O Sol que me aquece
9 Capítulo 9
Notas iniciais
Hoje teríamos o ensaio final da coreografia, essa seria minha primeira coreografia depois de anos, eu realmente estava ansiosa pra que tudo ocorresse bem. Nesse momento estava treinando mais um pouco, quando Maya chegou na sala.
— Oi. — Disse enquanto ia pra barra. — Já por aqui?
— Eu queria treinar alguns passos antes. — Murmurou um “Entendi” e continuou alongando, mas percebi que dava umas olhadas de canto de olho.
— Está tudo bem? — Ela me olhou sem entender.
— Como?
— E que você me olhou como se quisesse dizer algo, mas não disse. — Não queria ser grossa, mas sim entender sua reação toda vez que me via, como se reprimisse algo.
— Há me desculpe, não é nada. E que você me lembra muito alguém que conheci. — Antes que eu tivesse tempo de lhe responder, as outras meninas chegaram já se posicionando, Bárbara chegou em seguida.
— Meninas, se posicionem. Hoje como todas sabem será o ensaio final, não quer dizer que não teremos tempo para ajustes, mas o propósito da aula de hoje é já deixar tudo pronto. — Todas concordamos e nós organizamos. — Vocês estão atrasadas, ajustem isso. — Disse após iniciarmos os passos, pude perceber quando ela respirou fundo. — Parem de dançar.
Nós entreolhamos, algumas meninas estavam muito nervosas isso era visível.
— Maya e Bianca, quero vocês aqui na frente. — Obedecemos, as outras se posicionaram atrás, ela fez um gesto com as mãos como quem diz, dancem. — Estão vendo meninas, é essa sincronização que eu quero com todas vocês, agora se posicionem e vamos novamente. — Achei que dessa vez estava tudo bem, mas de repente ela quase gritou. — Não, não, estão erradas, o que está acontecendo com vocês?! — Uma garota sussurrou “nada” — O que? Venha aqui na frente Leticia, dance. — Leticia, dançou, mas até eu percebi que ela estava muito lenta. — Ajuste os seus passos com os das outras ou ficará de fora da coreografia.
Tinha escutado algumas meninas dizerem que ela era muito severa quando o assunto era apresentações, mas não achei que era tanto, Leticia voltou pro seu lugar cabisbaixa. Voltamos a dançar enquanto Barbara dizia uns, ajustem os passos, postura ou levanta essa perna garota...
—Muito bem meninas, acredito que por hoje está ótimo, quero todas aqui no horário na próxima aula para treinamos os ajustes finais. — Falou e saiu.
Eu ainda acho que posso melhorar nós passos então quando todas saíram decidir ficar mais um pouco, Maya veio até mim.
—Eu vou na cantina, você vem?
— Agora não obrigada, quero treinar alguns passos. — Falei me alongando.
—Sério? Eu achei que você estava perfeita.
— Obrigada. — Sorri, eu realmente a juguei mal.
—Tudo bem então, só não exagera. — Falou por fim quando percebeu que eu realmente não iria agora.
Depois de algum tempo meus pés já estavam exaustos, resolvi parar, até que não seria uma má ideia ir à cantina, minha barriga já estava dando sinal de vida. Quando estava caminhando escutei uma música que me atraiu até uma porta, não conhecia a tal sala ainda, entrei devagar pra não atrapalhar, tinha um garoto tocando piano. Gabriel, fiquei surpresa, a música que ele tocava era linda, me escorei na porta já fechada e fiquei o escutando, ele parecia mergulhado na música assim como eu ficava quando dançava, perdido no seu mundo. De repente a música parou.
—Continua por favor. — Pedi me aproximando, ele se assustou um pouco.
—Não sabia que estava aí. — Me aproximei e fiz menção de me sentar ao seu lado, ele fez que sim.
— A música que você tocou, é linda. — Ele murmurou algo que eu não entendi. — O que?
—Faz tempo que está aí? -Não sei por que, mas tenho quase certeza que não era isso que tinha falado.
—Não muito, você não vai continuar?
—Faz tempo que eu não toco, estou enferrujado. — Desconversou.
—Há não, só um pouco. Eu estava querendo treinar uns passos, mas sem música é meio complicado sabe, você me ajudar? — Não era verdade, eu já estava bastante cansada na verdade, mas queria o ouvir tocar novamente. — Por favor. — Insisti, ele concordou.
Ele realmente tocava muito bem, era hipnotizante, fechei os olhos enquanto dançava e quando os abri o vi me encarando com um olhar que não consegui identificar. Acho que já tinha dançado bastante porque assim que tentei um grand jeté ao posicionar o pé no chão escorreguei e caí, a música parou.
—Você está bem? -Ele tinha corrido pra me ajudar e sei que essa não era pra ser minha reação, mas eu tive um ataque de riso.
—Desculpa...eu...estou bem. -Me ajudando a levantar me levou até o banco avaliando se eu realmente estava bem. O riso sessou. — Obrigada.
—Você me assustou. — Me olhou sério, muito sério, não entendi o porquê eu só tinha caído. Mas o jeito que ele me olhou, me deixou desconserta.
—Desculpa eu...
—Você tem exagerado nos treinos, por isso caiu? — Me interrompeu, franzi o cenho.
—Eu sempre treino bastante antes de uma apresentação, não precisa se preocupar.
—Seus pés estão sangrando. — Olhei para os meus pés, eu não tinha percebido que minhas sapatilhas estavam manchadas. -Bianca...
—Para com isso, eu já disse que estou bem. — Me levantei.
—Você está exagerando, não é a primeira vez que a vejo com os pés assim. — Me lembrou de quando nós conhecemos. — Vai acabar se machucando. — Aquilo já estava ficando chato, eu sabia quando parar de dançar, ele não precisava ficar me lembrando.
—Se vai continuar com isso, a gente se fala depois. — Fui em direção a porta, mesmo ele me chamando.
Quando sai esbarrei em alguém, Maya.
—Desculpa...
—Bianca? Está tudo bem, você viu o Gabriel? — Ela me olhou com o cenho franzido.
— Está sim e ele está aí dentro. — Apontei pra sala e sai em direção a cantina.
Estava terminando meu lanche quando Laura chegou e me fez companhia, expliquei pra ela a situação com Gabriel.
—Espera, você estava na sala de música com ele e ele tocou pra você? — Não via qual o problema nisso.
—De tudo que eu falei você só guardou isso?
—Não, é que o Gabriel não toca piano a um tempo desde o que aconteceu com Marina. — Fiquei curiosa.
—Marina, quem é? — Ela fez uma cara estranha, como se tivesse falado demais. — O que aconteceu?
— Desculpa, não cabe a mim te falar, acho que deve perguntar a ele. -Desconversou.
O que será que aconteceu, a reação dele foi realmente exagerada.
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