O Seu Casamento.

1 Capítulo Único.


–Lily, eu gosto de você.- Ele pega em minha mão, a sua esta suada e suja de lama, pegajosa, mas mesmo assim eu não queria que soltasse.

–Eu também gosto muito de você, Hugo.- Disse e corei.

Estávamos sentados em uma colina que tinha perto da casa da nossa avó, ele tinha roubado alguns pães e um pouco de suco, saímos antes de acordarem, e viemos para cá. Eu usava o mesmo vestido rosa da noite anterior, e ele um macacão.

– Eu ouvi meu pai falando que quando duas pessoas se gostam, elas se casam. Então, parei para pensar... Você quer casar comigo? — Ele vê o espanto em meu rosto, e ri.- Não agora, sua boba. Quando já estivermos mais velhos. Tipo seus pais.

Sorrio, aperto com mais força sua mão.

–Seria demais, poderíamos sempre comer e brincar para sempre, só nos dois.- Ele concorda.

Segurando minha mão, bota um anel de grama, feito por ele mesmo, ele tem um idêntico no dedo. Passo o dedo no seu anel, e beijo sua bochecha, que cora.

Mais tarde, pega o canivete que ganhou de seu pai, e entalha nossos nomes em uma árvore, com um coração em volta, clichê, mas fofo.

Ao voltarmos para casa, encontramos o quintal vazio, mas logo escuto passos, James corria ao meu encontro.

–Eles apareceram, venham.- Grita.

Minha mãe sai da casa de vovó, ela estava roxa de preocupação, corre ao meu encontro, me prendendo em um abraço apertado. Não acontece muito diferente com tia Hermione e Hugo.

Eles fizeram perguntas, que deixamos claro que não íamos responder, onde já se viu, me perguntar se eu e Hugo nos beijamos? Fiquei irritada com essa acusação do meu pai, eu sou uma menina de 7 anos e meio, já sou quase uma adolescente.

Tínhamos um segredo, uma coisa que nunca seria passada adiante, éramos noivos, certo? Que garotas da minha idade já tinham um namorado? E qual delas era noiva? Eu pelo menos. Tenho certeza que Rose morreria de inveja.

***

–Eu te juro Hugo, eu não tenho nada com ele.- Virei seus rosto, tinha lagrimas no canto de seus olhos.

–E me explica, por que a mão dele tava na sua cintura?- Perguntou, andando de um lado para o outro.

–Somos monitores chefes, só estávamos ensaiando para o baile.- Expliquei.

Ele cerrou os dentes, e parou um pouco para pensar.

–Ele gosta de você, eu sei disso.- Falou, e negou com a cabeça.- Talvez seja melhor você ficar com ele.

–Não, por favor.- Ele ia me deixando, mas antes de chegar nas escadas puxei suas vestes.

Meu olho não saiu nem por um segundo dos olhos a minha frente. Era a coisa mais linda que eu via em dias, ele era sempre a coisa mais linda.

–Não esta dando mais certo, só brigamos, eu não quero ser o motivo de suas lagrimas.

–Eu não te entendo, eu deixei meus amigos para ficar com você.- Murmurei passando a mão pelos meus cabelos.- Você não tem coragem de enfrentar nossos problemas, você não é um grifinório.- Eu disse, mas logo em seguida me arrependi.

–E você é uma sonserina, arrogante, acha que tudo é você em primeiro. Todos na família ficaram surpresos quando foi para essa casa, mas mal sabiam que foi a melhor escolha.

Se seguiu um silencio perturbador, eu não conseguia dizer nada.

–Como podemos ter ficado tanto tempo juntos?- Perguntou, finalmente.

Mas antes que eu pudesse falar algo, saiu andando, não olhou nem uma vez para trás, e por causa de uma dança, eu perdi o amor da minha vida.

***

Eu passei a mão pela árvore, ela ainda conservava nossos nomes. O dia estava quente, típico verão inglês. Eu estou cansada, nem a maquiagem conseguia esconder ou melhorar a tristeza das minhas feições. Eu não quero voltar, não quero vê-lo no dia mais importante da sua vida, não quero fazer parte disso, mas eu o amo, e se ela é o melhor para ele, vou apoia-lo.

Sinto um braço em meus ombros, me viro e vejo James, o abraço, e não aguentando mais, choro.

Ele não falou nada, sabia que não conseguiria arrumar palavras para me ajudar, mal sabia que nada poderia me ajudar.

Pegou em minha mão, e me conduziu de volta para o jardim da casa da nossa avó, ele estava enfeitado com algumas flores, e uma tenda enorme estava armada. Virou uma tradição se casar aqui, todos menos Rose se casaram, a família Malfoy não aceitou bem a proposta.

Tio Rony passou apressado por mim, ele carregava algo que reconheci como uma estatua de gelo, as vezes ele tremia um pouco com varinha, ameaçando cair. Acho que ele queria mesmo deixar cair.

James não desgrudou de mim um minuto, só quando o casamento iria começar me despedi dele, pois ele era padrinho de Hugo.

–Lil, eu tenho que ir. Você vai ficar bem?- Perguntou, com aquela voz tranquilizadora, concordei. Ele beijou minha testa e foi embora.

Eu pensei em usar preto em luto por nos dois, mas Rose me convenceu do contrario, e ate comprou esse vestido para mim, ele era azul, rodado e com alguns detalhes em brancos.

Eu me sinto em falta, eu não quero ficar aqui. Me garganta se fechou, eu não conseguia respirar, queria minha casa. Tudo esta rodando, meu corpo estava fraco, eu queria alguém pra ficar comigo, para me consolar, e até mesmo um abraço.

Eu aparatei, aquela ânsia de vomito me consumiu, enquanto eu sentia meu corpo se espalhar no espaço. No momento seguinte, eu estava no meu quarto, encolhida em um canto, as lágrimas novamente saiam de mim.

Eu não devia ter fugido, eu sou fraca, devia ter ficado lá, de cabeça erguida, sorrindo, fingindo estar bem, acenando e comprimento. Deveria ter posto fogo em sua casa, ou saído com seu melhor amigo, algo para aumentar minha auto-estima. Sei que nada o traria de volta, mas me ajudaria a melhorar.

Escuto uma coruja batendo em minha janela, me assusto, moro em área trouxa e não costumo receber mensagens por esse meio. Me levantei, ao abrir a janela uma coruja preta entra na casa, a coruja de Hugo. Ela deixou um envelope em cima da cama, e em comprimento mordeu meu dedo. Logo em seguida levantou voo.

Abro o envelope, encontro um pergaminho com a letra cuidadosamente desenhada de Hugo.

''Londres, Inglaterra, 14 de maio de 2030.

Minha querida Lily,

Eu não sei como começar, dizendo que sinto sua falta ou que queria que tudo voltasse ao nosso normal? Talvez. Não posso negar que estou confuso, quando vejo seus olhos verdes, ou seus cabelos cor de aurora, que não são iguais aos meus. Eles pegam fogo, me sinto tonto.

Eu ainda me lembro, de como me apaixonei por você, foi bem infantil. Você dividiu seu sanduíche de queijo comigo, e aquilo para um garoto de 6 anos era o máximo de amor. Eu corri atrás de você, ate você aceitar sair em um piquenique comigo, dois anos depois. Ainda sinto a onda de êxtase que você me proporcionou naquele dia, melhor que sorvete de chocolate.- E como você sabe, nada é melhor que sorvete de chocolate.- Eu ainda tenho minha aliança de grama.

Comecei a namorar Isabella porque ela me faz esquecer você. nem que seja por uma ou duas horas. Eu me sentia vazio, sem lembranças. Quando estou sozinho tudo volta. Eu não sei como cheguei a esse ponto, sujo e cheio de rancor.

Eu não sou forte para romper, eu não consigo sair desse noivado, eu não sei como sair de Isabella, me desculpa. Eu não quero machuca-la, mas sei assim me machuco e te machuco, estou perdido em mim mesmo.

Você não deve estar acreditando em nada que esta escrito, eu não acreditaria. Faz cinco anos que eu parti, sem motivo, por medo. E ate hoje, suas palavras ainda me assombram, eu nunca mereci ser um grifinorio.

Saiba que nada, nem obliviate, nem qualquer feitiço do mundo, me fará esquecer de você. Eu posso amanhecer morto amanhã, deixar muitas dividas, e conversas inacabadas, mas quero que saiba que meu coração é seu.

Toda malicia de seus sorrisos, a esperança de seus olhares, tudo foi gravado internamente por mim. Quando sinto saudade somente aperto o play, mas tem um problema, o play não te trás de volta para mim, e isso é o que tortura diariamente.

Eu te amei, te amo e te amarei.

Sempre seu,

Hugo Weasley.''

–Eu também te amo.

Não existe mais lágrimas em mim, eu estou seca. Olhei mais um vez para o papel em minha frente, o levei até meu coração, e aceitei que nesse momento o amor de Hugo deve ser totalmente de Isabella, e é com ela que deve viver.

Estava doendo bem mais, mas senti que estou livre, livre para seguir em frente, mas sempre saberei que bem no fundo, Hugo ainda me pertence.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!