocente. Vejo agora que não funciona essa tática. Vejo agora que agir dessa maneira... eu deveria...- Interrompeu-se. – Onde foi mesmo que eu errei?

— Você deixou migalhas espalhadas e nós achamos todas. – Disse Anderson. – Os seus crimes... quase perfeitos. Sabe, eu e Eduardo já resolvemos vários casos juntos. Três deles foram envolvendo serial killer. Juro que dos três você foi o mais difícil de pegar. Dos três você é o que possui história mais complexa, não é simplesmente alguém que resolveu sair matando as pessoas, porém contrariando algo que eu disse antes: você não é tão inteligente como eu pensava.

— Obrigado Agente Anderson. – Disse o assassino. – Vocês não vão perguntar o motivo que eu... ou já sabem?

— Nós já sabemos. Sabemos o que os Cinco fizeram contra você e o seu pobre pai. São atitudes como a sua que tornaram as vítimas uns verdadeiros criminosos. Sabe, por um momento eu senti pena de você, mas lembrei que você é um assassino miserável- Disse Eduardo- Existiam outras formas de resolver isso. Você tinha todas as provas necessárias. Você era a vítima de toda essa historia, mas se tornou um dos vilões. Nós vamos fazer o possível para desmascarar todo o esquema e você vai pagar pelo o que fez.

— Você não sabe o que é passar dezesseis anos em um presidio sofrendo agressões físicas, morais, emocionais e psicológicas. Você não sabe o que é ser estuprado. Você não sabe como é pagar por um crime que não cometeu!- Disse Cicero.

— Meus parabéns! Você vai agora para um presidio pagar por crimes que cometeu, mas antes me responda algo: você não esta preocupado?- Disse Anderson.

— Eu deveria?

Eduardo ordenou que Marcos levasse o criminoso para uma sela onde não houvesse ninguém.

Nesse momento Cicero fez uma pergunta que fez o mundo de Eduardo girar.

— E China?- Eduardo olhou para Cicero confuso. – Não sentiu falta dele? Falta do seu amiguinho?

Eduardo levantou-se. Pediu emprestado o celular de Anderson e digitou alguns números e em seguida apertou o botão de ligar. Vários segundos passaram-se e o outro lado da linha não atendeu. Por alguns momentos a respiração dos presentes, com exceção de Cicero e Marcos, travou. Eduardo estava com os olhos focados no criminoso presente enquanto sua mente pensava no seu amigo.

— Sim, eu sei sobre ele. Sempre soube. – Disse o assassino. – Onde será que ele esta agora? Ou melhor; como ele esta agora?

— Você fez alguma coisa contra ele?- Eduardo ficou agitado.

— Eu não sei. Será que fiz?

— Onde ele esta?- Gritou Eduardo.

— Sabia que o ser humano pode sobreviver vários dias sem comer nada? Porém sem beber água... – A voz de Cicero soava brincalhona.

— Onde é que... – Eduardo foi interrompido.

— Se não me soltarem você, Eduardo, só ira vê-lo quando estiver morto... ou nunca mais!- Cicero gargalhou.

— Seu doente! Se não me disse... eu mato você!- Gritou Eduardo.

— Não, não, por favor. Não faça isso. Primeiro eu preciso cumprir meu objetivo.

Eduardo investiu contra Cicero. Anderson segurou seu parceiro, mas não antes dele acertar um soco no rosto de Cicero que logo caiu ao chão.

— Tortura é crime aqui no Brasil.

— Isso não é tortura para você, seu doente!

— Fique calmo, Eduardo!- Disse Anderson.

-Acho que eu dou um bom Coringa, não acha?- Cicero continuou a rir.

Anderson ordenou que Marcos levasse o preso.

Quando Eduardo acalmou-se, ele passou a continuar ligando para China.

— Marcos vai organizar uma busca por China. Vão começar pelo bairro Aparecida... lá pelas proximidades da casa do... – Anderson foi interrompido por Marcos.

— Só é depois de quarenta e oito horas que uma pessoa é considerada... – Foi interrompido também.

— Eu não me importo! – Disse Eduardo. – Faça o que Anderson disse.

Houve um momento de silêncio.

— Sim.