O Sequestro - Cobrade
8 Não posso negar
Notas iniciais
Jade
Eu estava na sala, sentada no velho sofá e vendo TV, eu estava ali a horas já que sentia muita falta de ver televisão. Cobra me permitiu ficar fora do meu cativeiro com tanto que eu não tentasse fugir ou algo do tipo, eu não estava desesperada para fugir pois isso não adiantaria. O processo estava sendo demorado porque meu pai estava em crise na empresa e, provavelmente, não tinha o dinheiro que eles pediram. E se eu conheço bem meu pai, ele envolveu a policia nisso o que deixa tudo mais perigoso.
Ainda mais perigosa foi a minha atitude de ter tirado o pano que Cobra amarrava o rosto. Mesmo sabendo que era errado, não me arrependi, Cobra era perfeito! Não é de hoje que eu sinto uma atração muito forte por ele e tenho certeza que sou correspondida, mas Cobra me evitava de todas as maneiras possíveis. Eu não sabia por quanto tempo ele ainda ia resistir, mas eu pretendia continuar tentando. Logicamente que isso também é perigoso, mas eu, sinceramente, não me importo.
Eu não estava com medo, não com Cobra por perto. Com ele eu me sentia segura e tinha certeza de que ninguém me machucaria. Chegada a noite Cobra veio me trazer o jantar e parecia tenso, ele se sentou no outro sofá, longe o suficiente de mim.
– Eu não mordo sabia? -falei alto de mais.
– Mesmo assim prefiro manter distância. -me levantei e sentei bem ao lado dele, cruzei as pernas propositalmente e comecei a comer- Você não tem medo do perigo garota?
– Nem um pouco -sorri brincalhona.
– Você tem sorte por eu ser paciente. -percebi seu olhar em minhas pernas e o encarei.
– Percebo o que te trás tanta paciência. -ele me olhou surpreso, começou a ficar vermelho e desviou o olhar.
– Você não vai me deixar em paz enquanto eu não te contar não é?
Balancei a cabeça positivamente e ele voltou a me encarar.
– Tudo bem, você venceu. Meu nome é Ricardo Cobreloa, mas todos me conhecem como Cobra e tenho 21 anos. Minha mãe se chamava Luzia e era uma mãe incrível, porém ela saiu de casa quando eu tinha 12 anos por causa do meu pai, que tinha agredido ela. Bom, meu pai era um cara bom, mas era apostador e com isso gastava todo nosso dinheiro. A última aposta que ele teve foi com o Lobão, mas ele não tinha dinheiro para paga-lo então, há dois anos atrás, ele foi morto a tiros e eu tive que ficar no lugar dele pra pagar sua divida. Ou eu ficava e pagava ou eu morreria. E aqui estou eu tentando fazer isso com o dinheiro do seu resgate.
– Eu sinto muito, deve ser doloroso para você ficar se lembrando disso o tempo todo. -ele sorriu fraco e me olhou com tristeza.
– Não se preocupe princesa, eu já estou acostumado.
Olhei para ele e percebi que ele na verdade só queria ter uma vida normal, ele não era um bandido nem um cara ruim, só carregava um fardo que não era dele, mas que tinha que carregar. Me aproximei mais dele e o abracei forte. No inicio ele não reagiu, mas depois retribuiu o abraço.
– Prometo que vou te ajudar de alguma forma.
– Esse é um problema meu, você não deve interferir. A situação em que estamos já é perigosa de mais e eu não posso arriscar ainda mais a sua vida e a minha. Eu não me perdoaria se alguma coisa de ruim acontecesse. -ele acariciou meu rosto levemente e me arrepiei com seu toque- Quero que seja devolvida em segurança.
– E você? O que pretende fazer?
– Vou mudar de estado, talvez de país e levar uma vida normal. Longe de todo rastro nojento que deixei, me sinto sujo fazendo isso.
– Mas não é! Você é um cara legal, não precisa se sentir assim. Você não tem opção, mas sei que se tivesse não estaria nessa vida.
Beijei sua bochecha e pela primeira vez pude ver seu sorriso. E que sorriso! Um sorriso que faria qualquer garota desmaiar, e eu não tinha percebido que estava quase me jogando no colo dele.
– Jade? Você está bem?
– Desculpe, estou bem. Não foi nada. -sorri sem graça.
– Esta na hora de voltar para o quarto, vamos. -ele me levou até o quarto e antes que ele fosse embora o chamei.
– Cobra? -ele se virou para me encarar
– Sim? -eu não sabia o que dizer, só não queria que ele fosse embora. Então eu simplesmente o abracei com força- Por favor, não dificulte as coisas -ele sussurrou, mas acabou me abraçando forte também.
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