Notas iniciais
Oi, pessoas bonitas! Espero que gostem desse novo capítulo!

Hinata empurrou suavemente a porta lateral de serviço e retornou ao corredor interno do hotel, o coração ainda batendo no ritmo acelerado do beijo no jardim. Ajustando o vestido com as mãos trêmulas, ela caminhou a passos rápidos em direção ao salão, reencontrando Tenten que a esperava estrategicamente perto da entrada dos banheiros.

Com um olhar cúmplice e um aceno imperceptível de cabeça, as duas emparelharam os passos. Hinata respirou fundo, assumindo a postura perfeitamente serena e contida que treinou a vida inteira.

Ao se aproximarem do grupo, Hiashi não fez alarde. Seria vulgar demonstrar qualquer descontentamento em público. Em vez disso, ao ver a filha se reaproximar, ele apenas se despediu da mulher de um empresário com quem conversava e deu meio passo na direção de Hinata. Um movimento sutil, mas que impunha total domínio.

— Aí está você, minha querida — Hiashi disse com um sorriso polido e caloroso para quem olhasse de fora, embora seu tom de voz fosse baixo e calculadamente frio apenas para os ouvidos dela. — A senhora Mirasa estava à sua procura para parabenizá-la. Onde estava?

Hinata manteve o olhar calmo, sustentando a desculpa ensaiada com uma firmeza que nem ela sabia que possuía:

— Peço desculpas, meu pai. Eu e Tenten fomos ao banheiro, mas na volta acabei sendo interceptada por algumas senhoras do comitê de artes. Elas faziam muitos elogios à apresentação e eu não poderia ser indelicada de cortar a conversa bruscamente.

— Claro — Hiashi assentiu, deslizando a mão pelas costas da filha em um gesto ostensivo de afeto paternal para os convidados ao redor. — Educação é a sua obrigação. Mas não se ausente novamente. Sua presença ao meu lado é fundamental esta noite.

Ao fundo, Neji observava a cena. Ele deu um passo à frente, ajustando a abotoadura do terno, os olhos fixos na prima. Neji sabia que a história fazia sentido, mas conhecia Hinata desde a infância. Ele notou a respiração ligeiramente mais profunda, a leve vibração nas mãos dela e, acima de tudo, um brilho diferente no olhar — uma faísca de vida e desafio que nunca tinha visto ali antes.

Neji não fazia ideia de onde ela estivera ou com quem, mas intuiu que havia uma peça faltando naquele quebra-cabeça. Ele sustentou o olhar com Hinata por alguns segundos, dando a ela um sorriso quase imperceptível de canto. Não havia acusação, apenas um recado silencioso: eu sei que você está escondendo algo.

Longe dali, do outro lado do salão, Naruto reapareceu ao lado de Jiraiya. Ele caminhava com uma postura impecável, compenetrado ao lado do tutor enquanto se dirigiam à saída principal para encerrar a noite. Antes de cruzar as portas de vidro, os olhos azuis de Naruto buscaram os de Hinata uma última vez através da multidão. Foi coisa de um segundo — um olhar carregado de promessa e segredo.

Hinata viu. E pela primeira vez na vida, em vez de se encolher diante da desconfiança de Neji ou das rédeas curtas de Hiashi, um calor desconhecido percorreu suas veias. O risco era gigantesco, o perigo era real... mas a sensação de pertencer a si mesma e a intensidade do que vivera com Naruto valiam cada segundo. Ela estava gostando do jogo. E, sem perceber, começava a dar corda para a própria liberdade — ou para a própria ruína.

. . .

Naquela mesma madrugada, longe dos lustres de cristal e dos vestidos de gala do Hotel Bellevue, o mundo de Naruto mudava de tom.

No subsolo de um clube barulhento nos subúrbios da cidade, o ar era denso, impregnado com o cheiro de cerveja, suor e eletricidade. O palco era acanhado, mas a energia que emanava dele parecia capaz de explodir o teto. Ali, sob as luzes vermelhas e azuladas, Naruto não era o terno alinhado de grife nem o seguidor silencioso de Jiraiya: ele era a alma da banda.

Agarrado ao pedestal do microfone, com a guitarra pendurada no ombro, ele despejava cada gota de sentimento na música. As linhas que escrevera pensando em Hinata ganhavam vida em acordes agressivos e vocais rasgados. A plateia — um mar de jovens que lotava o espaço — gritava a cada verso em coro. A popularidade da banda crescia como fogo em palha seca no circuito independente; eles eram a grande promessa, a banda mais bem guardada e aclamada da noite.

Ao seu lado, Sasuke dominava a guitarra solo com uma precisão cirúrgica e técnica impecável. Entre um riff e outro, o moreno lançou um olhar de canto de olho para o loiro. Conhecia Naruto como ninguém. Notou imediatamente a força diferente na voz do amigo, uma entrega quase desesperada, como se aquela música fosse a única forma de libertar o que carregava no peito. Cada letra que saia da boca do loiro era paixão pura.

Quando a última nota ecoou e o clube veio abaixo em aplausos e gritos, os dois desceram para o camarim improvisado nos fundos.

— Você estava diferente, especialmente hoje — Sasuke comentou, jogando a palheta sobre a mesa e pegando uma garrafa d’água. — Mais agressivo.

Naruto encostou a cabeça na parede descascada do camarim, um sorriso de canto surgindo em seus lábios enquanto o suor escorria pelo pescoço. Puxou o celular do bolso e viu a notificação de uma mensagem recebida mais cedo.

“Cheguei em casa... Ainda parece que estou sonhando. Obrigada por me fazer sentir tão viva hoje. Tenha uma boa noite, Naruto.”

O peito do loiro inflou com uma quentura única. Ele olhou para Sasuke — o amigo que esteve ao seu lado desde o primeiro acorde, que compartilhava aquele sonho de ganhar o mundo com a música — e guardou o aparelho com cuidado.

— É que hoje o mundo finalmente girou do jeito certo, Sasuke — Naruto respondeu, os olhos azuis ainda brilhando com a lembrança do jardim.

Sasuke abriu a boca para questionar o amigo, a sobrancelha erguida com aquela habitual desconfiança afiada, mas foi interrompido antes de articular uma única palavra. A porta do camarim foi aberta no soco e o restante da banda invadiu o espaço com uma barulheira infernal.

— Cara, isso foi absurdo! — comemorou Shikamaru, jogando as baquetas para cima e pegando uma garrafa d'água, apesar do cansaço visível. — O que diabos deu em você no último refrão?! A galera da frente quase derrubou a grade! Você tava completamente insano nos vocais hoje, Naruto.

— O arranjo novo da ponte funcionou perfeitamente com essa sua energia — completou Sai, surgindo com a capa da guitarra nos ombros e aquele seu sorriso calmo e peculiar. — Foi uma performance curiosamente expressiva. De onde veio tanta inspiração depois de passar horas num evento engomado?

— Da noite, ué! — Naruto riu, ajeitando a gola da camisa jeans surrada, os olhos ainda acesos pela adrenalina do palco e pela mensagem guardada no bolso. — A gente mandou bem demais. O público sentiu o som.

Sasuke observou a cena em silêncio por alguns segundos, encostado na mesa de som improvisada. Havia uma cumplicidade antiga entre eles quatro, construída em noites infinitas de ensaio, dividindo pizzas frias e sonhando com o dia em que o mundo inteiro ouviria suas músicas. Ver a banda alcançar aquela sintonia perfeita e uma popularidade tão avassaladora era tudo o que sempre quiseram.

E, no entanto, enquanto os garotos comemoravam o sucesso daquela noite barulhenta nos subúrbios, o olhar de Sasuke voltou a se fixar em Naruto. Ele conhecia o amigo. Sabia que aquele fogo nos vocais não vinha apenas da paixão pela música, vinha de algo a mais, a garota Hyuga tinha parte nisso — e o guitarrista sentiu que daquela mudança, poderia levar a banda ao topo, ou destruí-la de vez.



Notas finais
Espero que estejam gostando, me deixem saber!! Eu gostaria de saber a opinião de vocês! Beijos, até mais!