O Submundo
13 Capítulo 13
Notas iniciais
_ Amor, por favor, tem como você tirar esse notebook da mesa? Você sabe muito bem que o café da manhã é sagrado para nós.
_Só vou terminar de escrever esse capítulo e já tiro.
A minha mãe faz cara de quem quer matar ele, é sério, em pleno começo de final de semana e eles já estão se desentendendo.
_ Pai, o senhor tem previsão de quando é que vai terminar esse livro? – Até que minha mãe tem razão, esse livro já está me incomodando também, mas acho melhor não pensar assim, aliás, tudo pode acontecer, e nunca se sabe se esse livro fará sucesso ou não.
_ Se a sua mãe me deixasse escrever em paz, talvez eu possa terminar logo, logo. – Responde meu pai fazendo a minha mãe revirar os olhos e levantar de uma vez da mesa.
_ Agora já chega. – Diz ela começando a ficar extremamente vermelha. – Vou fingir que nada disso aconteceu. Irei ao meu quarto passar uma água no rosto e quando voltar não quero nada disso, ouviu bem?
Essa pegou o meu pai desprevenido, a minha mãe nunca foi de perder a paciência assim, só que não.
_ Tudo bem, meu amor! – Diz meu pai, porque eu sei que ele sabe o que acontece quando desobedecemos a uma ordem de minha mãe.
_ Ok. –Responde a minha mãe já subindo as escadas.
Quando vejo que ela entrou em seu quarto viro-me para o meu pai e digo:
_ Pai, já que terminei de tomar o meu café eu... – Mal termino e o meu pai faz cara de medo e diz.
_ Você não está pensando em me deixar aqui sozinho né?
_ Infelizmente sim. — Digo já correndo escada acima.
__**__
Estou aproveitando o momento que não pude ter ontem quando voltei da casa de David, pular na minha cama, estou totalmente feliz por saber que tudo o que eu sempre sonhei e acreditava que um dia pudesse existir realmente existe.
Pulo tão alto que acho que vou bater a cabeça no teto. Caio deitada na cama e começo a rir descontroladamente, no mesmo momento sinto braços me envolvendo, olho assustada e vejo que é ele, ele também está sorrindo pelo momento criança que tive.
_ Uau, nunca te vi tão feliz assim. – Diz David, me dando um beijo, isso sim é que era ter um dia maravilhoso, meu Deus. – Você sabia que fica muito linda com o cabelo todo bagunçado desse jeito? – Pergunta ele se afastando e me avaliando com a sua mão no queixo, começo a rir mais ainda e digo:
_ Quem foi que te deixou entrar? – Pergunto me afastando dele e me colocando de trás da cama.
_ O seu pai. – Diz ele se aproximando um pouco mais de mim. – Eu disse que queria falar com você e que era muito importante e daí ele me deixou subir, ele até que é um cara legal.
_ É eu sei. – Digo tentando me afastar ao máximo dele. – E que coisa importante que você queria me dizer?
_Eu só digo se você vier perto de mim. – Diz ele começando a abrir um perfeito sorriso no rosto.
_ Eu não queria saber mesmo. – Digo disparando porta a fora, desço correndo as escadas e me deparo com os meus pais e falo rapidamente. – Daqui a pouco eu volto.
_ Joana, volte aqui. – Diz minha mãe, mas já era tarde de mais.
Vou em direção ao meu quintal e me escondo de trás de um arbusto, me encolho o máximo possível. Fico alguns minutos ali, aquela posição já começa a me incomodar, quase resolvo sair do esconderijo, mas ouço passos vindo em direção ao quintal e me escondo novamente.
David se aproxima mais e mais de mim e diz:
_ Onde será que está Joana em? – Pergunta. Eu sei que ele está segurando o riso, e também sei que ele me achou, eu deveria ter me escondido em um lugar melhor.
_ Ok, Ok, eu já sei que você me achou. – Digo me levantando do arbusto e fazendo cara de triste, o que eu realmente estava no momento.
_ Você não quer saber o que eu quero dizer? – Pergunta ele se aproximando de mim, será que ele não se cansava? Pelo jeito não, e eu estava realmente adorando tudo aquilo.
_ Não. – Digo tentando fazer cara de séria, mas estava difícil. Começo a andar para trás até que encosto no muro, o que acabou com toda a diversão já que eu estava sem saída. Ele dá uma imensa gargalhada e rapidamente diz:
_ Vejo que está sem saída, o que será que eu vou fazer em? – Pergunta ele, se agachando no chão.
_ Você não vai fazer isso. – digo tentando achar algum lugar para me esconder, mas já era tarde demais, ele já estava com a mangueira na mão.
Foi o banho mais gelado que eu já tomei em toda a minha vida, corro em sua direção e pego a mangueira molhando ele que acaba ficando igual a mim.
_ Há há ha , o feitiço contra o feiticeiro. – Falo, dando um sorrisinho de vitória.
_ Você não vai escapar tão fácil assim. – Responde ele, vindo em minha direção e me colocando contra a parede, no caso o muro, e me abraça, o seu corpo está extremamente gelado. Ficamos assim por algum momento e então ele se aproximo de meu ouvido e sussurra:
_ A coisa importante que eu queria-te falar é que eu te amo muito viu?
_ Viu! – Dou uma pausa e continuo. – Brincadeira, eu te amo muito também.
E assim selamos a nossa brincadeira e conversa com um beijo molhado e super gelado.
__**__
_ Muito bem mocinha, pode ir me contando o que aconteceu lá no fundo? – Pergunta a minha mãe quando mal acabo de entrar em casa.
_ Mãe, eu preciso te contar uma coisa, para você e para o papai.
_ Antes de você falar, poderia me dizer o porquê de estar toda molhada?
_ É que o David me molhou com a mangueira.
_ Sei. – Responde minha mãe com um ar desconfiado. – Muito bem, iremos conversar sobre isso na hora do almoço.
_ Será que eu não poderia tomar um banho antes? – Pergunto, eu já estava começando a tremer.
_ Tudo bem, mas logo que terminar desça imediatamente.
_ Mãe, você sabe que não pode ficar tão nervosa assim, cuidado com o meu irmãozinho. – Falo dando um beijo em sua bochecha e fazendo-a relaxar um pouco.
_ Tudo bem, agora pode ir tomando banho.
_ Ok, senhor general. – Digo batendo continência e correndo escada, melhor prevenir do que remediar.
Entro no quarto, tomo um banho, troco de roupa, vejo se alguém ligou para mim, infelizmente não. Terminado tudo isso, volto para a cozinha.
_ Já estava indo te buscar. – Diz minha mãe. – Não precisa se preocupar que já contei todo o episódio que presenciei para o seu pai.
_ Mãe. – Respondo revirando os olhos. – Tudo bem, olha mãe e pai, eu estou namorando o David. – Pronto, já tinha falado e já era tarde demais voltar atrás.
Ficamos em silêncio por não sei quanto tempo, olhando um para outro. Meu pai acaba com isso dizendo:
_ Ele parece ser um bom rapaz!
_ E é. – Respondo feliz por ele ter aparentemente aceitado.
_ Minha filha, depois de tudo o que aconteceu com você, você está disposta a passar por todo esse processo? – Pergunta a minha mãe.
_ Mãe, eu sei que ele é diferente, e com o tempo você irá perceber isso, tenho certeza. E além do mais eu o amo muito.
_ Você já sabe muito bem o que faz, amanhã você já terá 17 anos, falando nisso, você já decidiu o que quer fazer?
_ Já, eu quero livros novos. – Respondo já fazendo a lista dos livros que queria comprar.
_ De novo? – Pergunta a minha mãe, percebo que ela ficou meio decepcionada.
_ É mãe, de novo! A questão do meu namoro está tudo bem para vocês?
_ Por mim sim. – Diz meu pai colocando o seu prato na pia e indo provavelmente em direção ao escritório.
_ E você mãe?
_ Já que você o ama tanto, sim, mas os pais dele já sabem?
_ Sim. – eu tinha me esquecido completamente desse detalhe, será que David tinha resolvido esse assunto? Nem tinha dado tempo de perguntar para ele naquela manhã.
_ Então tudo bem. Agora termine o seu almoço que vou te levar a livraria para comprar logo os seus livros. – Diz minha mãe balançando a cabeça como desaprovação, eu sei que ela queria muito fazer a festa, mas já que o aniversário era meu, então assim seria.
_ Oba, já estou terminando. – Respondo feliz da vida. Tinha muito mais vantagens do que eu pensava em não se fazer um mero aniversário.
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