Capítulo XIV

Algumas horas mais tarde, já à noite, estavam os investigadores sentados à uma das mesas do Bohemia. Estavam esperando China que estava terrivelmente atrasado.

— Será que ele vem mesmo?- Indagou Anderson.

— Sim, ele vem.

Embora a pergunta, Anderson, ou até Eduardo, não se queixava da demora. Estavam os dois bebendo e escutando as músicas que eram tocadas na Esquina do Bohemia.

O estabelecimento Esquina da Bohemia possuía esse nome fazendo referência a sua localização, que se encontrava literalmente em uma esquina próxima à Praça da Farinha, e a boêmios. Durante a noite vários grupos de amigos se reuniam envolta das mesas, que eram postas logo em frente, pois o espaço era curto do lado de dentro- havia mais espaço para a banda e os locais ondem servem bebidas.

Aquela noite era programada para ser a Noite do Rock Clássico, destinado a todos os fãs do estilo. Como esperado, não apareciam tantas pessoas como as noites antecedentes. Campos Sales não era a Terra do Rock. O grupo social dos roqueiros fazia presença. Muitos estavam caracterizados com roupas de banda e vários acessórios. Naquele momento tocava-se Tender Surrender, de Steve Vai. Os presentes já haviam escutado músicas famosas como algumas de Megadeth, Pantera e até mesmo Scorpions, a qual trouxeram más lembranças.

— Devemos voltar para nossos quartos mais cedo hoje- Disse Anderson- temos que encontrar um padrão nas...

— Relaxa! Agora que são... – olhou para o relógio- nove e quarenta e dois. Curte o momento, eu sei que você gosta de Rock. Eu também gosto.

Mais algumas músicas e China apareceu. Cumprimentou os agentes individualmente com um aperto de mãos e sentou-se. Em seguida pediu uma bebida.

— Estão gostando?- Disse.

— Sim! Muito, mas por favor vamos direto ao assunto.

— Sim, claro.

China aparentava ter idade próxima aos trinta anos. Tinha um estilo boêmio, o que combinava com o local, com traços de skatistas de rua.

— Ei! Conheço você. Lembro que alguns anos atrás andei... – Disse China olhando para Anderson.

— Eu sei, eu sei. Foi contratado. Ele me contou- Anderson disse olhando para Eduardo que limitou-se a apenas dar um sorriso.

— Eu não marcaria para essa hora se não fosse necessário. Não temos muito tempo a perder. — Começou Eduardo- Como sabe, houve dois assassinatos. Aparentemente foi o mesmo assassino. Temos uma lista de possíveis suspeitos e queremos a sua ajuda para conseguir... algumas informações de um dos suspeitos. Informações como: onde ele anda, com quem anda, atitudes suspeitas. Aquele esquema de como a gente fez com Anderson.

— Essa pessoa é o assassino?

— Não sabemos. São apenas suspeitas, pode ser ele ou não. No momento é isso: suspeitas e superstições, mas ganhamos um motivo para começar a investigar um grupo específico de pessoas e ele se enquadra. Vai ser o primeiro- Respondeu Anderson.

— Desculpe, ‘’ ele’’ quem?

— Cícero de Silva Freitas- Respondeu Eduardo.

Por alguns segundos China riu.

— Vai ser aquele esquema de antes. Pagaremos você, mas precisa ser muito discreto.

Eduardo tirou duas folhas que estava no bolso traseiro esquerdo da calça que estava vestindo. Informou que nelas havia informações como nome completo e endereço do investigado. Além disso, havia uma foto do mesmo.

— Okay, boys. Aceito fazer isso. Começo amanha?- Eduardo fez que sim. — Por sorte eu estou com minha agenda muito disponível.

— É possível que haja, depois dele, mais pessoas para... – Disse Anderson – China seja discreto tão quanto você fi anos atrás. Você, por acaso, tem algum amigo tão bom quanto você que possa lhe ajudar nessa tarefa?

A resposta de China foi ‘não’.