O Subterrâneo
8 O Erro
Notas iniciais
É os caras sumiram mesmo, pelo visto eles deviam ser BFF do tal mestre deles, por que o tal Guam Dam deve ter dado super poderes pra eles, não sei se eu me torno BFF do Guam ou fujo por ele ser poderoso.
– Ér que que agente vai fazer agora ? — Sun responde ainda lá fora.
– Bem, agente pode voltar para Butsbarg ou ir pra China ou ir pra China e passear ! — Furn responde, pelo visto todos nós escolheríamos a terceira opção, mas em um lugar diferente ir para a China sem cumprirmos a nossa tarefa iria ser suicídio.
– Bem, acho melhor agente ir pra China, vocês não ouviram Guem disse ? Nossa decisão irá afetar toda Butsbarg e seus arredores. — Sun diz entrando no carro.
– Então,acho melhor agente ir para essa missão, os outros não podem pagar o pato pela nossa decisão. — Primeira frase sensata que eu já felei em toda a minha vida.
– Mona nem razão Furn, não podemos deixar a aldeia de Butsbarg em conflito. Mas, eu não tenho a minima ideia de como vamos chegar até a China, temos um prazo bem curto mas e se algo ocorrer pelo caminho ... isso pode estragar um pouco a nossa viagem. Já é quinze de maio. Temos que nos apressar. — Petrus meio que da uma moral surpreendedora no Furn.
– Algus você e Furn vão trocar de turno para dirigirem, eu e Sun vamos ... — Sun me interrompe.
– Bem, acho que não temos muitos o que fazer. — Sun sorri, mas pelo que sei ela não gosta muito de deixar os outros ficarem com o fardo, já eu adoro.
– Isso mesmo, mas eu preciso de um banheiro e de comida, não vamos conseguir chegar tão longe sem isso.
Furn estava fuçando no carro todo, procurando armadilhas e tudo mais enquanto estávamos conversando, até que ele encontrou um GPS em uma das gavetas da van.
– Olha o que eu achei. — ele levanta o GPS. — Podemos procurar algum lugar, uma lanchonete ... — ele diz apertando os botões, aqui olha tem um supermercado, uma varejão de frutas, serve ?
– Frutas são comidas, logico que serve mané. — Digo.
– Ei, não me chame de mané, Ursy. — Furn responde ofendido, não entendo porque ele ficou ofendido, mané não é tão ofensivo.
– A quantos quilômetros daqui ? — Petrus já tinha se levantado e já estava no banco do motorista, só tinha eu e Sun no banco de trás, o que nos proporcionava muito espaço. Provavelmente, uma boa noite de sono.
– Ahh, droga. Cem quilômetros. Aguenta Mona ?
– Bem a fome sim,mas a minha bexiga não.
– Lembro de quando eu e meu pai cassávamos, quando eu ficava apertada, eu fazia as minhas necessidades atrás das árvores. — Sun diz.
A PELO AMOR DE DEUS, SÓ QUE ME FALTAVA ESSA. Não bastava ter que sair de Butsbarg para uma missão na China atrás do tesouro de um velho mestre, tinha que urinar na beira de uma estrada saindo de Butsbarg ? Ou era isso, ou eu teria que urinar ali mesmo. Escoli a segunda opção, pelo menos encontrei uns pedaços de papel higiênico na minha bolsa.
Furn ficou dentro do carro morrendo de rir, murmurando coisas do tipo "Mona Ursy, urinando na beira de uma estrada saindo de Butsbarg." "Clássico, clássico." " Se suas inimigas souberem disso." Nem me preocupei, depois que eu falar pra todo mundo que eles estava dormindo no ombro de Petrus Algus ... que ousadia.
Partimos para além da estrada. Como Batsbarg fica rodeada de aldeias para proteger a própria escola, foi ali que encontramos o que precisávamos, mas pelo visto o GPS estava super errado, por lá havia pequenos mercadinhos onde compramos tudo o que precisávamos. Foi meio difícil para nós três, exceto Petrus, foi ali que moramos então foi absurdo o desejo de encontrarmos a nossas casas e visitássemos nossas famílias. Lembro como se fosse hoje, era um dia ensolarado e bonito, todas as crianças menores estavam brincando, menos os de treze anos que eram obrigados a prestar serviços de vendas para guerras. Minha mãe chorou, gostava de quando ela fazia a minha trança nos meus cabelos pretos, quando fui para a escola tive que me virar, sorte que Sun sabia fazer, agora ela passa a fazer a minha trança desde agora. Meu irmão menor ... Lon, a cara, já iria chegar o dia de sua venda, nem poderia imaginar o sofrimento de minha mãe, perder os dois filhos pela ordem do governo. Mas eu tinha que fazer isso, vivíamos em uma pobreza gritante, e todos que iam para Butsbarg, suas famílias recebiam um dinheiro. Isso poderia aliviar as barrigas vazias de toda a aldeia.
Estacionamos em um mercadinho, com a aparência aceitável em comparação aos outros, nos dividimos, Sun e eu e Petrus com o Furn. Isso foi um erro.
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