Meus últimos dias em casa passavam em uma velocidade incrível, tudo se resume em ensaios, arrumar os últimos detalhes, mais ensaios, um pouco de despedida, e adeus São Francisco.

Saímos de casa as onze na noite, checaríamos lá por volta das seis da manha, tomaríamos café e papai me deixaria no acampamento. Minha mãe decidiu ficar, pois não agüentaria outra sessão de lagrimas e “como viverei sem minha filha por três meses?”

Fazemos como o planejado, passo maior parte da viagem dormindo, olho a programação do acampamento que enviaram para meu pai através do e-mail.

[1° Mês] Aulas

[2° Mês] Ensaios

[3° Mês] Grande Final

Imagino-me chegando lá, nos dias que se passaram eu procurei varias coisas sobre o local no Google, pelas imagens que vi o local parecia magnífico, eu espero meu acostumar com ele, afinal, lá será minha nova casa.

O sol brilha no horizonte quando eu acho os olhos, meu pai estaciona o carro e descemos para tomar café, arvores então adiante da estrada, o chão de cascalho e o velho restaurante dão um ar agradável para o ambiente, visto meu moletom e sigo meu pai para dentro do estabelecimento.

Esta vazio, a não ser pela garçonete e o rapaz no caixa, ela parece ter minha idade, e sua aparência é semelhante ao outro rapaz, eles podem ser irmãos ou pai e filha, eu imagino.

Ela sorri quando me vê e coloca uma mecha escura de seu cabelo para trás da orelha.

– Posso ajudá-los? – Ela pergunta.

Sentamos-nos e ela nos entrega o cardápio, meu pai escolhe wafles e suco de laranja, não reclamo, para mim esta bom, ela Se vira e segue para cozinha.

Ela murmura algo com outra mulher e as duas saem de lá de dentro quase que saltitando.

– Minha nossa, senhor Heigway? Carl Heigway? No meu restaurante?

A menina assente com uma balançada de cabeça. Papai ri.

– Eu te disse mãe! – Falou a menina para a senha com touca de fritura cobrindo os cabelos.

– Pode nos dar um autógrafo? Sou fã do seu trabalho, assisti quase todas suas peças, tenho seus livros e não perdia um capitulo de suas novelas.

Definitivamente aquela mulher conhecia mais meu pai do que eu mesma, desde quando meu pai era escritor? Peças de teatro tudo bem, mais novela? Isso realmente era estranho.

Estava focada na euforia da mulher ao ter o nome do meu pai escrito em uma folha de papel, quando meu celular vibra.

[Numero desconhecido]

Oi, Tes! Sua mãe me deu seu novo numero, agora vamos poder conversar diariamente.

Reviro os olhos e clico em responder, Oliver, a milhas de distancia ainda executa seus planos de estragar meu dia. Clico em responder.

[Tessa]

Olá, vizinho! É você?

[Oliver]

Sim, cês já chegaram no acampamento?

[Tessa]

Nem, tenho que ir, sinal ta caindo.

[Oliver]

De boa, até mais.

Não gosto de mentir mas tem horas que só assim para se livrar do Oli, comemos e na hora de pagar a conta a mulher disse:

– Não se preocupe, é presente da casa.

Agradecemos e saímos.

Tento ouvir uma musica que não seja clássica, pois será o que eu mais vou ouvir durante esses meses, escuto The Smith, e um pouco dos Beatles, até que chegamos.

O campo parecia cinco vezes maior que o colégio, havia um lago, quatro prédios que eu penso ser dormitórios, há um grande galpão semelhante a um anfiteatro, e bastante espaços vagos, milhares de carros estão estacionados, garotos puxando sua mala, algum carregavam instrumentos musicais de diversos estilos.

Um garoto loiro de suéter azul marinho de esbarra em mim quando abro a porta do carro, ele continua caminhando, não vira pra trás então não é possível ver seu rosto, escuto-o murmurando.

– Deixa eu ficar com meu braço, eu gosto muito dele.

Ótimo começo.

Meu pai sai do carro e abre o porta mala, tira minha bagagem e coloca-a no chão. Uma mulher de pele escura apareceu e cumprimento meu pai. Pelo que eles conversaram ela era ela uma das Selecionadoras. O que pelo li nos roteiros, essas pessoas escolhiam quem entrava pra o acampamento e ficavam responsáveis por nós.

– Posso ver seu celular?

– Oi?

– Sua lista de musica, os dormitórios são selecionados pelos gostos musicais para um melhor acolhimento dos integrantes.

Birdy [16 musicas]

Paramore [4 musicas]

The Neightbourhood [9 musicas]

Ed Sheeran [7 musicas]

Beatles/The smiths [12 musicas]

Classic [25 musicas]

Outras [43 musicas]

– Boas escolhas, cabine 136, deixe suas malas e siga para o grande salão, temo que deva seguir sozinha daqui em diante, conversarei com seu pai, e ele será liberado, suponho que seja hora de se despedir.

Olho para ela fixamente, antes mesmo de saber seu nome, já não gosto dela, odeio quando me obrigam a fazer algo, nos dão uma escolha mesmo sabendo o que faremos.

Abraço meu pai, e destravo as rodinhas da mala, puxo-a através do cascalho, olho para trás, a mulher conversa seriamente e ele assente com a cabeça fazendo sinal positivo.

Pelo tempo que passei estudando as fotos e os mapas sei exatamente onde devo ir, li bastante sobre a seleção de quartos, tentei escolher ao Maximo musicas “alternativas” e “populares”, mesmo sendo rígida em quesito de ensaiar e treinar musicas clássicas suponho que me darei bem com os outros garotos mais liberais.

Eram trezentos alunos, primeira classe, S, severos, só ouviam clássicos e assistiam filmes de 1999 para trás, segunda classe, A, alternativos, seguiam a moda, ouviam de tudo que era bom e apreciavam a arte independente de sua data, terceira classe, E, estranhos, totalmente únicos, ou diversos como um borrão de cores frias em uma tela branca.

De primeira vista supus que era um prédio comum, mas ao passar pela porta fiquei surpresa, eram casas dentro de uma casa, um longo corredor, chão de grana e pedregulhos, grandes janelas de vidro que permitiam a entrada do sol e uma boa iluminação.

Visualizei até achar meu quarto, caminhei em direção a ele, quem quer que estivesse ali dentro poderia me amar ou me odiar, tinha medo se ser rejeitada por um defeito ou talvez não fosse boa o suficiente.

A porta esta aberta, eu vejo como será meu novo quarto, no inicio temos três camas Box com cobertores cinza, elas estão lado a lado, entre elas há uma pequena cômoda ,com algumas gavetas, elas estão do lado esquerdo, no lado oposto há, três guarda-roupas de tamanho médio, e cor vintage, no centro do quarto há um tapete de carpete cinza.

Tem uma parede dividindo o quarto/sala de uma cozinha, tem um armário e um pequeno fogão sobre a bancada da pia, mármore preto cobrem todo o ambiente, torneiras de metal refletem a luz solar e fazem desenhos diversos no telo de gesso branco.

Há um microondas e uma mesa de centro redonda, com quatro cadeiras de metal trançado, há um porta na parede que me faz super ser o banheiro, outra porta esta aberta, uma garota loira sai de lá, nem percebo que tenho companhia, uma garota de cabelos curtos com mecha roxa esta deitada na cama mexendo no celular, ela olha pra mim e sorri faço o mesmo, sorrio de volta.

– Mikka, coloquei as malas vazia na dispensa, amei essa mudança estava cansada de sair de madrugada para lavar minhas roupas, — Ela me olhou, e eu a encarei, ela tinha um cabelo loiro quase branco, esta vestindo calça jeans, botas cano alto, uma camisa burgundy com gola e sobre-ombro de renda da mesma cor. – Olá, garota nova, como vai?

– Bem, linda roupa, eu acho a cor burgundy.

– Minha nossa, já gostei dela, tem bom gosto, suponho que você seja Tessa Heigway, prazer – Ela estendeu a mão. – Sou Lissia, prevejo que seremos grandes amigas.