O Suspeito Insólito
2 Capítulo I
Capítulo I
Passava-se poucos minutos após as vinte e uma horas do terceiro sábado do mês de dezembro do ano de dois mil e dezesseis quando o Caricatura Pizza-Bar, localizado na pequena cidade de Campos Sales, abriu suas portas novamente.
Os funcionários do local, por sua vez, rapidamente organizaram-se para fazer funcionar o estabelecimento. Era noite de cover de Rock pela nova banda, cujo nome deu-se por Blackout, e os clientes- os que tinham comprado seus ingressos- já entravam e ocupavam seus lugares.
O Caricatura era um grande atrativo para os moradores de Campos Sales e cidades vizinhas, como Salitre e Araripe. O que mais chamava a atenção, além das deliciosas pizzas e bebidas, era o fato de que em seus limites existiam quadros com caricaturas de pessoas famosas, dai a ideia para o nome do local.
Além disso, o funcionamento era impecável, acreditavam os camposalense. Estava programado para abrir às vinte horas, porém por conta de uma série de imprevisto por parte da administração e técnica, como falha nos aparelhos de segurança, aquele espaço apenas pode ser aberto naquele horário. Os mais crentes diriam que tudo motivava o Caricatura a não abrir suas portas aquela noite.
Eles estariam certos...
Com mesas limpas, começou o serviço.
Era de se esperar que alguns, a maioria jovem, viessem vestidos com camisa da banda Scorpions, a qual teria algumas de suas músicas cantadas e tocadas por Blackout. A maioria dos que chegaram eram jovens entre 16 e 24 anos, mas havia adultos também. Dentre esses mais velhos estava Francisca Oliveira que sequer gostava de Rock, porém estava a acompanhar seu filho Gustavo, de dezesseis anos. Mãe e filho sentaram-se a mesa com maior proximidade do palco que ficou a pouco mais de 4 metros. O garoto estava eufórico, era o primeiro show que ele iria.
Em poucos minutos eles fizeram seus pedidos: uma pizza metade calabresa e metade vegetariana, pois Francisca não comia carnes, além de refrigerantes e uma bebida alcoólica.
Passava-se das vinte e duas horas e trinta minutos quando sutilmente a banda foi chamada. Grande parte do público demonstrou sinais de entusiasmo.
O desinteresse pelo evento era evidente no rosto de Francisca. Ela bebia sua bebida de forma delicada, fruto de uma severa educação que tivera na infância.
Três músicas foram tocadas ante de Francisca anunciar:
— Gustavo, Gustavo! Vou ao banheiro- Gritou ela na tentativa falha de sua voz sobressair ao som. Seu filho acenou positivamente sem tirar os olhos da banda. Ele estava impressionado com a voz do vocalista.
Francisca Oliveira levantou-se e seguiu em direção ao banheiro feminino. Naquele instante, em que ninguém prestasse a atenção, um homem magro, alto e de pele bronzeada, assim como grande parte da população da região do nordeste brasileiro, levantou de sua mesa, pegou sua mochila que estava ao chão encostado no seu assento e seguiu o mesmo caminho tomado por Francisca.
Ela entrou ao banheiro e logo retirou um cigarro de sua bolsa, o acendeu e pôs a fumar. Encostou-se em uma das paredes do local e colocou-se a ler uma mensagem de texto que tinha recebido a poucos segundos. Assustou-se com a mesma, porém resolveu ignora-la. Deslizou seu polegar direito pela tela do aparelho, abriu o Whatsapp e iniciou uma conversa com um dos seus contatos. Mensagens enviadas, mensagens recebidas e a mulher começou a gravar um áudio para seu contato.
Instantes depois o Homem entrou no banheiro.
— Francisca Oliveira da Silva- Disse ele. A mulher assustou-se com a voz metálica que dizia seu nome por completo.
— O que? Esse é o banheiro feminino, saia daqui!- Ela apontava com o indicador esquerdo, sem largar o polegar direito de cima do botão de ‘ gravar’ do aplicativo, para a porta única.
O Homem puxou uma pistola que estava presa em sua cintura. Ele direcionou a arma de fogo para a mulher.
— Uma arma? O... o que você quer?- Disse com a voz falha.
— Quero você morta. – Respondeu.
O Homem disparou duas vezes sem receio contra sua vítima, pois a pistola tinha silenciador. A mulher largou o celular e o mesmo caiu ao chão. As balas alojaram nas paredes atrás de Francisca. A parede, que anteriormente era branca, esta agora manchada terrivelmente manchada de vermelho A vítima caiu ao chão ainda viva, porém o criminoso aproximou-se e disparou uma terceira vez, mas na testa da mulher que teve sua vida findada naquele instante.
Naquele momento, o assassino fazia uma expressão que demonstrava raiva. Seu coração estava acelerado devido a adrenalina. Ele colocou a arma de volta em sua cintura, pegou um spray de tinta preta e escreveu uma frase em uma das paredes do local. Ao acabar, limpou suas digitais da arma e do spray e o jogou em um dos vasos sanitário junto com a mochila. Deixou a tampa do vaso aberta facilitando a visualização dos objetos lá dentro. Olhou novamente o corpo da mulher, deu um leve sorriso no canto da boca e voltou tranquilamente a sua mesa para apreciar o restante do show.
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