Audi entrou no quarto um pouco depois de Haryan.

–- Você está bem ? — Perguntou.

–- Estou sim, é só que... eu fui dar uma volta, me perdi e a Rose fez o Victor me buscar ! Não é ridículo ? — Audi riu.

–- Sua louca ! Mas me diz... o Victor é muito bonito não é ? — Haryan revirou os olhos. Nem tinha reparado nisso direito.

–- É...

–- E olha só... hoje nós vamos ter uma festa, de uma amiga da escola. Vamos ? — Festas significavam socializar, e com certeza Haryan não estava pronta para isso. Não estava a fim de ver adolescentes como as garotas da casa rindo ás custas dela. Porque com certeza elas iriam fazer isso, era isso que faziam com as garotas tímidas. Mas Audi era persistente, e não desistiu; pegou Haryan pelo braço e a encarou com um olhar de criança que quer doce.

–- Não adianta fazer isso !

–- Por favor, Haryan ! Vai ser divertido ! Na verdade, eu nunca fui á uma festa. Deve ser legal, muita música, e comida ! — Haryan riu. Audi era tão inocente... não era só isso que acontecia nessas festas. Por algum motivo, Haryan tinha essa certeza. E depois de ver a inocência de Audi, decidiu que deveria ir. Se visse algo ruim, a tiraria de lá na hora. Depois de um longo suspiro, concordou. A expressão de Audi se iluminou e ela já correu ver que roupas iriam usar. Haryan sorriu e desceu para o jardim para ficar um pouco sozinha.

Estava angustiada. Haviam tantas dúvidas em sua mente que nem sabia por onde começar. Não podia sequer passear, por não ter uma identidade. Quer dizer então que não era ninguém ? Que não existia para a sociedade ?

Olhou por sobre o muro, para os prédios e o sol que brilhava por detrás deles. Pensou na foto. Na garota. No precipício. Paul. Números. Indentidade.

Sua mente era um emanharado de pensamentos tentando se interligar. Se perdeu dentro de si mesma por não se sabe quanto tempo, tentando entender. E se usasse a internet ? Poderia pesquisar sobre a data. Sobre sua origem. Mas se lembrou que não faz ideia de como usar.

Olhou para o portão e ali estava Misha, com o focinho entre as grades. Riu ao ver que a loba a tinha seguido até a casa.

–- O que eu faço Misha ? — Ela grunhiu e colocou a pata dianteira nos olhos. Também não sabia. Haryan sorriu e foi até lá fazer carinho em Misha. Encarou os olhos da loba, profundamente azuis. Profundos e hipnotizantes. Misha era encantadora, com sua expressão serena e imponente, e olhos dissimulados e ao mesmo tempo doces. E não importa o que Haryan dizia, ela permanecia em silêncio. Ora, é claro, lobos não falam. Mas não é apenas isso. É um silêncio profundo, como que obrigando a pessoa a buscar a resposta dentro de si mesma. A aceitar a verdade, ou a aceitar o nada. Aceitar que está errada. Ou aceitar que não há respostas, e ser forçada a buscá-las.

–- Queria ser como você, Misha. — Disse, antes de se despedir da sua nova amiga e voltar para dentro da casa. Audi deveria estar louca atrás dela, procurando-a para se arrumarem. Suspirou fundo antes de ir até o quarto e se deparar com uma garota eufórica.



Haryan se olhou no espelho e até que não era ruim o que estava vendo. Audi havia prendido seu cabelo em um coque com alguns fios soltos e lhe dera um vestido florido e rodado, com ar de antigo. E Haryan gostou daquilo, parecia estar sendo ela mesma.

–- Roupas são uma forma de expressão – Disse Audi. — Achei que esse vestido te expressa perfeitamente.

–- Ele é lindo, vou considerar como um elogio. — Ambas sorriram e Audi a puxou pela mão, correndo escadas abaixo, passando por Rose e recebendo os conselhos e regras costumeiras pré-passeio e foi até o táxi que as esperava lá fora. Rose não queria que Haryan fosse, mas acabou cedendo ás insistências de Audi, que pegou escondido um cartão ID de umas das garotas que se parecia com ela. Mas seria a única exceção, por ser um ambiente fechado. Depois, Haryan só sairia quando tudo a respeito dela se resolvesse.

Audi foi o caminho todo falando sobre a escola e quem provavelmente estaria na festa, mas Haryan foi apenas prestando atenção nas pessoas nas ruas. Pensando em suas histórias. A mulher com o bebê no carrinho, a senhora de bengala, as crianças brincando na calçada. Parecia ser um lugar bom de se morar. Seria mesmo ? E essas pessoas, qual seria o passado dela ? Será que estavam confusas como Haryan estava ?

Ao chegarem no destino, Audi respirou fundo antes de pegar a mão da amiga e entrarem na festa. Haryan não se sentiu muito confortável no meio de tanta gente e música alta, que resolveu ir comer algo enquanto Audi ia cumprimentar algumas colegas de escola.

Se a festa fosse de Haryan, seria diferente. Não haveria música ensurdecedora. Seriam amigos reunidos para se dançar, divertir e conversar. Mas parece que todos estão só interessados em pular – porque não se pode chamar isso de dança – e em se agarrar, o que ela percebeu logo que entrou. Conversa ? Impossível. Não dá pra se conhecer num lugar como este. E se sentiu ridícula por ter tantas coisas importantes a considerar e estar em uma festa cheia de adolescentes fúteis.

Depois de pegar um doce, foi até o jardim da casa. Ali havia um grupo de jovens, perto de uma árvore, rindo e bebendo. Antes que ela fugisse para algum lugar vazio, um deles gritou:

–- Ei garota de vestido de florzinhas ! Vem cá com a gente ! — Olhou para trás e um garoto moreno com uma garrafa na mão era quem gritava. Revirou os olhos. “O que é que estou fazendo aqui ?” — Pensou. O garoto se aproximou e a puxou pelo braço. Antes que pudesse reclamar, reparou que no meio da roda estava ninguém mais, ninguém menos do que Victor. Com um copo na mão e um sorriso de quem já passou da cota. Não poderia ficar melhor.

–- Trouxe mais uma amiga pra se divertir com a gente.

–- Oi Haryan – Disse Victor. — Todos fizeram um coro de “hm” com um tom malicioso ao ver que eles se conheciam. Ela não respondeu e se virou para sair dali, mas Victor a segurou pelo braço.

–- Não não, agora que está aqui vai se divertir com a gente. Toma – E estendeu o copo para ela, que ergueu uma sobrancelha. E se lembrou de Misha. O silêncio. Depois de ser ignorado, Victor deu um riso de escárnio e a puxou pelo braço pra longe dali.

–- Eu sabia que você não era tão inocente assim – Ele disse. E parecia sóbrio. E Haryan percebeu que seu sorriso de quem já passou da cota na verdade era dele. Ele não estava bêbado. Ele tinha esse sorriso malicioso e dissimulado. Sorriso de ressaca, como Haryan o apelidou.

–- Só vim por causa da Audi. Pra onde está me levando ?

–- Não sei. Pra qualquer lugar longe dessa gente irritante.

–- Se são irritantes porque veio ? — Ele a soltou e deu de ombros.

–- Nada pra fazer. E beber até que é divertido. Mas eu não fico bêbado. E acho que você também não vai ficar. — Ele estendeu o copo para ela, que o olhou por alguns segundos. Porque ele não fica bêbado ? E o que isso tem a ver com ela ? Suspeita, recusou. E ao mesmo tempo, ele se lembrava de Rose ligando, pedindo que fosse na tal festa para ficar de olho nela. Se ela soubesse.

Nesse instante, o mesmo garoto que gritou momentos atrás apareceu.

–- Aí estão vocês... quer a garota só pra você, Victor ?

–- Sai daqui Jim.

–- Não, eu gostei dela. Vamos nos divertir um pouco, docinho. — Ele disse, a puxando pela cintura. Haryan o empurrou. Ele sim estava bêbado. Victor se colocou entre eles. Ele já sabia que isso aconteceria. Por isso a tirou de lá. Jim sorriu e deu um soco no rosto de Victor, que caiu no chão, surpreso. E Jim foi para cima de Haryan, dessa vez sem cordialidades.

–- Vamos logo, não tenho a noite toda. — E a puxou pelo braço, mas só conseguiu levá-la alguns metros, antes que ela se desvencilhasse dele, já com o cabelo quase desfeito pelo esforço. Victor o alcançou e o empurrou, mas Jim foi mais rápido e desviou. Obervando eles, ela percebeu que Victor parecia cuidadoso demais. Como se não quissesse machucá-lo. Parecia se controlar para não bater nele ou coisa assim. Ela ia correr, mas Jim a empurrou com violência até o vidro atrás dele, que fazia parte da sala onde a festa acontecia. E nisso a beijou, e ouviu Victor mandar soltá-la e avançar para cima deles. Mas ao sentir a mão de Jim percorrer sua perna, não esperou as mãos de Victor o acertarem e fez isso ela mesma. Se virou, ficando de frente para ele, e o jogou com toda sua força no vidro. Esperava que ele apenas machucasse a cabeça, mas o vidro partiu e Jim caiu todo machucado entre os convidados que olhavam atônitos para a cena. Foi nisso que Haryan parou para pensar que tudo aconteceu em frações de segundo. Conseguiu pensar naquilo tudo, visualizar Victor vindo para bater nele, sentir as mãos dele e em seguida reagir. Como se tudo estivesse em câmera lenta e apenas seu cérebro no tempo normal. Ou ele era rápido demais. Não sabia. Só sabia que havia acertado um garoto que agora estava no chão, com sangue e cacos de vidro em volta dele.

Victor a puxou pela mão, que se deixou levar por estar surpresa demais. Mas agora todos aqueles jovens estavam em euforia, andando de um lado para o outro, dificultando a passagem. Alguns nem sabiam o que tinha acontecido, muitos não entenderam. E já haviam ligado para a polícia, pois quando finalmente conseguiram sair, um carro com uma sirene azul havia acabado de estacionar. Victor sussurrou um “droga” e pensou em se esconder, mas não deu tempo. Um dos policiais – ali chamados de oficiais – entrou na casa, e passou por eles. Olhou para Haryan e seu rosto inexpressivo formou um leve ar de dúvida. Haryan fez o mesmo. Ela sabia que já o havia visto. Ombros largos, cabelos ondulados de um loiro escuro. Olhos pretos, que mal apareciam na noite escura. O uniforme azul escuro, a pose imponente. Victor pensou que estavam ferrados, mas para a surpresa dele, o oficial os ignorou. Nem parou para questionar a atitude incomum, apenas aproveitou a deixa e correu para onde havia estacionado a moto. Sem dizer nada, subiram na moto e voltaram para casa.



• • •



–- Como eu fiz aquilo ? — Perguntou Haryan para si mesma quando entraram em casa. Victor entrou como se estivesse prestes a explodir, e foi em direção á cozinha para pegar uma cerveja na geladeira. Depois de beber, a encarou com um olhar furioso.

–- Porque você fez aquilo ?!

–- Eu... não sei – Ela disse, sem conseguir pensar. O olhar acusador dele a deixava nervosa. — Tem a ver com os números no meu pescoço ? — Ela perguntou enquanto ele se sentava na mesa da cozinha.

–- Com certeza tem. Você realmente não se lembra de nada ? — Ele perguntou, semicerrando os olhos. Ela assentiu.

–- Notei que tenho uma força fora do comum – Ela disse, olhando para suas mãos, tão magras e pequenas.

–- Você tem que controlá-las ! — Ela se encolheu.

–- O que você sabe sobre tudo isso Victor ? — Ela perguntou, suplicante. Ele pensou um pouco antes de responder, deixando-a ansiosa. Victor não sabia se deveria contar ou não.

–- O governo mantém uma sede subterrânea de controle, que serve para tudo que possa imaginar. Constroem armamentos, formam soldados, mexem com ciência, criam clones. — Haryan pulou na cadeira.

–- C-clones ? Pra quê ?

–- Na verdade eu não sei. Não me aprofundei nesse assunto. Só sei que são criados para o uso deles. Você deve ser um deles.

–- E isso é ruim ? Eu sei que você não gosta de mim.

–- Vocês são criados para o uso deles, e nada que venha deles é bom. Por isso desconfio de você... e ter um de vocês em casa é perigoso. É uma fugitiva, e se a encontrarem aqui, vão nos acusar por ter te ajudado. O certo era te levar para a polícia. Mas depois desse seu show essa noite... vão investigar. Vão saber que foi um deles... ninguém conseguiria fazer aquilo. Era um vidro blindado. Com certeza já estão te cançando, é uma fugitiva. Agora você deu uma pista a mais para ele. — Ela estremeceu. No fundo já sabia... se havia fugido, alguém viria atrás dela. Haryan parou para pensar. Ela era um clone ? Mas onde está a “original” ? Onde fica essa sede ? E porque havia fugido de lá ? E então se lembrou dos poucos flashes que ocupavam sua mente. Um lugar no subterrâneo. Nunca havia visto a chuva. Dias da consolação. Paraíso.

E onde tudo isso se interliga ?

–- Os número servem para nos identificar ? — Perguntou. Ele assentiu.

–- Cada departamento tem um número diferente, que é o que está por último na numeração. O seu é 001, departamento de clones e ciência de borda. O de soldados é o 003. — Uma peça. Apenas uma peça entre milhares daquele quebra-cabeça interminável. Uma peça que faziam várias outras surgirem, complicando ainda mais.

–- E como você sabe de tudo isso ? — Ele parecia incomodado com essa pergunta. Sua mandíbula se movia, como se ele cerasse os dentes. Suas sobrancelhas se encontraram. Tocar nesse assunto com Victor era como andar num campo minado.

–- Eu já estive lá. — Haryan arqueou as sobrancelhas. Depois pulou da cadeira e foi na direção dele, parando ao seu lado.

–- Então pode me dizer mais coisas ! — Ele fechou a cara na hora, visivelmente incomodado. Parecia realmente difícil falar sobre aquilo.

–- Não fiquei muito tempo. Não sei mais nada. — Ela deixou os ombros caírem, desanimada. Sabia que insistir só iria piorar. Suspirou e encostou na cadeira.

–- Eu gostaria mesmo era saber porque aquele policial não falou com a gente – Ele comentou. Aquilo ficou em sua mente, afinal, esses oficiais são máquinas de questionar. Param tudo e todos na rua, fazem perguntas. Ninguém passa batido por seu olhos treinados. Ainda mais em uma situação em que foram chamados.

–- Ele deveria ? — Ele a encarou.

–- Claro ! Ah – Ele disse, arqueando uma sobrancelha. — Esqueci do seu esquecimento. Enfim, esses caras são o pesadelo de todos. Monitoram e questionam todos o tempo todo. Alguns deles monitoram as câmeras...

–- Câmeras ?!

–- Sim. Há câmeras pela cidade toda. Por isso você não deve dar um passo para fora daquele portão. Enfim, eles estão á serviço do governo. São treinados na sede, junto com os soldados. Vivemos uma ditadura...

–- O que é ditadura ? — Ela perguntou. Sua ingenuidade o fez rir.

–- Regime de dominância, censura... um pesadelo, enfim. Temos de pensar e agir como eles querem. Aparentemente tudo parece bom, porque eles querem que pareça. Mas qualquer insinuação de desvio de rota, e você pode ser preso. Até mesmo morto nos casos mais graves. — Haryan franziu o cenho e foi até a pia atrás de si. Apoiou-se ali, descrente que pessoas poderiam ser mortas só por agir diferente do que o governo queria. Uma sensação ruim, uma raiva vinha de seu estômago e fazia seu corpo tremer. Indignação e raiva.

–- Que horror – Foi só o que conseguiu dizer, quando sua vontade era sair e acabar com isso. Mas apesar de sua ingenuidade, sabia que não era tão simples.

–- Mas não há o que possamos fazer... — Ele disse, como se lesse seus pensamentos. — Chamamos aqueles caras de Polícia do Karma. Na verdade, eles se chamam assim também. Porque eles cuidam de cada detalhe de nossa vida, ouvem o que dizemos no telefone, vasculham nossas casas todos os meses, direcionam nossas vontades e pensamentos. Cuidam para que possamos viver o destino escrito para nós, não o que queremos – Ele disse. Que horror. Essas duas palavras pairavam em sua mente enquanto se indignava. Como as pessoas haviam se deixado levar por essa ditadura ? Quem criou isso ? Como chegaram a esse ponto ? Mal ela sabia que isso não era novo. Mal ela sabia da complexidade do teatro de horrores do qual ela era protagonista. Vivia em um mundo doente e estava começando a conhecê-lo, e já tinha a vontade de mudá-lo pulsando em suas veias. Havia tanto para entender, tanto para perguntar. Victor se levantou e foi até ela por detrás, e colocou suas mãos sobre as dela, e depois aproximou-se do seu ouvido. A ação repentina dele a assustou, o que a fez dar um salto. Ele riu.

–- Faça como eu. Esqueça tudo e recomece. — Depois se afastou e saiu da cozinha. Haryan estava zonza, processando o que ele havia dito. Idiota. Porque assustá-la assim ? Quando seu coração parou de pular feito louco, saiu da cozinha e foi em direção ás escadas, para ir para o quarto. Nisso, ouviu o barulho da moto lá fora. Ele deve ter saído de novo... parecia estranho ter conseguido conversar com ele. Mas ele ainda a irritava. Ainda mais agora que disse para ela esquecer. Como esquecer tudo isso ? Como aceitar ? Não descansaria até achar respostas, até conseguir fazer qualquer coisa para mudar a realidade que estava conhecendo – ou relembrando. Quando ia subir a escada, alguém a chamou. Parou no primeiro degrau e olhou para o lado, vendo uma das garotas de camisola, parada de braços cruzados.

–- Você e o Victor parecem bem próximos. Prazer, sou Amanda. — Haryan franziu o cenho. O que aquela garota queria ?

–- Mas não somos. — Respondeu. Ela riu.

–- Virou a queridinha da Rose, melhor amiga da Audrey e amiguinha do Victor. Parabéns. Também, com essa cara de coitada.

–- Escuta, o que você quer ? — Ela sorriu e deu de ombros.

–- Nada, só avisando. Você não me desce com esse jeito de boazinha. Toma cuidado, não é só a Polícia do Karma que vai vasculhar sua vida. Um passo em falso e eu te denuncio — E então ela subiu as escadas correndo, deixando Haryan parada ali, atônita. Que garota idiota ! Qual o problema dela ? Balançou a cabeça e voltou a subir. Mas espera... ela disse denunciar ? Ela ouviu a conversa ? Haryan se desesperou. Aquela garota sabia ! E poderia entregá-la se ela agisse de forma contrária ao que ela queria ! Havia saboreado um pouco do tipo de pessoa da qual sua sociedade era feita.

Notas finais
Espero que gostem... comentem *-*