Capítulo XIII

A noticia que havia um serial killer a solta em Campos Sales espalhou-se rapidamente. As zonas periféricas da cidade temiam, pois a segurança era ‘frouxa’, como diriam alguns membros daquela sociedade. Não estavam exatamente acostumados com a violência explicita. Sempre que ocorria um assassinato na cidade todos sabiam quem e o motivo, mas dessa vez vinha de alguém extremamente perigoso e que ninguém sabia quem era.

No dia seguinte o prefeito Savio mandou avisar nas rádios locais, FM, AM e Três Fronteiras, que um toque de recolher entraria em vigor ainda naquele mesmo dia.

-... o prefeito pede desculpas, porém é uma situação de emergência que exige inesperadamente essa medida...- disse os locutores.

Era programado para que o toque de recolher seja as vinte e duas horas para aqueles que fossem menores de idade e sem acompanhamento de ao menos um maior de idade responsável. As vinte e três horas era destinada para adultos, com exceção dos policiais da ronda.

A nova decretação foi anunciada várias vezes durante todo aquele dia. Inicialmente não foi bem aceito pelo pensamento popular que, em grande número, visava a diversão em festas de fim de ano que até mesmo a própria segurança.

Novamente, ‘assassinato’ foi o assunto mais comentado na região. Surgiram em redes sociais pessoas, que buscavam atenção, afirmando saber quem é o autor dos Crimes de CS- como chamavam.

Aos poucos a notícia dos assassinatos ia tomando proporções nacionais.

Era de tarde e os agentes descansavam em seus devidos quartos no hotel onde estavam hospedados.

Após estar descansado, Anderson visitou Eduardo.

— Eduardo, eu sei, mas...

— De certa forma virou pessoal. Nunca um bandido fez isso comigo!

— Sua raiva e frustação não vão nos levar a lugar algum. Temos que focar no...

— É... é verdade. Desculpe- Era raro um pedido de desculpas vindos de Eduardo- Em suma, o que temos?

— Olha, nós não temos muita coisa, os crimes são quase, ou são, perfeitos- Eduardo ia pronunciar-se, mas foi interrompido- mas! Não existem crimes perfeitos, apenas investigações mal feitas. E isso não é do nosso curriculum. Temos uma mensagem pichada, dois corpos, duas mensagens quase idênticas, um número de telefone que não é possível rastrear, uma vaga descrição do possível assassino e nenhuma testemunha viva... e também...- Anderson auto interrompeu-se.

— O que?

— É que... eu tinha pensado... eu tenho um pensamento sobre uma coisa estranha sobre a lista de ingressantes que estavam no Caricatura. Ontem a noite fiz uma ligação a um amigo do Governo. Disse que me ligará em breve mandando a resposta.

— De que se trata?

Anderson pensou antes de responder.

— Olha, deixarei primeiro meu amigo me da a resposta então lhe direi.

Eduardo respondeu afirmativamente. Houve outro minuto de silêncio.

— ‘Alto, moreno e magro’ disse ela. Pode ser muitas pessoas, mas ela disse ‘ ele’. Ela viu um homem... e eu também. Com isso poderíamos eliminar uma porrada de gente do Caricatura.

— Mas não faremos isso. Não temos um motivo forte o suficiente para fazer isso.

— Não mesmo, mas... não sei você, Anderson, mas sei por onde começar.

— Você cismou mesmo com ele, não foi? Sim, podemos começar por Cicero por causa do fato de que ele é o que mais se encaixa na descrição. O que faremos?

— Pediremos ajuda a China- Respondeu Eduardo. Anderson estranhou... — Não ao país China, obvio, mas a uma pessoa com o apelido de China.

Anderson, que estava em pé desde o inicio desse diálogo, sentou-se.

— Quem é ele?- Perguntou. Eduardo riu.

— Ah! Você não o conhece... provavelmente. Ele é um amigo meu. Era skatista. Tinha de tudo para se tornar um grande profissional no ramo: era talentoso e tinha perseverança. Às vezes ele faz o som na Bohemia, aquele barzinho no centro da cidade, você sabe...

— Não sei.

— ... não sei exatamente o porque, mas ele resolveu se tornar um fotografo. Pedirei para que disfarçadamente siga Cicero e nos mantenha informado sobre o que supostamente ele faz e onde e com quem anda.

— Eduardo, isso é meio...

— Relaxa. Vai da certo. Olha, eu nunca te contei isso, mas eu te conheci por causa dele. Quando vi que você... — Eduardo foi interrompido.

— Espera! Você mandou alguém me investigar durante a investigação que a gente se conheceu? Nossa, eu não havia percebido e... você nunca me disse.

Eduardo riu.

— Naquela época esse foi o primeiro trabalho dele com a área de fotografia. Foi o que pude arranjar na época com meus recursos limitados. Nem era bom fotografo na época, mas hoje em dia... ele é excelente! E mora aqui!

Anderson concordou em fazer o que seu colega propusera. Eduardo havia esquecido seu celular em Juazeiro do Norte, portanto usava o celular de seu parceiro para ligações. Felizmente ele possuía em um bloco de notas o número de várias pessoas e contatos importantes, incluindo o de China. Fez uma ligação para seu amigo e em poucos segundos ela foi completada.

Conversaram por vários minutos. Marcaram um encontro para explicar a situação e informa-lo. O rapaz concordou e a ligação foi encerrada.

— Creio que você entende, Anderson. Eu tenho outros contatos de fotógrafos espiões, mas todos longe. Dado o momento, China é o que pude conseguir... novamente.

Houve concordância entre os dois.

Naquele momento, e em momentos anteriores, um pequeno dispositivo, estrategicamente posicionado em baixo da cama e preso a madeira, com funções de um gravador em tempo real mandava para um notebook todo o dialogo dos agentes. Seu dono, Cicero, escutava atentamente a conversa.