O Submundo

21 Capítulo 21


Notas iniciais
Me desculpem por estar postando apenas um capítulo por semana, é porque eu realmente estou ficando sem tempo! Espero que gostem, boa leitura.

_ Não agüento mais andar. – Diz Hiley parando mais uma vez para descansar, mas realmente estava cansativo, estávamos a mais de horas andando sem nem chegar a nenhum local, como se ainda estivéssemos andando em circulo.

_ Marco, quanto tempo ainda falta para chegarmos? – Pergunto a Marco que durante todo esse tempo não tinha falado nada.

_ Não falta muito, pois falta muito pouco para chegarmos ao recinto dos monstros que fica a uns dois quilômetros da casa do demônio. – Responde Marco normalmente, como se fosse rotina para gente ir todos os dias no recinto dos monstros.

_ A gente não pode nem descansar um pouco? – Pergunta Hiley ofegante.

_ Se descansarmos, perderemos tempo, e não sabemos o que pode estar acontecendo com David nesse momento.

_ Tudo bem, já entendi.

__**__

O que está acontecendo comigo? Como eu posso ter deixado a minha família, Joana sozinha, logo após ter beijado ela eu vinha sentindo algumas coisas estranhas, tendo visões de um lugar repleto de fogo e aberrações, mas vinha tentando esconder isso de mim mesmo, pensando serem apenas sonhos bizarros, pois todo mundo já teve ou tem pesadelos na vida.

Era como se alguma coisa estivesse dentro de mim, outro eu, Joana estava certa, até eu não estava me reconhecendo, ela deveria me odiar nesse momento.

Foi tudo tão rápido, em um momento eu estava em meu quarto e no outro eu estava parado, em frente ao demônio, nunca imaginei que estaria vivo para presenciar tal coisa.

_ E então meu súdito querido, como está se sentindo? – Pergunta o demônio se sentando em sua poltrona e me apontando uma cadeira logo ao seu lado para me sentar.

_ Fica estranho eu ficar o tempo todo te chamando de demônio, você não teria outro nome? – Pergunto enquanto me dirijo à cadeira.

_ Me chame como quiser, eu não tenho um nome específico. – Responde ele com a sua voz estridente. – Tenho uma coisa para te mostrar.

_ Que tipo de coisa? – Pergunto, mas ele não responde apenas se levanta em direção a um pilar de mármore que contém uma bacia também feita de mármore, e nessa bacia tem uma bola de cristal, negra como a noite.

_ Aproxima-se. – Diz ele enquanto começa a gesticular as suas mãos em volta do cristal. – Veja com os seus próprios olhos. – E é isso o que faço, aproximo-me do pilar ficando de frente para ele, com apenas a bacia nos separando, e o que vejo faz eu perder o ar dos pulmões.

_ O que ela está fazendo aqui? – Pergunto estridente.

_ Simples. – Responde ele dando um sorriso, se é que poderia chamar isso de um sorriso. – Ela quer te salvar.

_ Por favor. – Digo, sentindo o meu coração querer sair pela boca. – Não deixe que nada de ruim aconteça com ela.

_ Isso não depende de mim meu sucessor, logo, logo, eu não poderei mais assumir o meu trono e terei que ter alguém para me substituir, e a profecia escolheu você – Diz ele dando uma risada maquiavélica.

_ Você sabe que eu não queria isso e não quero, então se isso tem a ver comigo, não coloque a Joana no meio. – Digo elevando um pouco o tom da minha voz.

_ Ela que se colocou no meio disso tudo, e você sabe que eu adoro um espetáculo, ainda mais com uma alma tão pura. – Revida ele alisando o seu cabelo preto oleoso.

Onde Joana se meteu? Ela não devia ter vindo isso seria o pior erro da vida dela, o que estava feito, estava feito.

__**__

_ Chegamos. – Diz Marco parando subitamente, quase fazendo com que eu colido com ele.

_ Na casa do demônio? – Pergunta Hiley esperançoso, meu Deus, no que ele tinha se transformado, cadê aquele garoto confiante, persuasivo? Pelo jeito não existia mais.

_ Não, no recinto dos monstros. – Responde Marco.

Olho para frente e vejo uma espécie de um casarão caindo aos pedaços, todo feito de madeira, no alto, uma chaminé saindo fumaça preta.

_ Vamos ter que entrar aí? – Pergunto nervosa.

_ Não nos alimentamos, e precisamos descansar um pouco. – Diz Marco andando em direção ao casarão.

Sigo-o ele com Hiley logo atrás de mim, a porta juntamente com a casa estava caindo aos pedaços, como se vários cupins tivesse comido a porta, Marco olha para a gente e logo em seguida abre a porta, o que ele não devia ter feito, pois um cheiro de podridão me atinge fazendo- me cambalear para trás.

_ Venha, vamos sentar ali. – Diz Marco apontando para três cadeiras que ficava de frente para um balcão. Vamos em direção as cadeiras, me sento no meio, Hiley do meu lado esquerdo e Marco do outro. – Vocês querem alguma coisa?

_ Quero uma água e alguma coisa para forrar o estômago. – Falo passando a mão pela minha barriga que há horas estava gritando por comida.

_ Eu vou querer o mesmo que ela. – Diz Hiley se remexendo desconfortavelmente na cadeira, eu sei que ele também achou esse lugar horrível, mas quem não acharia?

Marco levanta o dedo indicador e uma mulher sai de dentro de uma porta que ficava do outro lado do balcão, mas não era uma mulher qualquer, era um ciclope que por incrível que pareça continha um rabo, a sua pele era toda escamosa e as suas unhas grandes e pontudas, mas naquele lugar talvez ela fosse considerada normal e eu e Hiley os intrusos.

_ Vão querer alguma coisa? – Pergunta ela abrindo a sua boca para um riso e mostrando os seus dentes podres e amarelos.

_ Sim, me vê dois copos de leite e alguns biscoitos e para mim o de sempre. – Responde Marco tranquilamente.

_ Você já veio aqui? – Pergunto curiosa.

_ Para uma pessoa que anda por aqui há anos, teria que conhecer algum lugar não é mesmo?

_ É claro. – Digo virando-me para frente e fitando o nada.

_ Então quer dizer que temos carne nova no pedaço. – Diz uma voz baixa e rouca vinda de trás de mim.

_ Ela não está aqui para isso Musgo. – Responde Marco, viro-me para trás e me deparo com um monstro de no mínimo uns dois metros e com duas cabeças, ele parecia à versão do monstro do filme “Homens de Preto”. – Ela está aqui por causa da profecia.

_ O que tem a profecia? – Pergunta o monstro

_ O sucessor é o namorado dela. – Diz Marco.

Musgo olha incrédulo para Marco e cai na gargalhada.

_ Está vendo gente, essa garota está aqui para salvar o namoradinho dela que é o sucessor do demônio. – Dito isso, todos os monstros que estavam naquele lugar começam a rir descontroladamente, aquilo já era demais, levanto-me da cadeira ficando em pé nela e começo a falar:

_ Quando uma pessoa ama a outra, ela faz de tudo por ela, arrisca a sua vida por ela, tudo para ver essa outra pessoa feliz, e é isso o que eu estou fazendo,salvando a vida dessa pessoa que eu amo, não é só porque ele é o meu namoradinho, é porque foi ele que trouxe a felicidade para a minha vida monótona, me fez descobrir coisas que eu nunca imaginei que pudesse ser verdade, e eu não vou deixar que essa pessoa se transforme em um monstro, eu tenho certeza que todos vocês devem ter se apaixonado por alguém, ninguém é feito de pedra, todos nós temos um coração aqui. – Digo apontando para o meu peito. – E é por isso que eu sei que cada um de vocês irão me ajudar a salvar o amor da minha vida, pois eu sei que vocês não estão aqui porque querem. – Termino de falar e desço da cadeira, todo o local está imerso em silêncio, reparo que até alguns monstros estão com lágrimas nos olhos.

_ Essa foi a coisa mais linda que eu já ouvi. – Viro-me para trás e vejo a mulher que estava no balcão. – Aqui está a sua água e o seu biscoito, por conta da casa.

_ Você é louca? – Pergunta Hiley enquanto pega um biscoito.

_ Não, sou estratégica. – Digo também pegando um biscoito, que por incrível que pareça estava uma delícia. – Se conseguirmos levar esses monstros para o nosso lado, vai ficar mais fácil de conseguirmos salvar David.

_ E você acha mesmo que isso vai dar certo? – Pergunta novamente ele enquanto limpa as migalhas que ficaram ao redor de sua boca.

_ Vamos ver. – Digo, me virando na cadeira e olhando para todos os monstros do local. – E então, o que vocês me dizem?

_ Você tem o meu total apoio, pelo meu amor Maria. – Diz um monstro lá do fundo.

_ Muito obrigada. – Respondo. – Vamos fazer o seguinte, quem estiver a fim de me ajudar que levante as mãos. – Todos no local levantaram a mão, até mesmo o Musgo. – Ótimo, vamos ter que montar um plano. – Digo reunindo todos ao meu redor para acharmos alguma solução viável a todos.

_ Joana, você é um gênio. – Diz Marco se aproximando do circulo de monstros.

_ Tudo pelo David. – Digo dando um meio sorriso, até que foi muito útil ter visto milhares de vezes a Bela e a Fera.

Notas finais
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