Capítulo XXIV

Após um longo papo sobre Ednaldo e seu filho, Anderson finalmente fez a pergunta que deveria ter feito antes, algo que, inconscientemente mudou a investigação.

— O que a senhora pode-me falar sobre o Cicero que conheceu?

— Meu filho, eu gostava demais daquele garoto. Sempre me ajudou por aqui. Ele era gentil como o pai. Ele era muito inteligente também. Era uma pessoa solitária, é verdade, mas ele tinha virtudes que a maioria dos jovens de antigamente não tinham. Eu sequer posso falar sobre elas. E com o pai dele tudo era diferente. Sempre cuidou muito bem do pai... ele o Gabriel Camargo.

— Quem é esse?- Perguntou Anderson.

— Há! Na época do assassinato, embora Ednaldo ainda estivesse em ativa como policial, ele sofria de problemas de saúde. Gabriel Camargo foi o enfermeiro que cuidou de Ednaldo. Gabriel e Cicero eram grandes amigos, para onde um ia o outro ia atrás dele. Acredito que Gabriel trabalhe no hospital da cidade... ao menos trabalhava na ultima vez que eu fui la.

— Hm.

— E a casa onde Ednaldo morava?- Perguntou Eduardo na tentativa de comprovar algo que ele imaginava- Não era dele, era?

— Desde que o conheci eu pensava que era. Jurava que era. Não sei. Depois de um ano da morte do homem a casa foi vendida para os Fiuza por tal de Francisca. Sabem quem ela é?

No final do interrogatório eles agradeceram a Maria Do Carmo pelas informações, pelas xícaras de chá e pelo café. Despediram-se da velha senhora e foram em rumo ao seu carro,

— Interessante. Maria acha que ele não matou o pai, mas eu acho o contrário.

— Devemos pensar em algumas coisas, Eduardo. Não seja precipitado. Lembra que Maria disse que Ednaldo era policial e que tinha descoberto algo? Lembra que Jonathan falou que achava que os Cinco haviam matado pessoas para encobrir seus atos? Esse Ednaldo pode ter descoberto o que eles estavam fazendo! E claro que isso não estariam nos arquivos de José, afinal lá apenas estão informações que ele poderia precisar e não uma, ou várias, mortes. Eu tenho certeza que os assassinatos ele se lembra perfeitamente.

— Porra! Era só um assassino e agora são seis. Estamos tentando salvar assassinos e ladrões,

— Talvez eles tenham mandado matar o homem e puseram a culpa em Cicero. Se Cicero era como a mulher disse, acredito que ele era incapaz de matar seu pai ou qualquer outra pessoa, mas anos e anos preso injustamente em um presidio pode acabar mudando a forma de pensar das pessoas. Cicero pode esta agindo por vingança, mas não vingança pela casa e sim pela morte de seu pai e pela culpa que puseram no nome dele. Se for assim ele é inocente na questão da morte do pai e eu... – Foi interrompido.

— Onde vamos agora?- Eduardo não estava gostando da perspectiva do seu parceiro, porém admitiu para si mesmo que aquela versão fazia mais sentido.

— Estou pensando em ir falar com Gabriel Camargo.

Entraram em um acordo e partiram para seu novo destino.

Anderson estava agora na direção do veículo. Rapidamente chegaram ao Hospital Publico. O carro foi estacionado e os dois caminharam o restante do trajeto.

— Olá, bom dia. – Disse Anderson. Ele olhou para o relógio que marcava onze horas e cinquenta e quatro minutos. – O enfermeiro Gabriel Camargo trabalha aqui? Ele esta?

— Sim, trabalha. Acredito que ele não esteja tão ocupado agora. Entre por essa porta, siga o corredor a direita e entre na porta... Bem, eu levo vocês lá. — Disse a recepcionista. Ela andou pelo caminho que havia dito. Os agentes a seguiam. Vários segundos depois eles pararam frente a uma porta. – Ele esta aqui. Acredito que ainda esteja a conferir exames, mas nada muito trabalhoso.

Ela saiu. Anderson bateu a porta.

— Enfermeiro Gabriel Camargo?- Anderson empurrou a porta.

— Sim?- Respondeu ele.

Quando a porta estava totalmente aberta eles se depararam com um rosto familiar.