O Suspeito Insólito
9 Capítulo VIII
Capítulo VIII
Quatro dias haviam passado. Passaram-se rápidos na opinião de Anderson.
A morte de Francisca ecoou pelos quatro cantos da cidade. Fotos, de origem desconhecidas, do corpo já morto da vítima circulavam pelos celulares e computadores de grande parte dos camposalenses. As fotos foram parar na internet e circulavam de forma a fazer jus aquele meio de comunicação.
O IML de Juazeiro do Norte já havia liberado o corpo. Sávio preparou um velório digno para sua falecida esposa. Ele, assim como seu filho, ainda estava, obviamente, em choque. Os familiares, os mais próximos e o solidários ao prefeito dirigiram-se a sua casa onde acorria o velório.
Assinaram presença no caderno disposto a essa função.
Algumas pessoas importantes também estavam lá, como o Dr. José Iris, antigo prefeito da cidade, popularmente conhecido como Zé Siri por conta do seu nome de trás para frente. Obviamente ninguém ousava dizer isso na frente dele. Estava lá também Sr. Fiuza, ou mestre Fiuza, o arquiteto mais importante da cidade que, apesar de seus 85 anos pesarem em suas costas, quis ir ao velório. Esse ultimo foi o responsável por construções como a Grande Caixa d’agua da CAGECE, assim como vários escolas e outros prédios importantes da cidade.
Afastados alguns metros do caixão, que estava fechado por motivos óbvios, estavam algumas pessoas a conversar.
— Fara falta- Disse José Roberto.
— Eu a conheço desde quando... éramos crianças. Por isso, e por outros motivos, a chamei para fazer parte de...- Geovana Lima foi interrompida por José Lima.
— Nós sabemos- Disse.
Apesar dos sobrenomes semelhantes, ambos não possuem parentesco.
Naturalmente os agentes quiseram ir ao velório. Passava-se de 13 horas quando eles chegaram. A rua estava repleta de carros, motos e até bicicletas.
— Eu sei, chegamos muito tarde- Disse Eduardo.
— O assassino pode querer ir ao velório. Contemplar seu feito, todos eles fazem isso, mas podemos já ter chegado tarde. Ele já pode ter chegado e ido embora. Chegamos tarde por sua culpa, Eduardo!
— Desculpe! Vamos entrar.
Os agentes vestiam os mesmos trajes que haviam chegado a cidade. Ao entrarem na casa, todos presentes prestaram a sua atenção nos investigadores. Logo olharam ao redor procurando pessoas que possam parecer suspeitas. Em primeira vista não encontraram ninguém... nem mesmo alguém que tenha estado no Caricatura na noite do crime.
— Noticias sobre quem matou minha mulher?- Os agentes foram interceptados por Savio.
— Ainda não, mas estamos trabalhando nisso- Disse Anderson.
— Eu quero...
— Esse caso é difícil. Estamos fazendo o possível para...
Nesse momento alguém entrou por uma das portas da sala. Era Jonathan Lima, o funcionário estagiário de dezesseis anos do Caricatura. Os agentes perceberam que sua respiração ficou ofegante. Anderson percebeu sua presenta e foi ao seu encontro. Eduardo o seguiu.
— Ei, seu nome é Jonathan Lima, não é?- O garoto balançou a cabeça em sinal de ‘sim’- O que você faz aqui? Você é parente da falecida?
Jonathan respondeu que não. Savio aproximou-se.
— Você parece nervoso, rapaz. Qual o motivo?- Disse Eduardo.
— É por conta que vocês estão aqui- José Lima. Ele aproximou-se e dirigiu a palavra a Eduardo.
— E você é...?- Disse Anderson.
— José, pai do rapaz ai. Meu filho é ingênuo, indeciso, tímido, e covarde. Isso tudo faz ele agir assim.
— Não fale assim do seu filho- José Roberto aproximou-se junto com Geovana. A face de Jonathan mostrava vergonha.
— Olha, Roberto, você é meu amigo, mas quero que saiba que do meu filho... com ele eu falo como quiser. E só falo verdades- Ninguém discutiu- Estamos aqui. Somos amigos da família. Da falecida e de Savio- Explicou olhando para Anderson.
— Entendo- Após isso, todos tomaram suas direções.
Cautelosamente e com paços sorrateiros, Cicero, que estava do lado de fora da casa e escondido entre os carros, observava o movimento da residência.
Naquele mesmo dia ocorreu o enterro por volta das dezoito horas. Como costume, o caixão percorreu, em direção ao cemitério, pelas ruas da cidade. As pessoas seguiam a pé, de carro ou moto logo atrás.
Não foi fácil para Savio e Gustavo dizerem um ultimo adeus antes do caixão ser totalmente coberto pela terra.
Anderson e Eduardo acompanharam em todo o procedimento ao mesmo tempo em que observavam friamente o seu redor.
Após o enterro ocorreu uma missa na capela do cemitério. Ela durou cerca de trinta minutos e ao seu final as pessoas foram para suas casas.
Geovana ia a pé. Sua casa encontrava-se no bairro de nome Aparecida. Nos limites da cidade, apesar de ser pequena, era uma distância bastante longe. Ninguém ofereceu carona, porém ela não levou a mal, pois, apesar que seja o enterro da mulher de um grande amigo, estava acontecendo uma festa de forró nas praças que rodeavam a Igreja Matriz.
Campos Sales era a terra do sertanejo, mas acima de tudo do forró também.
Na festa o som estava demasiado alto.
Ao chegar ao local, Geovana observou os grupos sociais que lá estavam. Ela os julgou por sua forma de vestir e cabelo. Isso a chama a atenção pelo fato de uma de suas formações ser sociologia.
Após passar alguns minutos na festa, um homem veio ao seu encontro.
— Geovana Almeida de Lima.
— Oi? Você me conhece?- Disse ela.
— Mas é claro que sim- Respondeu.
— Olha, apesar dos meus quarenta e dois anos, eu tenho um namorado e uma filha pra criar- mentiu, em partes. Ela não tinha namorado, mas tinha uma filha chamada Angela de oito anos.
— Relaxa- Disse- Posso te dizer uma coisa no ouvido?
Eles começaram a dançar. Ela dava altas gargalhadas, mas era tampada pelo som da música.
Geovana fez que sim com a cabeça.
Ele aproximou-se do ouvido da mulher. Sussurrou algumas palavras e o sorriso no rosto da mulher desapareceu.
Aquele, cujo tinha assassinado sua amiga a dias atrás, sacou uma faca e penetrou quatro vezes no tórax. Ninguém prestava a atenção.
Ela afastou-se do criminoso, que caminhou rapidamente em outra direção.
Geovana cambaleou e pedia ajuda. Sua voz estava ficando cada vez mais baixa, ela ia cessar, mas antes conseguiu a atenção de um casal que se desesperaram quando viram a faca cravada na mulher, porém logo em seguida a vitima caiu ao chão.
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