Notas iniciais
Esse capítulo tem conteúdo +18. Se você se sente desconfortável com isso, está o aviso! Boa leitura.

Gon era a pessoa mais atenciosa que Killua conhecia.

Enquanto pousava os lábios e a língua em seu peito, ele não tirava aqueles olhos dos dele. Mantinha-se concentrado no que fazia e concentrado em Killua. Concentrado em ver como seu rosto se derretia no prazer e como seus lábios se partiam sozinhos nos gemidos soprados que ele fazia, e depois em um sorriso hesitante. De vez em quando, era o nome de Gon que saía de sua boca. Quando percebeu, Killua tinha enlaçado a cintura de Gon com as pernas e já se beijavam novamente – sua mente instintivamente caminhava para aquilo. Seu coração ia selvagem e suas mãos tremiam enquanto se embrenhavam nos densos cabelos pretos de Gon, mas ele não tinha medo, ele conhecia o medo. E sabia que naquela cama ele nunca o sentiria.

Pareciam que dançavam uma mesma música: quando Gon se afastou e sentou-se na cama, recostando-se na parede, o albino o seguiu e nada daquilo quebrou o elo entre seus olhos. Killua se pôs sobre ele com uma das pernas de cada lado. Killua apoiou-se nos ombros de Gon, e o moreno soube que o olhar de Killua estava cheio de pedir. Pedindo o amor guardado; pedindo proximidade, pedindo paz, coisas que só Gon tinha lhe ensinado o que eram. Pediam também seus lábios nos dele, e assim ele teve, num beijo apressado.

Querendo dar a Killua tudo aquilo, inclinou a cabeça um pouco, encaixando seus lábios nos dele, deixando que se abrissem, sentindo a respiração do menino que tanto amava uma com a sua própria. Deixou a língua do albino traçar cada contorno de sua boca e se entrosar com a sua. As mãos trêmulas de Killua não se largavam dos cabelos de Gon, já muito despenteados e colando em sua testa; mas as mãos de Gon firmemente tomavam Killua pela cintura, fazendo o volume na calça do outro roçar sobre seu abdômen. Gon não soube porque procurou aquilo, mas sabia que era bom, então não parou. Seus lábios se afastaram por uma mínima distância, mas suas línguas não, ainda sobrepostas, inseparáveis, recusando a abandonar o beijo. Iam testa a testa, rostos molhados de suor e saliva, e o ar pesado de seus suspiros úmidos e lânguidos que não cessavam. O peito de Gon praticamente pulava de excitação, prazer, e necessidade por ar, quando o beijo cessou.

– Eu nunca – e respirou, respirou e respirou sonoramente – tinha beijado assim, Killua...

Killua, como quem saía de um outro mundo, abriu os olhos de céu num tiro e começou a tentar falar algo, e tentou novamente, dessa vez passando a mão nos próprios cabelos e evitando o olhar de Gon. Ele tinha muito a dizer e perguntar. Mas só conseguia murmurar.

– Eu... também não. Gon, você... — e ele arriscou uma roubada de olhar no abdômen desnudo de Gon, no volume em sua calça, em como seus lábios entreabertos e avermelhados e tudo nele denunciavam a intensidade do beijo que tinham acabado de trocar. E algo dentro dele se revirou, sentiu a ardência da própria ereção e aquilo o fez fechar os olhos por um instante.

E nesse mísero instante que fechara os olhos, Gon fez muito mais do que apenas olhar. Suas mãos desataram – lentamente, olhando ainda nos olhos de Killua – o laço da calça de dormir do albino, procurando, naquele rosto desnorteado que tanto estimava, uma reação. Se estava fazendo algo errado. Gon sabia que queria aquilo como nunca quis nada. Ele desejava Killua como nunca desejou nada. Mas Killua havia de querer ele também, e ele precisava saber.

Por isso o moreno se inclinou para pôr os lábios no pé do ouvido do outro, e sussurrou com todas as palavras o seu desejo. Meias palavras não serviam para nada com Gon.

– Killua, eu quero, eu quero você – e o outro estremeceu sonoramente – eu posso?

Naquela hora eles não se olhavam, então Gon só ouviu um gemido levemente choroso de Killua, uma afirmação. Killua ficou de joelhos com Gon embaixo de si. O moreno apressadamente terminou o trabalho de se livrar daquela irritante calça de dormir e Killua a jogou para fora da cama, e apoiou-se na parede, um pouco envergonhado de olhar para baixo. A tensão acumulada fez seus músculos enrijecerem e fez ele cerrar os pulsos, mas sentia a quase dolorida ereção que Gon pousava os dedos despreocupado. Killua sentia que iria explodir, mas teve paciência. Valeu-se da falta de contato visual para responder à pergunta. Eu posso ter você, Killua?

– Bobo – tomou a mão direita de Gon na sua, e a fez envolver seu membro, arfando e sentindo as pernas bambearem com o contato – você pode. Você pode...

Finalmente Killua o olhou de cima, envergou-se para dar um beijo rápido em Gon, como quem dizia um outro sim. Gon sentiu o menino que amava olhar para ele não com pedir, mas com ternura e os olhos entreabertos, em entrega. Ele tinha Killua.

Não hesitou e beijou dentro das coxas do outro, cuidadoso, enquanto deixava um rastro de carícias, muito mais marcadas que as de antes. Onde ele beijava e Killua respondia, sabia que estava fazendo o que devia fazer. Gon não era experiente. Mas queria dar prazer ao menino que amava. Traçou a ereção dele com a ponta da língua e uma das mãos, e ouviu-o gemer “sim, Gon, ah...” e repetir-se, repetir-se ficando cada vez mais agudo enquanto sua boca tratava de notificar cada parte entre as pernas de Killua.

Gon voltou a se concentrar em seu membro e envolveu a extremidade com os lábios, molhados de uma voracidade que Gon não tinha percebido que sentia. Percorreu-o em sua boca até onde conseguiu, sentindo-se satisfeito, cheio com prazer do outro, e voltou, o envolvendo com as mãos logo depois. Killua gemeu longamente, enchendo o pequeno quarto de sua excitação. Ele não conseguiria ficar de joelhos por muito tempo.

Percebendo isso Gon ajudou-o a se deitar para trás, colocando as mãos em suas costas para lhe dar apoio. Killua se sentiu leve com a força de Gon o suportando tão facilmente. Gon veio novamente por cima dele e mergulhou o rosto entre suas pernas outra vez, apressado; e naquela posição relaxada, Killua não teve dificuldades em enterrar os dedos nos densos cabelos de Gon outra vez, em relaxar seu corpo e afogar-se em todo aquele estímulo, na vertigem que Gon lhe causava. Seus pensamentos derreteram e a tensão se dissipou pouco a pouco, e Killua sentia seus quadris se mexerem levemente para a frente, desesperado para que Gon se enchesse mais intensamente dele, seus gemidos quase uma constante. Aquilo não duraria muito; logo, Killua não suportaria.

– Killua... – Gon chamou com a voz carregada – você vai...

Killua mal ouviu o que Gon tinha dito. Se perdeu no meio do barulho de sua cabeça, no meio do ribombar de seu peito e na ardência de seu membro. Ele sabia que estava segurando algo, e que logo não conseguiria segurar mais. Suas pernas mesmo relaxadas estremeciam, e ele instintivamente afastou Gon de sua intimidade quando não suportou. Ele nunca tinha sentido nada assim antes; sua mente virou branco, seu corpo uma poeira, como se uma onda forte levasse tudo. Uma onda tão prazerosa que ele sabia que gemia, talvez até gritava, mas não ouvia nada daquilo. “Gon,” suplicou uma ou cem vezes, desta vez puxando gentilmente ele para perto de si novamente.

Nas mãos e numa das bochechas Gon estava marcado de sêmen, ele percebeu. Mas nada daquilo parecia ruim se era com Gon. Killua nunca esteve tão vulnerável, mas ele também nunca esteve tão feliz.

– Eu disse que você ia – Gon lembrou, beijando o canto de sua boca – é bom, não é, Killua...?

Enquanto seus sentidos iam normalizando, ele respondeu os beijos de Gon, rápidos e numerosos, molhados.

O que você acha? – brincou – Onde você aprendeu a fazer isso, Gon?

Killua recordou de como tinha se sentido uma criança nas mãos de Gon, que de repente, pareceu tão experiente.

A risada de Gon quebrou um pouco do silêncio no universo daquela pequena cama. Uma risada sonora.

– Eu não aprendi nada! Eu só... fiz. Eu só queria ver você sentindo prazer. Porque – e Gon parou o tempo cercando as têmporas de Killua, fazendo o ver apenas eleporque eu amo você, Killua. E agora que você voltou, eu posso falar isso.

Killua não tinha nem alternativa, a não ser sorrir, de olhos fechados. Só fez que sim com a cabeça antes de dar um último beijo arrastado em Gon, e se aconchegar em seu peito, novamente entrelaçando as pernas como tudo aquilo tinha começado.

– Da próxima vez, vai ser a sua vez – Killua murmurou, imaginando só para si o rosto de Gon pintado com seu prazer, imaginando a voz dele gemendo o seu nome.

– Isso pode ser logo, bem logo. Eu não ia querer esperar muito por isso, Killua – sentiu a vibração do peito de Gon quando ele exclamou aquilo.

– Não agora. Você me cansou, bobo. E eu não vou embora mais. Eu vou ficar aqui. Aqui, ou... onde você for, Gon.

Enquanto selava aquelas palavras, entrelaçou os dedos dele nos seus, segurando as mãos quentes que queria nunca ter soltado. Pôde sentir que Gon adormeceu pelo ritmo pacífico de sua respiração.

E, com aquela certeza, soprou, enquanto pousou uma mão no abdômen do moreno:

Eu também amo você.

E o seguiu para a paz do sono.

Notas finais
Espero que tenham curtido. Outras fics virão. :)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!