O Suicídio
1 Capítulo 1
Era uma noite fria e chuvosa. Dentro de um apartamento — com paredes descascadas, luzes fracas e móveis (mesmo que poucos) estragados — havia uma garota, que deveria ter seus 17 anos, sentada no chão com as costas escoradas na parede, chorando por sua vida amarga.
Os pais dela vinham de famílias bastante pobres, e tudo que tinham era um ao outro, até o dia que souberam que sua mãe estava grávida. Quando ela nasceu, a mãe morreu no parto, por terem acontecidos certas dificuldades durante a cirurgia. O pai dela sempre guardou rancor da filha, pelo fato de ela ter tirado a vida da mulher que ele amava. Então um dia, quando ele ficou falido, mais pobre do que já havia sido em algum momento na vida, ele vendeu a filha quando ela era apenas uma criança.
Ela era quase como uma escrava e trabalhava para uma família rica e poderosa. Até que um dia, quando completou seus 14 anos, ela fugiu da casa de seus “donos” e roubou uma quantia de dinheiro do cofre deles, mas apenas o suficiente para viver durante um ano. Ela comprou um apartamento abandonado no Rio de Janeiro, onde ainda vive depois de dois anos. Ela trabalha numa loja de presentes, que não paga nem o suficiente para ela fazer compras no supermercado. Ou melhor, trabalhava. Havia sido demitida nesta manhã.
Ela se sentia desesperada e desolada e, principalmente, solitária. Que tipo de vida era aquela? Que tipo de vida tinha? Que tipo de pessoa era ela? Ela sempre se dava mal, sempre era azarada... Nada dava certo em sua vida. E, em consequência disso, ela nunca aprendeu a amar. Nunca sorriu. Nunca foi amada. Nem seu próprio pai a amou.
Consumida nas lágrimas que praticamente jorravam de seus olhos, ela se levantou do chão duro e frio e andou até um armário velho que tinha em um canto da sala. Ela abriu uma das gavetas, de onde pegou uma coisa que estava embrulhada em um pano. Colocou na superfície de cima do armário e fechou a gaveta, então desenrolou o pano. Mesmo com a pouca luz que havia no cômodo, o revólver que a garota tinha em mãos brilhou com o reflexo da luz. Ela o tomou em mãos e posicionou seus dedos nos lugares certos. Então encostou a ponta da arma em sua têmpora.
Ela precisava fazer isso. Era o único jeito que tinha de acabar com seu sofrimento. Ela iria para um lugar melhor. Sim. Ela iria. Então, tremendo e chorando desesperadamente ela...
Ela puxou o gatilho.
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