Capítulo XVII

China havia levantado mais cedo na manha daquela segunda feita. Estava sóbrio, porém de ressaca. Tomou seu café da manha antes das seis horas e esperou o momento certo para sair do conforto de sua casa para cumprir o serviço de que lhe foi dado.

Por volta das nove horas da noite ele já estava em operação.

Em pouco tempo havia seguido Cicero por várias localizações no centro da cidade. O fotografo achava que passava despercebido. Achava, mas estava errado. Cicero andava a engana-lo. O assassino esperava o momento certo onde realizaria o seu plano contra mais esse inimigo.

Por volta das quatorze horas, os agentes retornaram a delegacia. Haviam acabado de almoçar em um restaurante próximo a ‘ Praça Quadrada ‘. Eles não se sentiam confortáveis na delegacia.

Marcos não havia aparecido até aquele horário. Anderson achou estranho, mas logo foi informado que o chefe constantemente faz isso.

— O que faremos Anderson? Não temos mais nada que possa nos guiar a esquerda ou a direita nesse caso.

— Continuaremos então no que já temos. É o que faremos. Já estivemos em casos em que aparentemente não havia nada... fora... – Foi interrompido.

— Vamos admitir Anderson. Eu quero muito... – Eduardo também interrompido, porém dessa vez pela chamada de celular que Anderson recebia. O agente pediu desculpas e atendeu.

A conversa durou vários minutos e o semblante do agente estava sério.

— O que?- Ao finalizar a chamada, Anderson disse:

— Eu havia notada uma coisa estranha na lista de presentes no Caricatura. Percebi alguns dias depois que chegamos, mas eu estava em dúvida. Minhas suspeitas foram confirmadas.

— Vai dizer ou vai fazer suspense?- Eduardo pegou a Lista e começou a analisar. Anderson apontou para um nome em particular: Ismael de Souza Alencar. – O que tem esse nome?

— Foi o único que Marcos não conseguiu encontrar. De forma alguma, mas na Lista mostra que ele estava presente. Eu pedi para um amigo meu que trabalha no governo para checar os nomes dos suspeitos. Ele não encontrou absolutamente nada em Ismael de Souza Alencar. Nem multas de trânsito, nem endereço, familiares, cartões de crédito, certificados de nascimento... nada!

— Poderia ser uma criança não registrada.

— Me disseram que crianças de até seis anos não pagavam. Pode ser isso... ou...

— Um nome falso!- Exclamou Eduardo.

— Sim. Se eu fosse o assassino eu usaria uma identidade falsa para comprar o ingresso. Eu pensei em uma coisa... o assassino poderia entrar com a identidade falsa, mas não poderia entrar outra vez mais tarde cm a verdadeira. Imagine se ele tiver um cumplice. O assassino pode ter entrado com sua verdadeira identidade e o cumplice com a falsa. Ele pode ter feito isso para que fosse suspeito o Ismael, caso a polícia descobrisse a identidade falsa.

— Ou o assassino pode ter sido simplesmente abençoado com alguém que entrou com uma identidade falsa sem ser cumplice dele. Pode ser uma coincidência.

— Eduardo, você sabe. No mundo da investigação... eu não acredito em coincidências. A identidade Ismael pode ter sido usada para obrigar quem estiver investigando a não suspeitar exclusivamente de apenas uma pessoa. Não podemos!

— Se houver um cumplice ou ele é uma pessoa desconhecida que não tenha influências sociais, caso contrário as pessoas o iriam identificar, ou ele não mora aqui- Disse Eduardo. – O que você acha?

Anderson, que estava sentado, levantou-se. Andou por alguns segundos, tomou água enquanto Eduardo permanecia calado a espera da resposta.

— Isso complica a investigação. Eduardo, eu não sei.