O Subterrâneo
6 Agora
Notas iniciais
Os dois meses passaram como um raio, aquele velho coruja não nos disse o que nos aguardaria. Esperava que fosse desde uma foca gigante nos perseguindo até uma guerra contra o Irã. Nossos compradores chegaram nessa manhã, tinham uma aparência sombria, então eu nem fiquei nervosa. De manhãzinha já estávamos com a nossa mochila pronta, não tinha essa de querer levar o armário inteiro, tive que enfiar o que eu mais precisava naquela mochila minúscula. Sun dormia na beliche de baixo, quando eram apenas quatro horas da manhã ela já tava se mexendo igual um rato, então a partir dessa hora eu já estava mais do que acordada. Assim que nos dirigimos para a cantina para pegarmos suprimentos, avistamos Petrus e Furn, da pra acreditar que aqueles dois já não eram BFF ?!
– Prontas ? — Petrus perguntou.
– Hã — Sun disse tentando encontrar as palavras certas. — Não.
– Os compradores já chegaram, vieram nos informar já, temos que pegar os suprimentos na cantina de acordo com o que nos disseram. — Furn murmurou.
Demorou menos de dez minutos para pegarmos o que precisávamos e tomar um café da manhã reforçado por que eu não sou vidente pra adivinhar daqui a quantos dias teria a minha própria refeição. O trajeto até o carro dos compradores foi longo, o trajeto mais ainda, eramos quatro adolescentes apertados no bando de trás de uma van velha. Eu literalmente estava com a bunda quadrada, e sentia que todos estavam com esse mesmo incomodo, isso que o carinha tava dirigindo rápido e quando eu conferi as horas no meu relógio tinham passado apenas uma hora. A tarde veio em seguida a noite, eu tava com uma fome imensa, Petrus já tinham desabado no canto da janela e já estava dormindo, Furn estava babando e também sentia que ele iria desabar. Só eu e Sun estávamos acordadas por isso estávamos sentindo uma fome mais perigosa do que os rapazes.
– Moço, estamos com fome, quando iremos parar para uma boquinha. — Eu me aproximo para mais perto do motorista.
– Quando chegarmos na fronteira do Japão. — ele disse rispidamente.
SÓ QUE ME FALTAVA ESSA. Já tava com uma fome do caramba, minha bunda tava doendo, ainda estávamos em Butsbarg que ficava uns cinco dias para chegar no Japão. Certo, eu queria matar aqueles dois carinhas. Ainda bem que tínhamos Furn e Petrus pelo menos eles sabiam o que era dirigir.
Dormi. Nós quatro estávamos dormindo, já era o dia seguinte. Cutuquei Sun para ela se aproximar mais de mim.
– Plano brilhante, se não pararmos essa van iremos morrer de fome. Então é o seguinte, você vai fingir que está vomitando, supostamente querendo. Então eles vão parar o carro, vamos inventar alguma pra esses dois saírem. — Sussurrei no ouvido dela.- Aí agente sai correndo, ou ... agente pega o carro e se manda.
Pela expressão no rosto de Sun ela não tinha gostado nada da ideia, se você me entende, ela é muito angelical, não admite que qualquer coisa errada aconteça em sua presença.
– Só dessa vez. — Sussurrou de volta.
Minha vontade era dançar ragatanga ali, mas o espaço não admitia a tal audácia. Já tinha o que precisa, Sun, uma ótima estrategista e poderia formular um plano melhor. Passando algumas horas, Sun estava rabiscando no papel o plano, Furn e Petrus já estavam a parte do plano.
– Yuri, acho que alguma coisa está errada, com a gasolina ou o pneu. — O motorista disse para o seu companheiro de banco.
O ritmo rápido do carro estava diminuindo e aos poucos o carro foi parando. Agora sim eu poderia dançar ragatanga, a partir disso nos começamos a olhar como " AGORA !!".
Fale com o autor