Allen estava sentado no sofá do aparamento que dividia com Lavi, o albino não tinha dinheiro o suficiente para pagar por um lugar, e negando-se a entrar na vida de jogador, pediu ao ruivo que lhe deixasse morar com ele, e este aceitou alegremente.

Ele ligou a TV, estava cansado, não tinha nada pra fazer e Lavi havia saído. Ficou passando os canais atrás de um que lhe agradasse, até que optou por um filme de terror.

– Não entra ai! – estava se empolgando com o filme – pra que entrar nessa casa abandonada, de noite, só com essa lanterninha fraca? Não tá escutando essa musiquinha? – o som da TV, ou da voz de Allen, chama a atenção de Timcampy seu gato gordo e amarelado, que vai até seu dono e deita em seu colo – Tá na cara que algo ruim vai acontecer! Esse pessoal de filme pareceu que nasceu ontem! – continuou assistindo por um tempo – Olha o monstro canibal – se encolheu um pouco no sofá – ele tá atrás da porta... – o telefone do apartamento toca, ele levanta e vai atende-lo – moshi-moshi?

– Allen-kun?

– Lavi? O que houve?

– Você pode me encontrar na frente do hotel?

– Hm... Claro! Tchau, te vejo lá! – desligou o telefone e a TV, mas antes deu mais uma olhada no filme e viu que a mocinha acabará de ser comida pelo monstro. – Todos burros, tsc – Passou pela porta e quando à estava fechando, lembrou-se de Tim, o chamou e assim que o gato passou, trancou o apartamento, andou até o elevador, desceu e aguardou Lavi na porta do hotel. Em pouco tempo, Lavi chega em um taxi. Estava com uma camiseta de manga cumprida vermelha um pouco folgada, botas e uma calça preta agarrada, que delineava bem as suas pernas. Estava sexy. O sentimento que tinha para com o colega de apartamento não era novidade, há tempos achava o garoto mais velho bonito e sensual, só não tinha coragem para dizer isso a ele diretamente, sua timidez e inocência não deixavam. Às vezes achava que o ruivo se insinuava, mas era apenas fruto de sua imaginação.

–Hey Allen-kun! – Disse Lavi após dar uma boa olhada em seu amigo. Allen, diferente do outro estava com uma calça jeans azul, uma camiseta branca de manga curta pouco agarrada e um colete por cima da camisa e seu usual all star – vem! Entra aqui.

Allen entrou no taxi ao lado de Lavi que mandou o motorista ir, o mais jovem só não sabia para onde.

– O vovô ligou pra mim – o ruivo começou a falar –disse que fez uma encomenda de doces com os Lee, e pediu para que eu fosse buscar – os Lee eram os melhores quando o assunto era comida, faziam tudo o tipo de encomenda, doce e salgados que iam desde festa de aniversário à casamentos – e bom, você sabe com a Lenalee é – Lenalee Lee era a irmã mais nova de Komui Lee , ela sempre dava em cima do Lavi. Uma moça muito bonita, mas muito descarada, apesar de ser amigo dela, Allen odiava quando ela ficava se insinuando para Lavi – com você lá, acho que ela pode largar um pouco do meu pé – quando Lavi me disse que não sentia nada por ela, estavam no meio da rua, a emoção do menor fora tanto que o agarrou em um abraço apertado deixando o outro perdido e surpreso, mas internamente, estava feliz.

– Lavi, seu avô não gosta muito de doces, por que ele encomendou?

–Oh sim, ele vai uma daquelas reuniões com os velhos amigos. Seu Pai adotivo vai Allen – O jovem Walker era órfão, seu tio Cross Marian tomou conta dele desde pequeno quando perdera seu pai em um acidente de carro. Cross era como um pai para o albino, mas era muito exigente, tarado e usurpador. Sim, essas três palavras descreviam-no bem.

– Chegamos – disse o taxista em um tom meio sonolento. O cara tava com sono e dirigindo, quando constatou isso, Allen acabou murmurando "Maluco", fazendo Lavi rir.

Quando desceram do carro, Lavi pediu para o motorista aguardar um pouco, em sua mente, não iriam demorar, era só para pegar alguns doces. Afinal, o que poderia dar errado?

Os Lee moravam um pouco afastados da cidade. Sua casa possuía três andares, varias janelas, uma porta de madeira, a pintura estava meio inacabada dando à ela um ar meio assombroso.

– Credo, Lavi! Essa casa é mal assombrada!

– Não seja bobo Allen, é só uma casa antiga.

– Sei não! Eu tenho experiência com casa mal assombrada – disse Allen sorrindo.