O Suspeito Insólito
26 Capítulo XXV
Capítulo XXV
— Eu sou o Agente Anderson e esse é o Agente Eduardo. Somos da...
— Sim, sei quem vocês são. – O enfermeiro colocou a papelada que estava segurando sobre uma mesa metálica. — O que desejam?
— Gostaríamos de fazer algumas perguntas se não for atrapalhar o seu trabalho.
— Atrapalha um pouquinho, mas podem fazer essas perguntas. – Gabriel, que estava sentado, levantou-se e tomou água em um bebedouro a sua esquerda e em seguida retornou ao seu acento.
— Você lembra-se de Ednaldo Freitas?
Gabriel engoliu em seco.
— Acho que... acho que si... sim. Eu lembro.
— Temos uma informação a confirmar. Você confirma que cuidou dele nos seus últimos dias de vida? Qual era a sua idade na época?
— Não exatamente nos últimos dias, mas sim, eu cuidei dele. Eu tinha acredito que vinte. Agora tenho trinta e seis, farei trinta e sete amanha.
— Qual a sua relação com ele e com seu filho?- Perguntou Eduardo.
— Profissional. Eu estava fazendo faculdade na época. Ednaldo foi um dos meus primeiros pacientes, se assim eu posso dizer.
— Sua relação com ele era apenas profissional? E a sua...
— Profissional.
— E sobre o filho de Ednaldo? Sua amizade com Cicero Freitas não interferiu em nada?
Houve um momento de silêncio. O enfermeiro pensava a respeito enquanto julgava as pessoas a sua frente. Ele olhava momento para um e momento para o outro. Estava inserto, inseguro, trêmulo e nervoso. Uma fita passava por sua cabeça.
— Como vocês ficaram sabendo disso? Qual o proposito dessas perguntas? Como souberam da minha relação com os Freitas? Como vocês... conseguiram chegar a mim?
— Como assim chegar a você? Você tem algo a esconder, Gabriel? Onde você estava no dia dezessete entre as dez horas e onze horas do mesmo dia?- Perguntou Anderson em tom ameaçador.
— Em casa! Respondam minha pergunta.
— Onde você estava no dia vinte e dois entre as sete horas e dez da noite?- Perguntou Eduardo.
— Em casa. Respondam a porra das perguntas!- Disse em tom agressivo.
— O que é isso? Você quer ser preso? Olhe como você fala conosco. Nós que fazemos as perguntas. Porque você esta agindo dessa forma?
— Me desculpe. Eu não quis falar assim... Ok. Olha, Cicero me pediu muitos favores. Se não fosse por ele eu não teria cuidado do seu pai. Admito. Pobre Cicero.
— Porque você sente pena dele? Por ele ter sido preso e incriminado pelo assassinato do...
— Cicero não matou o pai dele.
Os agentes franziram a testa. Trocaram olhares e acenaram a cabeça um para o outro.
— Gabriel, qual foi a ultima vez que você viu seu amigo Cicero?
As mãos do enfermeiro tremiam. Seus pensamentos negavam responder aquele pergunta. Ele pediu para os agentes saíssem da sala, pois tinha que voltar ao trabalho. Naturalmente os investigadores insistiram.
— Saiam. Vocês precisam ir. Conheço meus direitos. Amenos que vocês tenham um mandado do juiz de interrogar-me assim ou me levarem, vocês não podem atrapalhar o meu trabalho.
Olhares duvidosos foram direcionados ao enfermeiro.
— Me deu o seu número de celular. Entraremos em contato para você prestar depoimento... na delegacia- Eduardo provocou. A palavra delegacia fez o corpo de Gabriel estremecer. Ele anotou seu número e deu aos investigadores. – Por que todo esse nervosismo Gabriel?
O enfermeiro apontou para a porta de saída. Os agentes saíram.
Os agentes discutiram sobre o interrogatório com Gabriel desde o momento em que saíram da sala do enfermeiro até o momento em que entraram no carro. De uma janela Gabriel, escondido, observava. Ele pegou seu telefone, digitou alguns números e apertou no botão de ligar. Alguns segundos depois a ligação foi completada.
— Eu não sei como, mas eles chegaram a mim. Eles sabem. – Disse.
Os agentes foram para o hotel onde estavam hospedados. Almoçaram e por volta das quatorze horas foram para a delegacia. Ao chegar no seu destino avistaram Marcos conversando com outro policial na portaria da delegacia.
— Eu não te vi ontem. – Disse Anderson a Marcos quando se aproximou.
— Posé, tirei o dia de folga. Estava de ressaca o dia todo. – Ele riu.
— Temos muita coisa para contar a você. De ontem para hoje tivemos muito progresso. Temos agora um forte indício sobre quem é o assassino. Não temos provas, mas temos muita certeza que esse é o cara. — Disse Eduardo.
— Quem é?- Perguntou curioso o delegado.
— Uma pessoa chamada Cicero Freitas. – Eduardo sussurrou o nome no ouvido do delegado.
Marcos assumiu expressão de surpresa. Eduardo o convidou para entrar, pois iria explicar tudo que tinham descoberto. Rapidamente Marcos e Eduardo, e também o outro policial que estava na companhia do delegado, entraram. No momento em que Anderson ia segui-los foi abordado por uma mulher.
— Agente Anderson?- Disse ela. Ele virou-se para a pessoa.
— Sim?- Respondeu.
— Meu nome é Lúcia. Eu cheguei ontem de viagem, por isso não trouxe o áudio pessoalmente. Tenho certeza que Marcos explicou tudo direitinho. Eu deveria vim mais tarde, porém estou muito curiosa. Marcos não me deu resposta então decidi vim aqui. O áudio serviu para algo?
— Minha senhora, que áudio? Acho que se confundiu – Disse o Agente confuso.
— Não, eu não me confundi. Você é Anderson e esta junto com Eduardo investigando o caso do Caricatura. Esqueceu? O áudio que eu mandei para o Whatsapp de Marcos para mostrar a vocês. Aquele áudio com a voz do homem que me arrepiou a espinha. Acho que pode ser a pessoa que vocês estão procurando.
— Voz? Marcos não mostrou áudio nenhum para mim. Que áudio é esse, minha senhora?
— Ele não mostrou? Ele falou que mostrou. Há! Ele deve ter se enganado e pensado que mostrou... Espere, eu vou mostrar para você.
Lucia pegou sua bolsa a qual a alça estava segura no seu ombro, abriu e retirou um smartphone e foi no aplicativo do Whatsapp. Anderson observava e a viu ir no chat dela com Francisca. A mulher pressionou para produzir um áudio... No inicio Lucia pediu desculpas pelo o que ela e Francisca conversavam, porém enfim havia chegado na parte em que interessava.
Anderson ficou surpreso ao ouvir o áudio. Ao fim do mesmo ele disse:
— É isso! Pegamos ele!
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