Por = Ágatha Kuchiki

Fanfic = O SONETO

–----

– Essa é a minha chance.

Foi praticamente um murmúrio, mais foi tudo o que conseguiu dizer ao ouvir de nossa professora qual deveria ser nosso trabalho de escola naquele semestre.

– Vamos fazer algo diferente dessa vez.

Já fazia um tempo que o grupo de artesanato* estudava literatura e poesia, e no lugar das habituais provas a professora havia optado por um trabalho diferente, no qual os alunos deveriam escrever um poema.

– Essa é minha chance de mostrar para a Inoue-san o que eu sinto por ela.

Meu amor por Inoue é algo que não consigo mais guardar, quantas vezes eu desejei poder tê-la nos meus braços, cuidar dela, ampará-la, amá-la. Odiarei Kurosaki para sempre por saber que é ele quem recebe todo o afeto e carinho de Inoue. E por ele não perceber tal coisa, chego a odiá-lo ainda mais. E a quem perguntar o porque de tanto ódio à desculpa esta pronta e será sempre a mesma.

– Eu sou um Quincy e odeio Shiningamis.

Maldito Kurosaki ! E por quantos perigos ela passou por sua causa, ser atacada pelo irmão quando este foi tomado por um Hollow, depois enfrentar outro na escola forçando seu espírito a desenvolver habilidades que mudariam sua vida para sempre. Depois, toda a confusão na Soul Society e como se não bastasse agora os Bottons.

– Que nome devo dar...

Sentado em meu quarto eu só consigo pensar em minha poesia, este seria um trabalho apenas da classe de artes o que significava que era apenas eu e Inoue. Nada de Kurosaki e suas inúteis opiniões. Nada de Rukia e seu olhar de constante curiosidade. Nada de Sado e seu silencio gritante. Nada de garotas atrás de Inoue. Seria apenas... nós...

– Vamos começar as leituras !

A classe estava pronta e um a um os textos eram lidos, começando pelas garotas**.

– Número 2 — Inoue Orihime.

Que tipo de texto será que sua doce mente criara ? A vejo ir até a frente da classe, nada de nervoso, nada de vergonha, apenas... Inoue...

“ Duvida da luz dos astros. De que o sol tenha calor. Duvida até da verdade. Mas confia em meu amor. ”

E calmamente ela retorna para seu lugar sem reparar nas pessoas que se perguntavam se teria sido realmente ela quem escrevera aquilo, sem reparar em meu olhar triste por saber que aquele pequeno verso era dedicado a Kurosaki.

– Parabéns Inoue-San.

Eu lhe digo com um sincero sorriso e uma tristeza profunda no olhar.

– Obrigada Ishida-kun.

E ela novamente sorri sem perceber nada. Mais um pouco de espera.

– Agora os garotos.

– Número 3 — Ishida Uryuu.

Era agora ou nunca. Acredito que nunca tremi tanto antes em minha vida. Ponho-me frente à classe, respiro fundo e começo...

“ Na alma tenho um segredo e na vida um mistério um grande e eterno amor num momento irrompido; é um mal sem esperança, e assim, profundo e sério, aquela que o causou nem sabe que é nascido.

Azar! Passo a seu lado, em vão, despercebido, portanto, sempre só, sem nenhum refrigério, e hei de chegar ao fim, à campa, ao cemitério, nada ousando pedir ou tendo recebido.

E ela que o céu criou boa e terna, hei de ver seu caminho a seguir, e a ouvir sem entender o murmúrio de amor que as seus pés se erguerá...

A um austero dever, piedosa, se desvela, e dirá, quando ler meus versos cheios dela: – “Que mulher será essa?”. E não compreenderá. ”

Termino a leitura e retorno para meu lugar. Arrumo meus óculos ignorando os olhares alheios sobre mim. Agora não tinha mais volta, minha declaração estava feita e ela entendendo ou não, naquele instante, meu coração estava um pouco mais leve.

– Que lindo Ishida-Kun.

Meus olhos brilham, será que ela percebeu ?

– Tenho certeza que a Kuchiki-san vai adorar.

Acho que me enganei... Como os olhos dela podem brilhar tanto diante de uma mentira como essa ? Eu apenas lhe dirijo um sorriso forçado arrumando meus óculos, suspirando pesadamente. Que pena que ela não percebeu. Não percebeu que o poema era para ela, assim como não percebeu que era para seus olhos que eu olhava enquanto o recitava frente à classe.

– Com certeza ela vai adorar, você escreve muito bem Ishida-kun.

Ela vira para frente para ouvir os outros alunos. Como os olhos dela podem brilhar tanto diante de uma mentira como essa ? Só não sei quem ela quer enganar, a mim ou a si mesma... Mais não importa o tamanho da mentira e nem quem a conte. O que eu sinto por ela nunca vai mudar. Explicar também não dá, mais isso costuma ser um bom sinal... Se você sabe explicar o que sente, não ama, pois o amor foge de todas as explicações possíveis.

–----

FIM

Notas finais
Dedicado a todos os fãs do casal ^_^

Apesar de que eu ainda prefiro que a Inoue fique sozinha (odeio ela ò_ó)

-----

Essa fic foi literalmente um parto, já que ela ficou esquecida no me PC por nove meses.
Pra mim é complicado escrever sobre esses dois, Ishida é tão complexo e Inoue é tão vazia as vezes que faz com que se tornem um casal impossível, mais o mesmo tempo perfeitos, pois o que falta em um sobra no outro e vice-versa.

Vamos as explicações:

* - No mangá Inoue fala pro Ichigo que ela e Ishida estão no mesmo grupo de artesanato, e o anime Suzumiya Haruhi no Yuuutsu me deu a entender que esses grupos são constantemente avaliados pela diretoria da escola, cumprindo tarefas e provas, me corrijam se eu estiver errada, mais foi isso que eu entendi.

** - No mangá tem aquelas páginas com o perfil deles, e nessa mesma página consta que eles estão em duas chamadas diferentes:
Inoue Orihime / número da chamada 5 / número de chamada feminino 2
Ishida Uryuu / número de chamada 4 / número de chamada masculina 3
Então eu imaginei que se a professora fosse separar os garotos das garotas ela usaria a segunda chamada.

E antes que eu esqueça, vamos ao quem escreveu o que...

O SONETO

Na alma tenho um segredo e na vida um mistério
um grande e eterno amor num momento irrompido;
é um mal sem esperança, e assim, profundo e sério,
aquela que o causou nem sabe que é nascido.

Azar! Passo a seu lado, em vão, despercebido,
portanto, sempre só, sem nenhum refrigério,
e hei de chegar ao fim, à campa, ao cemitério,
nada ousando pedir ou tendo recebido.

E ela que o céu criou boa e terna, hei de ver
seu caminho a seguir, e a ouvir sem entender
o murmúrio de amor que as seus pés se erguerá...

A um austero dever, piedosa, se desvela,
e dirá, quando ler meus versos cheios dela:
- Que mulher será essa?. E não compreenderá.

( J.G. de Araujo Jorge )

-----

Duvida da luz dos astros,
De que o sol tenha calor,
Duvida até da verdade,
Mas confia em meu amor.

( William Shakespeare )

-----

Se você sabe explicar o que sente, não ama, pois o amor foge de todas as explicações possíveis

( Carlos Drummond de Andrade )
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!