Capítulo XII

A visão de Eduardo voltava lentamente. Sentia uma forte dor de cabeça, além de uma quase insuportável dor em sua testa. Logo ele percebeu que o que o atingiu foi uma bala de borracha. Deu graças por esta vivo.

Escutava vozes, principalmente de uma mulher. Essa mesma estava agoniada, dava para percebeu pelo tom e nervosismo expresso em sua voz.

— Olha! Ele esta vivo! — Quem falava era uma garota de quinze anos.

Eduardo ouviu passos rápidos vindos em sua direção.

— Você esta bem?- Disse uma voz masculina.

— Muito não... eu...

— Tem uma mancha meio roxa em sua testa...

O enfermeiro, que estava sentado no acostamento, veio ao encontro do investigador. Ao chegar disse o seu nome e o examinou.

— Como esta a visão agora?- Disse o enfermeiro dez minutos após Eduardo acordar.

— Agora ela esta melhor... Eu me lembro de você no hospital. Onde estão os outros?

O enfermeiro suava frio, ainda estava assustado com o que tinha acontecido a vários minutos atrás. Ele estava sem camisa, exibindo os seus músculos, e também muito sujo de sangue em várias partes do seu corpo e vestes. Eduardo tentou identificar o homem quarentão que tinha chegado até ele antes do enfermeiro, tentou identificar a adolescente de quinze anos e sua mãe. Sem sucesso.

— Não restaram outros- Respondeu- Estamos esperando a polícia e outra... ambulância.

Eduardo olhou ao seu redor e não encontrou sua arma. Caminhou lentamente em direção ao veículo tombado. O enfermeiro tentou impedi-lo com palavras, mas de nada adiantou.

O coração do investigador palpitava cada vez mais rápido na medida em que chegava mais próximo do local que se dirigia. A quatro metros lá ele encontrou a camisa ensanguentada do enfermeiro e pode visualizar uma grande quantidade de sangue que vinha do interior do veículo. A porta traseira estava fechada, então ele a abriu.

Deparou-se com uma das cenas mais horripilantes que ele presenciou em sua vida. Algo que jamais esquecerá. Em seus anos de profissão, pouquíssimas foram às vezes em que fez o que fez em seguida: vomitou.

O corpo da mulher assassinada estava pálido. Os olhos da vítima ainda estavam abertos e podia-se ler claramente a palavra ‘ SOCORRO’’.

Ao acabar de vomitar, o agente retirou-se do local, fechou a porta e logo se deparou com a mensagem escrita em sangue. Dos seus olhos saíram lágrimas. O que sentia era uma mistura de sentimentos de raiva, tristeza, mais o predominante era angustia por não ter evitado aquilo.

Passava-se das vinte e duas horas quando a ambulância e uma viatura da polícia civil chegaram ao local.

Eduardo, que estava um tanto quanto chocado ao mesmo tempo em que sentia uma forte raiva, ordenou ao policial motorista que o levasse direto para a delegacia. Seu pedido foi aceito.

Catorze minutos depois lá estava ele.

Anderson, Marcos e os demais policiais já estavam sabendo, por alto, do que tinha ocorrido. Eduardo foi ao escritório de Marcos e procurou freneticamente o celular da vítima Francisca pelas gavetas. Pediu o celular de Anderson, que o deu sem questionar, porém estranhou o pedido. Anotou no aparelho um numero telefônico, o mesmo que havia mandado descaradamente e sem codificação, a mensagem para Francisca e Geovana. O agente apertou no botão para completar a ligação.

Cicero estava em um ambiente escuto que era iluminado apenas por um abajur. Um celular começou a tocar no momento em que jogou um dardo em uma foto que estava presa na parede. Nessa foto estava Geovana.

Na mesma parede estavam outras quatro fotos. Havia uma de Francisca e outras três que a escuridão escondia.

Cicero conectou um cabo no celular ao notebook que estava ligado ao seu lado, e deixou a ligação cair.

Ao ouvir o ‘’...deixe seu recado’’, Eduardo falou:

— Imaginei que não fosse atender. Você é esperto suficiente para não fazer isso, né? É o que você acha, não é? Provavelmente eu não deveria estar fazendo essa ligação...- Sua respiração estava ofegante de tão nervoso. Seus olhos encontraram os de seu parceiro e em seguida os de Marcos- Geovana foi sua ultima vítima, seu assassino imundo! Tenha em mente isso: eu não sei quem você é, mas vou descobrir, vou te encontrar e vou te colocar na prisão que é o seu lugar!

Em seguida ele desligou.

Alguns minutos depois foi recebida no celular de Anderson uma mensagem informando que havia sido ouvida a mensagem de voz.