Notas iniciais
Grupo 1 de palavras: conspícuo, anátema, arrefecido. Boa Leitura!

Era na antiga Rua das Palmas, seu ar misterioso era conspícuo entre os prédios cinzentos e modernos.

O Solar da Viscondessa estava abandonado, e o descaso incomodava Rúbia profundamente.

Ela que crescera naquelas ruas e becos, estava acostumada a avistar a imagem do Solar destoando entre as novidades.

Era bonito enquanto prédio histórico, mas um anátema que marcava a história da cidade. Era palco de festas suntuosas da elite dos séculos passados, mas escondia os horrores em suas senzalas.

Rúbia, que era apaixonada por história estudava os livros, mas também tinha os ouvidos atento as histórias que vinham das ruas, as contadas à beira do fogão de lenha dos avós, onde seu avô sisudo tragava o cigarro e lhe contava causos. Contara-lhe sobre a Viscondessa, e os horrores que ela gostava de praticar com os escravos.

Era uma exímia torturadora, o Visconde apreciava uma mulher de fibra e sangue frio. Sua morte precoce e inexplicável foi motivo de burburinho nas ruas, e com o passar do tempo, sua lenda surgiu. Dizia-se que todos os anos no dia de finados a assombração da Viscondessa surgia do antigo Solar, a espreita de uma vítima.

Rúbia não ligava para lendas, e tampouco para a Viscondessa. Gostava mesmo era de apreciar a vista do casarão, a silhueta do telhado no fim da tarde, e imaginar suas histórias.

Já era noite quando voltava do trabalho e cortou caminho pela antiga Rua das Palmas, a luz era baixa e o nevoeiro inexplicável.

Alguns passos e estava no portão do Solar, sentiu o coração arrefecido subitamente, quando a voz fria cortou a noite:

— Venha alma perdida, dar-te-ei conforto e serás meu azado. — um riso frio ecoando.

Rúbia estreitou os olhos, o coração batia descompassado. Olhou o celular e sentiu o mundo ruir, era a noite de finados.

Notas finais
Olá, tudo bom? Bem, aqui na minha cidade (Taubaté) existe de fato um casarão com o nome de Solar da Viscondessa, mas ele data do século XIX e pertenceu ao Visconde Tremembé. Toda vez que passava em frente ao casarão, eu sentia vontade de escrever algo sobre ele, eis que hoje surgiu a oportunidade. A história é ficcional, com exceção do nome do casarão. Eu espero que tenham gostado! Um abraço, até mais!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!