O Submundo
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Eu não paro de pensar nele, eu sei que ele me fez sofrer muito começando a gostar da minha melhor amiga, mas nós passamos momentos inesquecíveis juntos, eu ainda o amo, talvez ele não me ame mais, mas eu ainda o amo. Paro de pensar nele, é sério, depois de tudo o que aconteceu como eu ainda continuo gostando dele? Levanto-me da cama vou até o banheiro e enxáguo o meu rosto, como sempre eu estou com o meu cabelo todo bagunçado, e com a mesma cara de sono. Volto para a cama e vejo que já são 06h00min, hora de ir para a escola, todos os dias é a mesma coisa, já estamos no meio do ano letivo, e ainda sim, eu nunca me acostumei em acordar cedo, eu li em uma pesquisa uma vez que o horário entre 06h00min e 07h00min, é a melhor parte do sono, é por isso que lá nos Estados Unidos as aulas começam as 08h15min, já aqui no Brasil, sem comentários.
Vou a minha escrivaninha pego o livro que eu estou lendo ( sou uma leitora nata ), e volto a sentar na cama, o livro se chama “ Noite de reis “, de Shakespeare, a minha amiga que me indicou, e como eu, adora ler. Começo a ler, e mergulho na história, depois de alguns minutos ouço uma batida na porta, e então a minha mãe abre lentamente a porta e diz:
_ Joana, já está na hora de ir para a escola e você ainda não se arrumou? Um dia desses eu vou te deixar para traz, talvez assim você aprenda a ser mais rápida.
Levanto-me novamente, e me movo lentamente até o banheiro, escovo os dentes, penteio os cabelos, coloco o meu uniforme de sempre, o uniforme ( que eu mesma cortei), uma calça jeans e um all star que eu ganhei de aniversário no ano passado, pego a minha mochila, coloco no ombro e me dirijo a cozinha, como sempre está com cheiro de panquecas de chocolate, café com leite e cookies, que eu amo, como estou atrasada, pego um pedaço de cookie, dou um beijo na bochecha dos meus pais, e saio correndo porta a fora, então ouço a voz da minha mãe atrás de mim:
_ Ei filha, você não quer que eu te leve hoje?
_ Não mãe, eu quero ir sozinha!
Então começo a andar em direção a minha escola, por sorte ela fica a apenas 5 quadras da minha casa, a maioria das vezes eu gosto de ir sozinha, pois assim eu consigo pensar, todas as vezes que vou sozinha para a escola, eu entro em meu mundo imaginário, criando o meu próprio mundo, com seres impossíveis, vampiros, feiticeiros, bruxas, lobisomens, sempre me encantei com esse mundo, e sempre me imagino assim, a maioria dos livros que eu tenho são assim, contos de fadas, histórias sobrenaturais, tudo isso me encanta.
Corro em direção a escola, o sino acabou de bater, entro correndo para a minha sala, e abro a porta sem fôlego, todo mundo olha para mim e depois volta a fazer o que estava fazendo, me dirijo para a minha carteira e como sempre me sento ao lado das minhas amigas,Luana, Megan e Laura. Luana e Megan estão como sempre conversando sobre garotos, será que elas não conseguem pensar sobre garotos apenas para si em vez de ficar falando? , eu não consigo conversar sobre garotos com as minhas amigas, me deixa envergonhada, eu apenas guardo para mim, já a Laura estava desenhando mangás em seu caderno, os seus desenhos são ótimos, e ela sempre consegue fazer dos animes que eu mais gosto.
O professor de redação se levanta se dirige para o meio da sala e fala:
_ Bom dia a todos vocês, hoje eu resolvi fazer algo diferente, eu irei formar duplas e quero que cada dupla faça um trabalho, o tema é: O MUNDO IMAGINÁRIO, eu quero que vocês escrevam um livro sobre esse tema, o melhor será apresentado na feira cultural.
Fico agitada, é o melhor tema que o professor já fez em toda a minha vida, mas quem será que ele vai escolher como o meu par no trabalho? Tomara que não seja a Patrícia, ela é a garota mais chata que eu já vi na minha vida, e como toda a história, a mais popular. Tomara que ele me coloque com uma das minhas amigas. O professor escreve os nomes das duplas no quadro, vou direto para o meu nome e levo um tremendo susto, o professor me colocou justamente com o menino que eu gosto, e que gostava de mim, mas que agora gosta da minha melhor amiga Megan, na boa, o mundo está contra mim mesmo. Tento falar com o professor para que ele troque de dupla, mas ele é irredutível.
Formamos as duplas, me sento ao lado dele, mantendo o maior espaço entre nós, não conseguiria tocar nele de novo, a última vez que nos tocamos foi para nos beijarmos, e depois de tudo o que aconteceu, não seria dessa vez que eu iria tocar nele, se ele me quisesse, ele que viria atrás de mim. Depois de um minuto de silêncio e tensão, ele quebra o silêncio e diz:
_ E então, como é que você está? — Fico meio nervosa, mas eu tenho que mostrar para ele que estou bem, mesmo depois de termos terminado, e então respondo:
_ Ótima, e então o que você pensou em escrever no livro? – Resolvo mudar de assunto.
_ Eu não sei, que tal falarmos sobre saqueadores subindo em navios piratas e matando todo mundo para pegar o ouro? — Nossa que legal, falar sobre saqueadores, até parece que eu vou falar sobre isso na história.
_ Ahn, Felipe, eu gostei dessa sua ideia e tal, mas eu pensei em outras coisas, como por exemplo, seres da noite, ou feiticeiros, bruxos, coisas desse gênero, a única coisa que teríamos que fazer seria inventar uma história com essas personagens, o que acha? – Ele mexe nos seus cabelos pretos como sempre faz e diz:
_ Você e suas histórias sobrenaturais, por mim tudo bem! Aonde podemos fazer o trabalho, pode ser na sua casa?
_ Claro, pode sim!
A aula acaba, e volto para o meu lugar de sempre, me viro para as minhas amigas e digo:
_ Eu não acredito, o destino deve me odiar! Depois de tudo o que aconteceu, dele praticamente ter me iludido, começado a gostar da Megan, e daí ela ter recusado ele, ele ter vindo atrás de mim, me fazendo de segunda opção, depois de tudo isso, eu tenho que fazer o trabalho com ele, esse professor deve me odiar mesmo – Paro para respirar, sem fôlego, eu não sei se conseguirei fazer esse trabalho com ele, mesmo ainda o amando, ele me magoou muito, a Megan começa a rir e diz:
_ Joana, na boa, porque você não dá uma chance para ele?
_ Como assim dar uma chance para ele? Tá louca? Ele gosta de você, porque eu iria dar outra chance para ele? Se ele gosta de outro alguém, que por acaso é a minha melhor amiga?
_ Joana, esquece isso, você sabe que eu não gosto dele, o meu amor mesmo é o Artur, você sabe disso, o Felipe é apenas o meu amigo.
_ É assim que tudo começa, mas tudo bem pode ficar com ele, eu não ligo, estou conseguindo esquecer ele. – O que era uma tremenda mentira, mas era o único argumento que eu tinha para acabar com a discussão. Viro-me para frente, e começo a prestar atenção na aula de matemática, mas acabo entrando novamente em meu mundo, imaginando como seria, se tudo ocorresse como eu tinha planejado na minha cabeça.
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