O Suspeito Insólito
17 Capítulo XVI
Capítulo XVI
Os primeiros raios do sol da manha seguinte ao natal haviam chegado. A população camposalense agora começa a levantar-se de suas aconchegantes camas para enfrentar outra longa segunda-feira de trabalho. Vários jovens, aqueles ainda presos à jornada escolar, estavam agora de férias e poderiam permanecer mais tempo no se sono. Esse seria o caso de Jonathan Lima, que fará o terceiro ano do ensino médio no ano seguinte.
Uma grande diferença entre Jonathan e vários dos outros adolescentes de sua idade é o fato dele ser ensinado a acordar o mais cedo possível.
— Apenas os bem-sucedidos acordam cedo- Nas palavras do seu pai.
Nunca reclamou. Ele gostava de acordar logo ao raiar do dia, porém decidiu ficar mais tempo deitado. Teve uma péssima noite de sono, em partes por culpa dos jogos jogados no seu computador e os seus estudos de logística e programação. Era excelente em se tratar de computadores por isso decidiu ter no seu curriculum do ensino superior algo que fosse relacionado a computadores. Claro, José é contra.
Jonathan não culpava apenas suas atividades noturnas como principal culpada de sua falta de sono. Na verdade foram os seus pensamentos profundos que tanto o incomodava nos últimos dias.
Ele estava deitado, porém não havia o menor sinal da vinda do sono. Escutava Nick Drake, seu artista solo favorito, na presença do seu fiel amigo-cachorro chamado Dino, que por sinal estava mergulhado no mais profundo sonho que jamais teve.
O garoto não estava com a mínima vontade de tomar o café da manhã.
Logo após as sete horas da manhã ele retirou os fones de ouvido na tentativa de definitiva de dormir. A casa estava silenciosa, exceto por uma conversação vinda do andar de baixo. Curioso, o garoto desceu as escadas cautelosamente para identificar os integrantes da conversa. Eles conversavam no escritório do seu pai. A porta estava aberta.
A medida que chegava próximo do primeiro degrau, de baixo para cima, identificava com mais clareza os donos das vozes: O prefeito Savio e seu pai. O fato do prefeito nunca ter ido a sua casa chamou a atenção do adolescente.
Esforçou-se para ouvir a conversa.
-... me chamou muita a atenção- Disse José Lima
— Você me fala isso com essa naturalidade? Eu não posso acreditar que... que manteve um arquivo tão perigoso como esse! Poderia incriminar a todos. Poderíamos ir para... já imaginou se caísses nas mãos erradas? Alias, caiu. Ninguém com boas intenções faria isso- Savio falava com tom de irritação- Você ao menos descobriu quem o roubou?
— Não. Eu pensei logo que foi o Jonathan aquela noite, mas a data e o horário batem com o horário que ele estava com a mãe em outra parte da cidade- Ao ouvir seu nome o garoto surpreendeu-se.
— Você apagou o arquivo?- Outra voz familiar foi ouvida pelo garoto.
‘ “José Roberto também está aqui”, pensou.
— Sim, a um mês atrás.
— Isso me deixa indignado, José- Disse Roberto. Savio andava de um lado para o outro. Suas passadas faziam barulho.
— Quatro meses... e você só vem falar isso agora!- Gritou Savio.
— Fale baixo comigo! eu não sabia que algo assim poderia acontecer!- Exclamou José Lima.
— Falar baixo com você? Falar baixo com você? Eu deveria... minha esposa provavelmente só morreu por sua culpa.
Jonathan perdeu o fôlego.
— Eu não puxei o gatilho! Eu não matei ela!- José Lima praticamente gritou ao falar essa ultima frase.
— mas você deu a informação ao assassino!
Por vários segundos ocorreu um vasto silêncio de tal forma como se não tivesse ninguém lá dentro. Inicialmente isso deixou Jonathan aflito.
— Vamos falar mais baixo. Meu fi... meu fi... filho esta no quarto dele..
— Tinha tudo? O nome de todas aquelas pessoas?- Perguntou Roberto. José Lima respondeu afirmativamente- Se não for apenas coincidência a morte de Francisca e Geovana com esse arquivo... somos os próximos. Ei!- Roberto, que estava sentado, levantou-se- eu não quero morrer. Isso é... é represália! Temos que contar á polícia. Pedir proteção e...
— Não!- José Lima e Savio falaram ao mesmo tempo.
— Não vamos contar senão podemos ser presos. Eu não quero ser preso e não irei. Eu não vou perder tudo... Eu não sei o que pensar e nem fazer, mas não vamos falar disso para mais ninguém... preciso... preciso trabalhar agora. A gente conversa sobre isso depois.
Jonathan correu escada acima. Savio passou rapidamente pela porta de saída da casa. Após ele foi-se seus companheiros.
O garoto estava agora sozinho e confuso em seus pensamentos...ainda mais. Estava timidamente com medo pelo seu pai.
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